crise na saúde

Por atrasos salarias, funcionários do Hospital de Cacequi entram em greve

Entre os serviços afetados está o de saúde mental, que atende dependentes químicos

Jose Mauro Batista

Foto: Divulgação
Funcionários do Hospital de Cacequi realizaram duas paralisações, uma no final do ano passado e outra no início deste ano, mas nada foi resolvido, segundo eles

Os funcionários do Hospital de Cacequi estão, novamente, em estado de greve desde esta segunda-feira por conta de atrasos salariais e promessas não cumpridas referentes a negociações realizadas durante as duas paralisações anteriores, uma em novembro e dezembro do ano passado e outra em janeiro deste ano. Entre os serviços que poderão ser afetados está o atendimento em saúde mental e dependência química, que é referência para 31 municípios.

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Em 1º de agosto, o Instituto de Saúde e Educação Vida (Isev), de Porto Alegre,que administrou a instituição hospitalar até maio, foi substituído oficialmente em agosto pela Associação Santo Onofre, de José Bonifácio (SP). As dívidas, no entanto, continuaram. O problema é que a Santo Onofre diz que se responsabiliza pelos valores devidos a partir de agosto. A dívida anterior seria do Isev. Enquanto isso, os trabalhadores alegam enfrentar problemas com corte de água e luz e até ordem de despejo por atraso de aluguel.

- Não recebemos nada dos atrasados, nenhuma promessa foi cumprida. Eles colocaram em dia por dois meses e começaram a atrasar de novo. Sempre alegam que não tem dinheiro -reclama uma servidora, que pediu que seu nome não fosse divulgado por medo de represália.

O Sindicato da Saúde Santiago e Região (Sindisaúde) afirma que já são três anos de insegurança, com atrasos de salários. Os meses de julho e agosto deste ano não foram pagos e ainda há débitos referentes a 2017, que incluem 13º e restos salariais. Os trabalhadores chegaram a parcelar parte da dívida em oito vezes, mas o Isev só pagou duas antes de deixar a gestão do hospital.

- Os atrasos já vêm ocorrendo há bastante tempo. O hospital alega que não tem dinheiro para pagar, mas a situação está insustentável. Acredito que cada funcionário tem de R$ 10 mil a R$ 15 mil para receber, isso sem entrar na Justiça -diz a presidente do Sindisaúde de Santiago e Região, Margarete Resimini.

A direção do hospital reconhece parte das dívidas, inclusive o saldo de junho e as folhas integrais de julho e agosto, que pretende saldar até sexta-feira. Porém, a administradora da instituição, Vanessa Fragoso, diz que o governo do Estado deve em torno de R$ 1,3 milhão por serviços prestados. Além disso, Vanessa alega que o Isev tinha contratos que não cobriam sequer os custos. A prefeitura repassava um montante de R$ 70 mil por mês para manter o Pronto-Socorro, mas como o hospital está sem contrato, depende de documentos para receber os repasses.

- A antiga empresa tinha contratos que eram inviáveis. Havia, por exemplo, serviços que custavam R$ 70 e o Estado pagava R$ 8. Estávamos pagando para trabalhador - diz a gestora, que é enfermeira e funcionária do hospital e também estaria com o salário atrasado.

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O Hospital de Cacequi tem 40 funcionários e seis médicos. A instituição tem um Pronto-Socorro 24 Horas, uma clínica médica com 20 leitos e uma unidade de saúde mental com 10 leitos, totalizando 30 leitos, e atende uma média de 700 pacientes por mês, conforme a direção. Além disso, realiza exames de raio-x, eletrocardiograma e ultrassonografia. O prédio do hospital pertence ao Isev e é alugado à Associação Santo Onofre, segundo Vanessa.

O Diário entrou em contato com o Isev em Porto Alegre. Ao saber do que se tratava a reportagem, a atendente pediu para o repórter aguardar uns instantes. Ao retornar, disse para ligar amanhã (terça-feira). A atendente disse não ter autorização para fornecer telefone dos responsáveis e nem para ligar para eles para passar o número do Diário.

A DÍVIDA DO HOSPITAL

  • 4 parcelas dos salários em atraso de 2017 e 2018 
  • 50% não pagos de dezembro de 2018 
  • 13º de 2018 
  • Salários de janeiro, julho e agosto de 2019 
  • Saldo de junho de 2019 


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