na quarta colônia

VÍDEO+FOTOS: Fundação Ângelo Bozzetto atende mais de 350 crianças em projetos sociais

Quatro cidades da região recebem as atividades gratuitas como balé, caratê e práticas circenses

da redação*
Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)

Um projeto criado em 2008 tem incentivado mais de 350 crianças da Quarta Colônia a participarem de atividades culturais e esportivas gratuitas no turno inverso às aulas. Idealizado por uma empresária local, a Fundação Ângelo Bozzetto promove aulas de balé, técnica circense, caratê, jazz, capoeira, percussão e dança afro para crianças e adolescentes a partir de 4 anos.


A Fundação foi criada para preservar a memória de Ângelo Bozzetto, que, no início do século 20, idealizou fábrica de trilhadeiras Tigre e a Nova Palma Energia, que é mantenedora do projeto social. Quem está à frente da Fundação é a presidente da Nova Palma Energia, Mariza Bozzetto.

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- Em 2007, quando assumi a concessionária de energia, tinha em mente fazer algo que pudesse ter impacto direto na sociedade e valorizasse o homem pioneiro que foi o Ângelo. Então, começamos a desenvolver alguns projetos com a Lei de Incentivo à Cultura - destaca Mariza.

Além da Lei de Incentivo à Cultura, a Fundação se mantém com um repasse mensal de R$ 10 mil da Nova Palma Energia, de convênios com prefeituras e doações de outras empresas e entidades. Hoje, as atividades são realizadas em quatro cidades, e as crianças têm acesso gratuito às atividades e aos materiais das aulas (roupas, sapatos, maquiagem, entre outros).  

- Eu acredito no investimento social, em um mundo melhor. A arte, o esporte moldam a personalidade das crianças. É importante darmos um retorno para a sociedade. Como diz o nosso lema, transformando sonhos em energia social - afirma Mariza (foto ao lado). 

Considerada um dos talentos promissores do projeto, a aluna de técnica circense Elane Vitória de Mello, 13 anos, está há oito na Fundação. Ela, que começou no balé, hoje encanta ao fazer manobras no trapézio na sala onde 90 anos atrás era ficava caldeira de fundição da fábrica.

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- Aqui é a minha segunda casa. Os melhores dias da minha semana são quando eu venho aqui treinar. Eu me divirto, faço amigos e aprendo muito. Quero seguir me aperfeiçoando e poder me apresentar fazendo o que eu amo para muitas pessoas - conta Elane.

A sede da Fundação fica em Faxinal do Soturno (Avenida Vicente Pigatto, 1.049), no antigo prédio onde funcionava a fábrica de trilhadeiras de Ângelo Bozzeto. Lá, há uma funcionária fixa e outros colaboradores que são contratados em épocas de eventos, além de diversos voluntários.

COMO PARTICIPAR
Saiba como fazer parte das atividades culturais: 

  • Pré-requisitos - aceitam crianças a partir de 4 anos, jovens e adolescentes. É preciso estar matriculado na escola
  • Custo - gratuito
  • Contato - (55) 5363-3800 ou pelo Facebook 

OS NÚCLEOS
Conheça os principais projetos em andamento em cada cidade:

  • Faxinal do Soturno: balé, tarantela, técnica circense e caratê _ 120 crianças 
  • Silveira Martins: técnica circense e jazz _ 90 crianças
  • Nova Palma: capoeira e técnica circense _ 110 crianças
  • Restinga Sêca (localidade quilombola São Miguel): oficinas de percussão e dança afro _ 35 crianças

PROJETOS ANUAIS
A Fundação realiza eventos em parceria com as prefeituras 

  • Feira do Livro em Faxinal do Soturno _ instituída em 2011, a Feira acontece durante a Exposição Feira Agroindustrial e Comercial de Faxinal do Soturno (ExpoFax). Foi idealizada para disseminar o hábito da leitura entre os alunos. Além de encontros entre autores e leitores, oferece espetáculos teatrais, sessões de autógrafos e apresentações de dança com alunos assistidos pela Fundação
  • Natal Iluminado da Quarta Colônia _ desde 2005, o evento integra o calendário cultural turístico da região no final de ano. Combina dança, teatro, técnicas circenses e desfile de carros alegóricos em clima de magia. É uma oportunidade para mostrar o talento dos alunos e professores que participam dos projetos sociais da Fundação

DANÇA COMO MOVIMENTO DE EXPRESSÃO

- Meu sonho é ser bailarina.

A frase é da menina Maria Júlia de Lima Mariotto, de 8 anos, mas poderia ser de qualquer uma das cerca de 88 crianças atendidas pelo projeto Expressando Arte da Fundação Ângelo Bozzetto. Em uma sala espelhada na sede da fundação, em Faxinal do Soturno, duas vezes por semana elas calçam as sapatilhas e, de coque no cabelo e sorriso no rosto, fazem muito mais do que apenas dançar balé.

- Aqui as crianças ampliam a visão de que viver na comunidade não é só aquele mundinho. Que eles tenham a oportunidade de fazer algo fora, de crescer e conhecer outros lugares. Com o balé isso é bem possível - afirmou a professora Marília Guimarães Mello, responsável pelas aulas.


Foto: Renan Mattos (Diário)

Maria Júlia, que tem o sonho de ser bailarina, conquistou no ano passado dois importantes prêmios regionais: o 1º lugar no Viva Dança Quarta Colônia e a 2ª posição no Santa Maria em Dança na categoria individual infantil livre, com a coreografia "Baú do Sonhos". Além desses, na estante localizada na sala de dança, é possível contar mais de 20 prêmios conquistados pelo grupo.

- Nosso objetivo principal é ofertar cultura às crianças. Que elas tenham uma atividade para se ocupar quando não estão em aula. E, com isso, claro, queremos fazer elas se apaixonarem pelo balé. Esse ano, uma aluna nossa entrou no curso de Dança da UFSM. Isso nos inspira a continuar. Temos tantas meninas aqui que sonham em ser bailarinas, espero que elas continuem cultivando esse sonho e consigam alcançá-lo - destaca Marília.

E brilho no olhar de uma criança é sinônimo de esperança para os pais. Mãe de Matsya, de 6 anos, a professora Alexandra Marchesan traz a filha e uma sobrinha duas vezes por semana de Nova Palma para os ensaios. Ela vê no balé muito mais do que uma maneira de manter a filha ocupados, em movimento, fazendo uma atividade física.

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- É incrível a oportunidade que essas crianças têm. A Matsya se desenvolveu muito no período que esteve aqui. Ela era muito tímida, agora se solta mais. Na época em que eu era criança, não tinha essas oportunidades. Fico realizada com a felicidade dela em dançar - relata a mãe.

Além do balé, em Faxinal do Soturno, as crianças podem participar de aulas de tarantela, que é uma dança tipicamente italiana. Conforme Marília, hoje, 16 alunas participam do grupo.

O ESPORTE NA FORMAÇÃO DO CARÁTER
Criado em 2017, o projeto de caratê surgiu para suprir a demanda da ausência de projetos esportivos na Fundação. Conforme o professor Leonardo Mariano da Rocha, responsável pelas aulas, em seu terceiro ano de atividade, os atletas já acumulam diversas premiações regionais e estaduais. Só em 2019 já foram cerca de 10 medalhas.

- A gente percebe uma melhora significativa no aspecto da disciplina das crianças. O caratê ajuda a moldar o caráter social dos alunos. Eles tiveram um crescimento tanto pessoal como esportivamente, já que tivemos um número expressivo de medalhas em competições - destaca o professor.


Foto: Renan Mattos (Diário)

Fluente em japonês, Leonardo teve a oportunidade de acompanhar a delegação brasileira de caratê como intérprete em curso no Japão, no ano de 2017. Ele explica que, com a experiência, pode aumentar os contatos com os esportistas. Exemplo disso é que, nesta terça-feira, a carateca Saori Okamoto, campeã mundial JKS, estará em Faxinal do Soturno. A atleta participará de um evento no Ginásio Municipal da cidade, a partir das 18h.

A japonesa está em tour pelo Brasil para participar de seminários, e a Quarta Colônia foi escolhida como um dos destinos, por conta do projeto social de caratê realizado pela Fundação Ângelo Bozzetto.

O evento é destinado ao aperfeiçoamento de atletas que já praticam a modalidade. Conforme a organização, são esperadas cerca de 50 inscrições. O valor do ingresso varia de R$ 50 a R$ 150. Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp: (55) 99121-8119.

QUEM FOI ÂNGELO BOZZETTO
As famílias dos imigrantes chegaram à região da Quarta Colônia de Imigração Italiana por volta de 1885. Em suas pequenas colônias, produziam alimentos para consumo doméstico. Ângelo Lion Bozzetto, nascido no Brasil em 1894, era um desses pequenos agricultores descendentes de imigrantes.

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Bozzetto percebeu a necessidade de melhorar as condições para que passassem da agricultura de subsistência, para a utilização de mecanismos de produção em escala. Ele decidiu investir na mecanização para dinamizar a principal atividade econômica da região. E, em sociedade com amigos, adquiriu uma espécie de trilhadeira para arroz. Tentando melhorá-la, ele tanto mexe com a precária sucata importada, que descobriu sua vocação para mecânica.

Em 1921, montando uma oficina caseira, ele próprio acaba criando novas peças e transformando a máquina numa trilhadeira, tanto para arroz como para outros cereais. Para atender a demanda, em 1930, Bozzetto, com auxílio de empréstimos, construiu dois grandes pavilhões onde instalou nova fábrica - que, hoje, servem de sede para a Fundação que leva o seu nome. Deu à fábrica o nome de Indústria Brasileira de Máquinas Agrícolas Tigre Ltda.


Foto: Renan Mattos (Diário)

De pequena indústria, dominou o mercado gaúcho e, do interior do RS, passou a exportar para outros Estados e até países, como Uruguai e Argentina. À medida que aperfeiçoava suas máquinas, Bozzetto também tratava da geração de energia para o crescimento da indústria e a fabricação de peças. No início, os motores a diesel é que moviam a fábrica. Mas o aumento de produção exigia que fossem substituídos. Então, aproveitando os recursos hídricos disponíveis, tratou de construir sua primeira pequena usina geradora de energia elétrica para que tivesse condições de produzir mais a um custo menor e, assim, atender a surpreendente procura pelo mecanismo agrícola que fazia sucesso entre os lavoreiros.

Hoje, a Nova Palma Energia Ltda, criada por ele, oferece energia para vários municípios da região.

Apesar de empresas estrangeiras terem demonstrado interesse em associar-se à sua marca, a Tigre não entrou na lógica dinâmica do mercado e, aos poucos, foi perdendo espaço para sofisticados equipamentos agrícolas importados.

*Colaborou Janaína Wille

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