Fotos: Polícia Federal (Divulgação)
Nesta segunda-feira (17) a Polícia Federal (PF) cumpriu novos mandados em desdobramento da Operação Fauda, deflagrada na última quinta-feira (11), em Santana do Livramento. Ao todo foram cumpridos dois mandados de prisão e cinco mandados de busca e apreensão, além de sequestros de bens e de valores de suspeitos que estariam dificultando as investigações.
As medidas estão vinculadas a investigados que, desde que a operação foi deflagrada, passaram a ocultar provas e bens e estariam tentando influenciar nos depoimentos. Conforme a PF, a instituição, junto das demais forças de segurança envolvidas, identificou que membros da organização criminosa não atingidos pelas medidas iniciais se mobilizaram no sentido de dificultar as investigações.
Sobre a Operação
A Operação Fauda foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa especializada na prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, contrabando e descaminho a partir da fronteira entre Santana do Livramento e Rivera, no Uruguai. Durante a deflagração da Operação Fauda (13/10) foram apreendidos cerca de 600 mil reais em moeda nacional, 190 mil reais em moeda estrangeira e mais de 1,2 milhão em cheques, além de 14 veículos, entre caminhões e carros de luxo, jet skis, entre outros.
Conforme apurado, há indícios do envolvimento dos membros da organização com práticas criminosas desde 2009, com, ao menos, 20 inquéritos indicando a participação em delitos transfronteiriços. Somente no último ano, foram 4 prisões em flagrante realizadas a partir do monitoramento de membros do grupo. Os investigados mantêm atividade voltada ao comércio de sucatas. As primeiras apurações focavam justamente o contrabando de lixo e de resíduos, prática essa que sempre capitaneou as atividades do grupo.
Com o passar dos anos os envolvidos passaram a abarcar as operações de diversos outros delitos cometidos, especialmente o contrabando e o descaminho de mercadorias. A partir do mapeamento de operadores financeiros do mercado de câmbio informal da fronteira, a Polícia Federal passou a rastrear os movimentos econômicos da organização, identificando que as empresas e os membros do grupo passaram a operacionalizar toda a engrenagem financeira necessária para o cometimento dos delitos investigados, inclusive, pela remessa de valores ao exterior e pelas operações de câmbio.
Nos últimos 5 anos, o grupo movimentou 91 milhões de reais em recursos potencialmente ilícitos, dos quais, ao menos 39 milhões foram evadidos – possivelmente para o pagamento de mercadorias e fornecedores no exterior.