colunistas do impresso

O Sr. Mercado

Na falta de indicador mais preciso, a imprensa costuma relacionar as oscilações da Bolsa e do dólar como sinais de aprovação ou desaprovação de determinado fato

Na manhã de segunda-feira (22/02), a Bolsa caiu mais de 5% (o dólar subiu) e as ações preferenciais da Petrobrás, as mais negociadas, "derreteram" 20%, depois de terem caído cerca de 8% na sexta-feira anterior quando Bolsonaro anunciou que iria trocar o atual presidente da empresa por um general da reserva. Essa informação, inclusive, teria "vazado" após a reunião naquele dia no Palácio do Planalto e hoje é objeto de investigação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Duas semanas depois, na tarde de segunda-feira (8/03), quando o ministro L.E. Fachin anulou os processos contra Lula, ao transferir o foro de Curitiba para Brasília, a Bolsa caiu 4% (o dólar teve queda) e as ações da Petrobrás subiram fortemente nos dias seguintes. Aparentemente, o mercado confia mais em Lula do que em Bolsonaro. E tem motivos para isso pois, segundo matéria do jornal Folha de São Paulo, foi no governo Lula que a Bolsa obteve os maiores ganhos (497,3%), seguido de FHC (161,8%), Temer (51,7%), Bolsonaro (23,9%) e Dilma (queda de 17,2%).

Na entrevista coletiva (10/03), um repórter perguntou a Lula a respeito da reação negativa do mercado a possibilidade de sua candidatura à Presidência em 2022. A sua reação inicial foi perguntar quem era esse tal de mercado? Se fosse entendido como aquele setor que obtém ganhos comprando e vendendo papéis, mas que nada produz, então sim havia motivos para se preocupar. Mas, se estava se referindo ao setor produtivo, então nada havia a temer. E, já com discurso de candidato, anteviu uma nova fase de prosperidade.

Na falta de um indicador mais preciso, a imprensa costuma relacionar as oscilações da Bolsa e do dólar como sinais de aprovação ou desaprovação de determinado fato. E, em seguida, colhe a opinião dos chamados "economistas do mercado" - quase sempre ligados a alguma consultoria ou corretora. Essas opiniões contêm um vício de origem, já que tais analistas enxergam a economia da perspectiva de seus clientes.

Bolsa e dólar operam com sinais contrários. Não há segredo nenhum nisso: cenários otimistas trazem os investidores estrangeiros para o mercado de ações, a Bolsa sobe e o preço do dólar cai (pela maior entrada de US$); cenários pessimistas provocam efeito contrário. Mas, dado que, com frequência, não existe lógica nos movimentos do dólar e da Bolsa, então os analistas se esmeram na busca d'algum evento qualquer para entender o "humor do mercado". Porém, é difícil explicar "cientificamente" a especulação.

A própria entrevista do Lula serve de exemplo para o que vem sendo dito. Ele insinuou que, no caso da venda de ativos da Petrobrás (citou a BR distribuidora), poderia haver uma revisão num eventual futuro governo dele. A resposta do mercado foi contraditória: ao invés de caírem, as ações da empresa subiram e o dólar caiu.

Seria de se esperar que o discurso nacionalista de Lula afugentasse os investidores estrangeiros, mas a desvalorização (queda) do dólar mostrou o contrário.

Ao tentar antecipar as reações do Sr. Mercado, não leve tão a sério as análises e profecias dos seus economistas. Trate-as como palpites e dê a si mesmo o benefício da dúvida. Você tem quase tanta chance quanto eles de acertar.

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