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Sem Carnaval, cidades da região devem sentir impactos econômicos

Festa é tradicional em municípios como Jaguari, Lavras do Sul e na Quarta Colônia

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Foto: Foto: Pedro Piegas

Foto: Pedro Piegas (arquivo/ Diário)
Em Jaguari, Caraval do ano passado recebeu foliões de todo o Estado

Apesar do ano de 2021 ter trazido o início da vacinação contra a Covid-19, só isso não será suficiente para que a folia de Carnaval aconteça. No dia 28 de janeiro, o governador Eduardo Leite (PSDB) confirmou que não serão permitidos os eventos carnavalescos no Estado, tanto em ambientes internos quanto externos. Na região, a festa é tradicional em diversas cidades, e a medida deve fazer com que elas sintam inúmeros impactos, principalmente o econômico.

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Em Jaguari, por exemplo, o Carnaval de Rua do ano passado recebeu mais de 40 mil foliões - quase quatro vezes mais pessoas do que o número de habitantes do município. Isso rendeu a prefeitura uma arrecadação de cerca de R$ 22 mil só com ingressos e o aluguel de estandes, mas o dinheiro que girou no comércio, serviços e em hotelaria e aluguel de casas foi muito mais, sem contar o impacto em cada família que conta com essa renda.

O taxista Rogério Monero, 50 anos, comenta que o período de festas faz com que o rendimento com o táxi aumente de forma significativa. Ele também contava com o aluguel de uma casa na temporada para complementar o salário.

- Aumenta muito o movimento, principalmente durante as noites. A cidade inteira muda, todo mundo se beneficia com a festa. Só que esse ano não vamos ter, vamos precisar adaptar - relata Monero.

Como a cidade reúne foliões de diversas partes do Estado, até Santa Maria acaba sentindo o impacto, já que é tradicional a saída de excursões em direção a Jaguari. De acordo com Janete Lourenço, sócia-proprietária da J&R Viagens e Turismo, depois de um ano difícil para o setor, o Carnaval seria uma esperança:

- No ano passado, durante o Carnaval, chegou a faltar transporte porque a demanda era muito grande. Durante a pandemia, estamos passando por um momento bem difícil e quem não tem outro emprego, não sobrevive - comenta a empresária.

SEM CARNAVAL EM 91 ANOS
A cidade de Lavras do Sul, com cerca de de 7,8 mil habitantes, também conta com um dos carnavais mais expressivos da região. De acordo com Fernanda Carvalho, secretária substituta da Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Cultura e Esporte, os blocos fazem girar nesta época no município cerca de R$ 200 mil, além de cerca de R$ 10 mil em camping - dinheiro que não virá por meio da folia neste ano.

- Quem não está envolvido diretamente, está indiretamente, de alguma forma. O movimento aumenta no comércio, na demanda das costureiras, maquiadoras, a rede de hotelaria, casas que são alugadas por temporadas, camping e restaurantes, por exemplo. Também se cria muitos postos temporários de emprego. Tudo na cidade será impactado - explica Fernanda.

Para além da economia, tem também o sentimento de não poder celebrar os 91 anos do bloco de salão mais antigo do Brasil, que é o Relaxados. Segundo o atual presidente do grupo, Paulo Sérgio Corrêa, nem mesmo durante à Segunda Guerra Mundial foi deixado de realizar o Carnaval:

- Nós fizemos 90 anos ininterruptos de Carnaval, e esse seria o 91º. Nossa programação é tradicional e esperada por toda a cidade, mas neste ano não poderá acontecer - diz Corrêa.

Para celebrar mais um aniversário, Grupo dos Relaxados programa uma live no sábado, 13, por meio do Facebook. No evento online será realizada a programação da Rádio Mogango, que apresenta uma sátira dos acontecimentos do ano. O grupo também produziu camisetas para seus mais de 1,2 mil integrantes.

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FORA DE ÉPOCA
Servidor há duas décadas e meia na Coordenadoria de Cultura, Turismo, Artes e Eventos de Cruz Alta, Vladimir Colombelli, 50 anos, é testemunha do quanto a cultura carnavalesca é importante para o município. Ele conta que, depois que a tradicional festa passou a ser realizada no parque de exposições, o evento ganhou ainda mais corpo e, anualmente, costumava reunir de 15 a 25 mil pessoas durante três noites - uma de ensaio e outras duas de desfile.

Foto: divulgação
Último Carnaval realizado em Cruz Alta, em 2019

O Carnaval era organizado pela Liga das Escolas de Samba de Cruz Alta (Lesca), contratada pela prefeitura através de um termo de fomento. De acordo com Colombelli, R$ 250 mil eram repassados para a liga, que distribuía o valor de forma igualitária entre as quatro agremiações da cidade e pagava os serviços terceirizados de infraestrutura para a festa. Ele esclarece que, depois de realizado o evento, a Lesta presta contas sobre os recursos utilizados.

- O carnaval movimenta muito dinheiro. Em três meses, no início do ano, pessoas são contratadas para trabalhar nos barracões, como artistas e microempresários que vendem seus produtos - comenta o servidor administrativo da coordenadoria.

As quatro escolas de samba são a Unidos do Beco, Unidos de São José, Imperatriz da Zona Norte e Gaviões da Ferrô. O carnaval de Cruz Alta é fora de época, isto, é não ocorre em fevereiro. Ele acontece, inclusive, depois de outro carnaval de Uruguaiana, e, historicamente, sempre é realizado depois de 15 de março.

- Em uma época, Cruz Alta chegou a ter sete escolas de samba. Atualmente, ficou somente com essas quatro grandes agremiações, que colocam, em média, 800 pessoas para desfilar cada uma, para você ter uma ideia do quanto o carnaval é forte aqui. Além disso, ainda tem muitos blocos nos clubes sociais - conta Colombelli.

Em 18 de março, a prefeitura deve anunciar, oficialmente, o cancelamento do Carnaval em mais um ano, em função da Covid-19. Na mesma oportunidade, também serão apresentadas as primeiras informações sobre o Carnaval de 2022, que, se a pandemia permitir, terá grandes proporções.

EM TUPANCIRETÃ, PREFEITO USARÁ VERBA DO CARNAVAL PARA COMPRAR IVERMECTINA
Assim como em todas as demais cidades gaúchas, Tupanciretã não terá festa de Carnaval neste ano, nem o desfile na avenida principal, nem o baile municipal, no ginásio de esportes. Contudo, o prefeito Gustavo Terra (Progressistas), já sabe até onde utilizará os recursos que, antes, eram investidos na folia. Segundo ele, a verba que costumeiramente era destinada para a organização da festa será utilizada para a compra de testes rápidos para a Covid-19 e, também, a ivermectina.

Conforme Terra, o remédio já é colocado à disposição da população na Secretaria Municipal de Saúde. O político pretende aumentar o estoque.

- As pessoas pegam por livre e espontânea vontade, já que uns recomendam em outro não, por questão ideológica. Já tenho investido nisso. Acredito que a ivermerctina pode ajudar no combate ao coronavírus - afirma o prefeito.

Na quinta-feira, a empresa farmacêutica Merck, fabricante da ivermectina, divulgou um comunicado informando de que não há dados disponíveis que sustentem a eficácia do vermífugo contra a Covid-19.

Apesar de reconhecer a importância econômica das festas do período, Terra diz que, antes de pensar na volta dos eventos sociais, irá tentar resolver eventuais problemas que podem ser gerados pela volta às aulas no modelo híbrido.

EMPRESÁRIO DA QUARTA COLÔNIA ESPERA PELA LIBERAÇÃO
O empresário Betinho Bozzetto, sócio-proprietário do Kasarão Arena e Kasarão Beats, foi um dos organizadores do último Carnaval da Quarta Colônico, que reuniu cerca de 4 mil pessoas em quatro noites de festa em Faxinal do Soturno e Nova Palma, com artistas como Sandro e Cícero e Raquel Tombesi. 

Foto: divulgação
Carnaval da Quarta Colônia, no Kasarão Arena, em Faxinal do Soturno, em 2019

Ela lamenta a impossibilidade de realizar a folia neste ano, mas admite que a proibição é importante por conta do avanço da pandemia.

- O Carnaval é uma festa tradicional em todo o Brasil e, há muitos anos, é um dos principais eventos para nós, aqui na Quarta Colônia de Imigração Italiana. Não tê-lo é uma perda bastante considerável, mas a gente entende o porquê - diz Bozzetto.

Apesar de não poder fazer eventos há quase um ano, o empresário garante que não pensa em vender o Kasarão Arena, nem o Kasarão Beats. Ele conta que tem outras fontes de renda, mas está na expectativa pela liberação das festas.

*Colaborou Rafael Favero


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