reportagem especial

VÍDEO: aos 102 anos, ex-jogador do Inter venceu seu pior adversário: a Covid-19

João Crescêncio jogou no famoso 'rolo compressor' de 1940 do Colorado. Lúcido, ele vive em casa com os filhos e conta como foram os dias de internação depois de pegar o coronavírus

Janaína Wille
Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)


Foto: Pedro Piegas (Diário)

Qual a primeira ação que você teria depois de acordar da sedação em uma UTI? João Crescêncio, 102 anos, decidiu bater um papo com a médica de plantão. O assunto? Contou como foi parar no famoso rolo compressor do Internacional em 1940 - time conhecido por esse apelido pois dominou o futebol do Rio Grande do Sul naquela década e trucidava os adversários como um verdadeiro rolo compressor. 

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O processo de recuperação como uma nova oportunidade

O assunto é mesmo o preferido do idoso, que fez questão de relembrar os tempos áureos também para a equipe de reportagem. Apesar de limitações na locomoção e na fala, causadas pela idade avançada, continua lúcido. E, depois de viver momentos de desalento quando contraiu o coronavírus, o ex-jogador se recuperou e não ficou com nenhuma sequela da doença. 

O idoso contraiu o coronavírus após ser internado no Hospital de Caridade. Ele andava se alimentando mal e apresentava fraqueza. Por conta da idade, a família logo procurou o hospital e ele foi internado em 29 de setembro. Depois de alguns dias, fez o teste, que deu positivo para Covid-19, e precisou ir para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde ficou por dois dias. Não precisou ser intubado, mas os médicos alertaram a família de que o quadro dele poderia ser complicado por vários fatores.

- Já na UTI, os médicos me falaram que ele poderia não resistir já na primeira noite. Pelo quadro clínico, pela fraqueza e pela idade. Tudo era fator de risco. Mas eu conheço o meu "velho", sei que ele é duro na queda e iria sair dessa - lembra o filho Valmir Crescêncio, 66 anos, que, junto da irmã Maria, 68, mora com João.

A alta veio em 15 de outubro, com festa na saída do hospital. Toda a equipe médica fez questão de aplaudir o centenário atleta. Ele também ganhou uma plaquinha: "Você venceu a Covid", que será emoldurada e irá compor o verdadeiro museu de relíquias que João tem em casa. Ele guarda coleção de troféus, quadros e camisas da época em que jogava no Inter.

- Nunca fumei e bebo só de vez em quando. Acho que isso me ajudou a vencer a Covid - comenta João, que precisa se locomover em uma cadeira de rodas.


Foto: Pedro Piegas (Diário)
João Crescêncio junto do filho Valmir

O centenário gosta de ler livros e acompanhar os jornais. Aos finais de semana, ouve música gauchesca e tem um ritual especial: tomar uma caipirinha enquanto acompanha o filho preparar uma carne assada.

Entre os sintomas característicos da Covid-19 que apresentou, estava a dificuldade respiratória. Ele garante que não ficou com sequela da doença. Já fez as duas doses da vacina e, agora, brinca que está pronto para viver mais 100 anos

- Nunca esmoreci diante dos obstáculos na minha trajetória. A vida é o maior tesouro que temos, precisamos cuidar dela. Tenho muitos anos pela frente ainda. A felicidade, neste momento, só não é completa porque nem todo mundo conseguiu se recuperar desta doença.

SEGUNDA PANDEMIA

João nasceu em São Pedro do Sul em 1918, quando a pandemia da gripe espanhola assolava o mundo. Veio para Santa Maria ainda bebê e, aos 17 anos, foi convocado pelo governador Flores da Cunha para servir à Brigada Militar (BM). Nas horas vagas, jogava futebol com os colegas de farda. Seu talento para o esporte foi percebido pelos comandantes do Batalhão, que eram membros da diretoria do Internacional. Em 1940, Crescêncio foi convidado para jogar no Colorado, onde atuou até 1942. Naquela época, no entanto, o futebol não era profissional e não havia salário. Depois, retornou a Santa Maria, onde trabalhou como ferroviário até se aposentar.


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