distanciamento controlado

Bandeira vermelha mobiliza empresários e prefeitos na Região Central

Restaurantes da Quarta Colônia estudam formas para continuar operando e prefeitos questionam critérios da mudança da classificação

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)
Em Silveira Martins, uma das principais cidades do turismo gastronômico da Quarta Colônia, restaurantes estudam adaptação

Foto: Renan Mattos (Diário)
Em Silveira Martins, uma das principais cidades do turismo gastronômico da Quarta Colônia, restaurantes estudam adaptação

ATUALIZADA: matéria atualizada em 15 de junho de 2020, às 14h34min

A mudança da classificação da bandeira, de laranja para vermelha, na região de Santa Maria, conforme o modelo de distanciamento controlado do governo do Estado, gerou preocupação em gestores e empresários da região. Na Quarta Colônia, estabelecimentos conhecidos por fazer girar o turismo gastronômico ainda receberam o público no domingo, dentro das regras da bandeira laranja. 

A partir desta segunda, apenas restaurantes a la carte, com prato feito e bufê sem autosserviço poderão operar com 50% de trabalhadores e fechados ao público. Para isso, poderão adotar sistemas de tele-entrega, pegue e leve, e drive-thru. Celito Dalmolin, proprietário do restaurante La Sorella, em Silveira Martins, disse que desconhecia as regras que passam a vigorar na segunda-feira e que iria avaliar as adaptações necessárias. O estabelecimento fechou no início da pandemia e reabriu em 10 de maio com a opção de delivery. 

- Estamos trabalhando com menos da metade da capacidade de lotação e adotamos algumas adaptações como o modelo de servir nas mesas. Temos preocupação, pois pode ser que se torne inviável manter o negócio. É algo que a gente coloca a vida. São 28 anos dedicados ao restaurante. Também temos preocupação com a saúde dos nossos colaboradores e com a manutenção deles aqui, pois dependem financeiramente da gente - desabafou o empresário. 

Na tarde de segunda-feira, o restaurante publicou uma nota em sua página no Facebook informando sobre o funcionamento do estabalecimento nos próximos dias:

  • "O Ristorante La Sorella informa a seus clientes e colaboradores que suspende temporariamente a abertura do estabelecimento para refeições no local a partir desta segunda-feira (15). O restaurante permanece com o atendimento apenas na modalidade de delivery e para retirada no local. A medida cumpre determinação do Governo do RS sobre as restrições no funcionamento de bares e restaurantes, devido à mudança da bandeira de laranja para vermelha na região de Santa Maria."

Fabrício Aita Ivo, administrador do Restaurante Val de Buia, também em Silveira Martins, informou que nos próximos sábados e domingos o restaurante deve trabalhar com o sistema de pegue e leve, mediante encomendas por telefone e WhatsApp. 

- Respeitamos a decisão das autoridades competentes e vamos cumprir as determinações no nosso estabelecimento. Este tipo de decisão não cabe a nós comentar, temos apenas que cumpri-las - disse Fabrício. 

Entidades empresariais buscam reversão da troca de bandeira em Santa Maria

Cleber Cassel, sócio proprietário do Produtos Coloniais da Terra, que fica às margens da RSC-287, em Agudo, disse que aguarda determinação do prefeito sobre as implicações da modificação da bandeira pelo Estado. A empresa tem loja, lancheria e restaurante. Depois da pandemia, o restaurante, que servia café colonial está trabalhando apenas com almoço e com 50% da equipe. 

- Não temos como oferecer os modelos de pegue leve, tele-entrega ou delivery porque nossos clientes estão em trânsito. Se for assim, teremos que fechar. Ainda paira a dúvida porque nos primeiros decretos os estabelecimentos de beira de estrada eram considerados essenciais, então talvez tenha alguma regra específica. Acho que a medida é exagerada. Temos 3 casos de coronavírus para cada 100 mil habitantes no Estado. Aqui no Hospital de Agudo tinha uma média de internação de 30 pacientes e hoje tem três pessoas internadas -  opina. 

ADEQUAÇÃO 
O prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves (PL), admitiu que recebeu com surpresa a notícia sobre a nova classificação. No final da tarde de domingo, os prefeitos de 13 municípios da Associação dos Municípios da Fronteira Oeste (Amfro), incluindo São Gabriel, participariam de uma vídeoconferência para discutir as novas determinações. Os municípios da fronteira Oeste optaram por manter as regras da bandeira laranja até ter uma resposta do governo do Estado. 

- Não imaginávamos tamanha mudança diante do pequeno crescimento de óbitos e casos. Discordamos de alguns critérios de adoção dessa classificação e vamos contestá-los. Já estamos conversando com o deputado Estadual Frederico Antunes, líder do governo na Assembleia Legislativa, para que nos ajude a reverter essa situação. Se estivéssemos com a bandeira laranja, ainda seria possível ser mais restritivo, mas com a bandeira vermelha não temos espaço para adaptar à nossa realidade - reclamou Rossano. 

Já o prefeito de Júlio de Castilhos, João Vestena (PSL), disse que aguardar a publicação do decreto estadual para aplicar as regras necessárias na cidade. Segundo ele, os prefeitos que integram a Associação dos Municípios da Região Centro do Estado (AMCentro) já haviam conversado na manhã de ontem e havia reclamações por conta da restrição em toda a região. 

- Tem municípios que não têm nenhum caso da doença e que também estão nesse situação. Júlio de Castilhos foi um dos primeiros municípios da região a determinar o uso obrigatório de máscaras. Também temos toque de recolher, que está surtindo bastante efeito. Temos visto aglomerações em mercados e bancos, por conta do auxílio emergencial, o que por regra deve seguir abrindo, mas vamos seguir o que consta em cumprimento às regras da bandeira vermelha - declarou Vestena. 

O prefeito de Agudo, Valério Vili Trebien (MDB), também espera uma movimentação dos prefeitos da AMCentro para reverter o quadro: 

- A notícia nos traz certa indignação. Não somos crianças e não podemos ficar nessa brincadeira de bandeirinhas e numa semana abrir e na outra fechar comércio. Tem pessoas sendo demitidas. O governador precisa deixar que os prefeitos tomem suas decisões para evitar que a economia afunde. É claro que vamos preservar a saúde dos nossos cidadãos, mas não podemos matar o comércio da região - protestou Trebien. 

Estado chega a marca de 350 mortes por Covid-19

QUAIS CIDADES FAZEM PARTE DA REGIÃO 

Desde que o modelo de distanciamento controlado entrou em vigor no Rio Grande do Sul, o Estado passou a ser dividido em 20 regiões Covid. A região de Santa Maria engloba, além dela mesma, outras 39 cidades:

  • Agudo
  • Cacequi
  • Capão do Cipó
  • Dilermando de Aguiar
  • Dona Francisca
  • Faxinal do Soturno
  • Formigueiro
  • Itaara
  • Itacurubi
  • Ivorá
  • Jaguari
  • Jari
  • Júlio de Castilhos
  • Mata
  • Nova Esperança do Sul
  • Nova Palma
  • Paraíso do Sul
  • Pinhal Grande
  • Quevedos
  • Restinga Sêca
  • Santiago
  • São Francisco de Assis
  • São João do Polêsine
  • São Martinho da Serra
  • São Pedro do Sul
  • São Sepé
  • São Vicente do Sul
  • Silveira Martins
  • Toropi
  • Unistalda
  • Vila Nova do Sul

Na macrorregião Centro-Oeste, Santa Maria também engloba Uruguaiana, das quais fazem parte as cidades de Alegrete , Barra do Quaraí, Itaqui, Maçambara, Manoel Viana, Quaraí, Rosário do Sul, Santa Margarida do Sul, Santana do Livramento, São Gabriel e Uruguaiana. 

Diferente do permitido nas bandeiras amarelas e laranjas, os prefeitos das regiões com situação de bandeira vermelha não poderão aplicar regras mais brandas que as estipuladas pelo Estado. 

*Colaborou Gabriele Bordin


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