colunistas do impresso

Pesadelo sem fim

O pesadelo assombra. Ceifa vidas. Destrói sonhos. Cada dia é pior. Cresce o número de mortos. Crescem as perdas e a dor

Há um ano vivemos a maior crise sanitária dos últimos tempos. O tempo passou e a compreensão sobre a doença, as condutas para o enfrentamento e para redução da transmissibilidade diminuem na relação inversa à gravidade.

O Brasil dormiu no ponto. O governo que somente semeou divergências, divisão, negação relativizou a doença fazendo pouco caso da ciência e das medidas de proteção. O governo governa de costas para a população e para a pandemia. O terreno se tornou fértil para a contestação, para a descrença e para o menosprezo à vida.

O pesadelo assombra. Ceifa vidas. Destrói sonhos. Cada dia é pior. Cresce o número de mortos. Crescem as perdas e a dor. Mortes, cujo sofrimento é tanto dos que sucumbem quanto dos familiares que acompanham a crescente espera por atendimento. O sistema de saúde é finito. A ampliação é finita. O número de médicos capacitados é finito. Não basta antecipar formaturas. Profissionais inexperientes não dão as respostas que o momento exige. Somente a virulência é infinita, sobretudo com vacinas à conta-gotas.

Desde o primeiro dia do reconhecimento da pandemia pela OMS, a recomendação dos especialistas é praticamente unânime - a circulação de pessoas é determinante para a circulação do vírus. Quanto mais pessoas se movimentando, mais o vírus circula e aumenta a transmissão. O descontrole leva ao surgimento de variantes.

O vírus deseja exatamente isso - movimentação, aglomeração. Aos que necessitam se deslocar a recomendação é o uso correto de máscaras (não é no queixo, no bolso, na testa) e a higienização frequente das mãos. O restante do tempo, é ficar em casa.

No pesadelo vivido em que não há um plano nacional de enfrentamento e de apoio aos que não podem parar, a gravidade da doença e as mortes apertam o cerco. A sensação é de que a ameaça está cada vez mais perto. Mesmo assim, somam-se a esta desordem, os defensores do abre tudo. Aumentam as reinvindicações de essencialidade.

Os defensores antivida se negam reconhecer o colapso dos hospitais, a velocidade de vacinação como a única forma de acordarmos deste pesadelo sem fim e que o afrouxamento das restrições é o responsável pelo aumento do número de casos e pelo descontrole da situação atual. Façam carreatas para exigir que o governo se vire de frente para o povo, enfrente com ciência a doença, compre e acelere a aplicação de vacinas. Façam carreatas para que o governo não jogue no time do vírus. Façam carreatas pela vida. A cada morte, cerca de três mil por dia, nossa esperança morre um pouco. Olhamos para o horizonte e a nuvem carregada se torna mais densa e ameaçadora. Até quando teremos força para resistir? O Brasil e os brasileiros se tornaram bombas biológicas que ameaçam o mundo. Qual é o limite para declarar a situação descontrolada? O número de mortes? 300 mil vidas ainda não são suficientes? Aos antivida, os números só valem quando contam prejuízos financeiros


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