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Profissionais e gestores falam de impactos da pandemia na educação e no mercado de trabalho

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Nem todas as consequências da pandemia do coronavírus serão negativas. Muitos profissionais aproveitaram a pandemia para se aperfeiçoar e mergulhar no mundo digital, único recurso que possível em meio às medidas de isolamento. Em reportagem especial, o Diário traz um levantamento das áreas que sofrerão o impacto da atual crise, na avaliação de quem vive o período de transformações e de especialistas. No mercado de trabalho e na educação, embora haja prejuízos, profissionais e gestores falam também de avanços.

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Em questão de dias, as equipes de TI das empresas trabalharam mais do que nunca para garantir o trabalho remoto de boa parte dos colaboradores diante dos decretos de fechamento de instituições. Os profissionais autônomos, como a especialista em organização pessoal e gestão do tempo Mirele Nepomuceno, tiveram de encontrar um meio de monetizar produtos e serviços pela internet.  

Formada em Fonoaudiologia, com pós-graduação em Psicopedagogia, de 2017 até o ano passado, Mirele fazia workshops e consultorias presenciais sobe organização pessoal e gestão do tempo para mulheres. Na mentoria, o processo dura cerca de dois meses, que envolve uma mudança de mentalidade e execução prática. Já a consultoria é um encontro para resolver um problema pontual, ou para traçar uma estratégia de organização da rotina das clientes. 

Já havia uma ideia de passar os serviços para a modalidade digital e a pandemia fez com que Mirele desengavetasse a o projeto. Em março, ela chegou a gravar um curso online pensando na migração. A finalização teve que parar por conta da pandemia: 

- Não tinha, ainda, a intenção de fazer consultoria e mentoria de forma online. Comecei a gravar o curso online e veio a pandemia. Tive que repensar tudo. Ia acabar não trabalhando, porque preciso da interação com pessoas. A ideia inicial era de fazer só o curso, mas acabei migrando tudo - conta. 

Para concretizar o projeto, Mirele investiu em luzes, tripé e aumentou a velocidade da internet em casa. Ela e o marido, o militar e especialista em gestão energética, Eduardo Nepomuceno, 39 anos, já haviam trocado o provedor da internet já que ele também já trabalhava de forma remota. 

DESAFIOS 
Como na educação, no mundo corporativo, os profissionais estão tendo que mergulhar em um mundo novo e os desafios são muitos. Conforme Mirele, a imersão no universo digital em quatro meses exige muito estudo e dedicação: 

- Meus primeiros clientes em mentoria foram clientes beta, pois a ideia é sempre melhorar. O curso online que eu terminaria em março, por exemplo, vai ganhar mais conteúdo, porque a gente vai estudando e melhorando. O brasil está começando a surfar nessa onda e eu me incluo nisso. Existem cursos excelentes online, a diferença é a disciplina do aluno de realmente fazer e se aplicar. 

A migração para a web é algo que vai permanecer, segundo Mirele. Entre as vantagens está a proximidade com as filhas Lara, 11 anos, e Anie, 7, e a possibilidade de expandir a clientela.

- Assim alcanço mais pessoas em menos tempo. Tenho como propósito ajudar mulheres para uma vida mais leve, organizada e produtiva, livre da culpa. Quanto mais mulheres eu conseguir ajudar, melhor - prospecta.

EDUCAÇÃO
A pandemia acelerou o futuro. É assim que a diretora da UNISM, mantenedora da Universidade Estácio EaD, pólos de Santa Maria, Cruz Alta e Porto Alegre, Nara Suzana Stainr, enxerga o momento. E não é por acaso. O que se vê nas instituições de ensino tradicionais é uma corrida para dominar a tecnologia a favor da educação já que as aulas presenciais mal começaram em 2020.

A instituição em que Nara trabalha há 5 anos, adotou um outro termo para Educação à Distância, o famigerado EAD. Na visão da Estácio, o que melhor define a modalidade que usam para ensinar, na área há 50 anos, é "educação digital". É neste lugar que, na opinião da gestora, o modelo tradicional de ensino tenta chegar, mas com muitos obstáculos:  

Essa interdição do espaço físico educacional levou professores e gestores a reproduzir o que já acontece dentro da educação digital. Uma educação à distância de boa qualidade não se faz em quatro meses. As instituições presenciais tiveram que se adaptar num curto espaço de tempo. Não é possível uma emulação de processos praticados no presencial se tornar em quatro meses online, mesmo com todo o empenhado dos profissionais - avalia.  

Com experiência nos dois mundos - Nara deu aulas presenciais no ensino superior por 12 anos em instituições de ensino da cidade -, a diretora lembra que quem opta pela educação digital se depara com um mundo novo, além da adaptação à tecnologia, os alunos precisam exercitar a auto-organização para dar conta das tarefas, enquanto os professores necessitam de preparo. A simples transmissão do conteúdo que era feito para o ensino físico através das telas não configura um modelo EAD. De acordo com Nara, planejar, ensinar, avaliar e a metodologia são diferentes se pensados para os meios digitais.   

- Começa pela capacitação prévia do corpo docente, e na rede tradicional este não estava preparado. Na (rede) privada ainda vimos, mas na pública não. As aulas remotas hoje praticadas não são EAD, já existem pesquisas apontando isso. O sistema educacional está exposto e vulnerável. É uma situação é muito complexa e desafiadora que as instituições vão ter que rever, porque essa mudança veio para ficar - resume.  

A necessidade da adaptação se traduz no aumento de matrículas nos cursos EAD. Antecipando algo que, para a gestora, é uma tendência, alunos de diversos cursos estão buscando um modelo de ensino já pronto para não perder conteúdo.   

Como o período de captação - a janela de matrículas na instituição EAD - só termina no final de agosto, ainda não foi possível contabilizar os números absolutos, mas, segundo Nara, apesar da inadimplência, num mundo onde a otimização do tempo é cada vez mais desejada, os alunos querem as vantagens da EAD: a flexibilização do tempo e a acessibilidade.  

ENSINO PÚBLICO
A secretária municipal de Educação Lúcia Madruga, diz que a rede municipal está "se aproximando" das tecnologias e que a tendência é que os aprendizados impostos pela pandemia sejam úteis para ensino público no "novo normal". Um dos legados da apropriação do ambiente virtual, segundo a secretária, é a facilidade de reunir professores para atividades de formação e a possibilidade do trabalho colaborativo:  

- Se eu tenho uma habilidade para desenvolver determinado conteúdo e fazer uma vídeo aula, por exemplo, em vez de fazer isso somente para o meu espaço de sala de aula, posso compartilhar num repositório para que todos possam usar. Essa conduta também vai inserir os profissionais que fazem parte dos grupos de risco, que terão restrições, num contexto de trabalho em que podem estar produzindo algo para outras turmas - exemplifica. 


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