Em Santa Maria, CTGs de 17 municípios da região se encontram para a primeira etapa do Enart

Foto: Marlon Borba

Competições de dança, a música tradicional gaúcha e o encontro de diferentes CTGs do Estado aqueceram o final de semana em Santa Maria com mais uma edição do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, o Enart. A primeira etapa da competição ocorreu em Santa Maria, no CTG Sentinela da Querência, que recebeu grupos de 17 municípios da 13ª Região Tradicionalista. Ao todo, 29 grupos de dança participam da competição, que ocorre em paralelo ao Circuito de Rodeios Regional. Sete deles buscam classificação para a etapa inter-regional, que acontece em agosto em Cacequi.


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A primeira etapa do Enart reuniu grupos que fazem parte da 13ª Região Tradicionalista. A diretora artística, Carla Pozzobom, explica que essa é uma fase classificatória realizada nas 30 regiões tradicionalistas do Estado. Neste ano, por conta das enchentes que atingiram diversos municípios, algumas regiões optaram por não realizar o evento, apenas indicar os concorrentes.

Quando nos reunimos para decidir se faríamos ou não, acreditamos que as pessoas precisavam sorrir. E a arte é isso, levar alegria para as pessoas. Sabemos das dificuldades que muitos grupos passaram, mas estão aqui abrilhantando e dando alegria para a população santa-mariense também. São pessoas que saíram de suas casas em um domingo de frio e vieram aqui nos prestigiar – afirma Carla.

O objetivo do evento é classificar os grupos para a etapa inter-regional, que acontece em agosto em Cacequi. Já a final e última fase do Enart acontece em Santa Cruz do Sul, nos dias 15, 16 e 17 de novembro.


Tradicionalismo, emoção e disputa

A fase regional do Enart começou no sábado (6) com as competições individuais que incluem diferentes modalidades artísticas como declamação, gaita, violão e até mesmo a contação de causos. Já no domingo (7) as danças tradicionais, que enaltecem o Estado e o povo gaúcho, tomaram conta do CTG Sentinela da Querência. O espaço era pequeno para tamanho tradicionalismo, emoção e disputa.

Na manhã e no início da tarde, as apresentações foram por conta das categorias mirim e juvenil. O grupo Caami Folclore e Arte Nativa, de São Sepé, levou ao palco danças como a cantiga “Balaio”, que fez com que o público cantasse os versos “balaio meu bem, balaio sinhá, balaio do coração” no ritmo da coreografia. Ao final da apresentação, o nervosismo antes tão presente deu espaço ao alívio e a emoção de representar o CTG. O peão Lucas Marques Penteado, de 12 anos, sabe bem o sentimento. Desde os três anos, os ensaios, as apresentações e o convívio com o grupo fazem parte da rotina. Para ele, eventos como esse significam aprendizagem:

– Nos apresentamos bem, eu acho. Estar aqui é bom para aprender com os outros grupos porque sempre tem alguém melhor que nós – afirma Lucas.

Ao final da apresentação, o grupo Caami Folclore e Arte Nativa aguardava o resultadoFoto: Marlon Borba

O mesmo sentimento é compartilhado por Manuela Freitas Vaz, 14 anos. Ela conta que “se criou” no CTG Caami Folclore e Arte Nativa. Logo, representar o grupo é uma grande responsabilidade:

– É muito emocionante porque às vezes tu não está preparado para todo esse público que te aplaude e está sorrindo para ti. Fora que é muita responsabilidade carregar o nome do CTG.


A busca pelo inter-regional

Antes da competição e da dança, o momento é de expectativa. Anaides Mayca de Souza, 73 anos, aguardava a apresentação no Enart ao lado dos colegas do CTG Querência das Dores, de Santa Maria. Apesar de muitos eventos na bagagem, ela conta que a cada ano novas danças e coreografias tornam cada Enart único:

Essa etapa é o pontapé inicial para ver como estão os grupos e como nós estamos nos comportando. Porque até agora é ensaio e ensaio. É sempre muito emocionante, um momento de expectativa.

Essa é apenas uma das etapas do Enart que, tradicionalmente, acontece em três etapas: regional, inter-regional e estadual. Na fase regional, sete grupos buscam classificação para a etapa inter-regional do Enart, que acontece em agosto em Cacequi. O objetivo final é chegar à fase estadual, que ocorre anualmente no mês de novembro, em Santa Cruz do Sul. Somente 40 grupos de todo o Estado participam da etapa na Força A – a principal e mais disputada do concurso.

Neste ano, quatro entidades participam da Força A representando a 13ª Região Tradicionalista de Santa Maria: AT Poncho Branco, CTG Sentinela da Querência, CPF Piá do Sul e DT Querência das Dores. Outros três grupos: do CTF Alma Gaúcha, CTG Ronda Crioula e DTG Noel Guarany concorrem na Força B. Nesta fase, os grupos apresentam três danças de livre escolha, além de uma coreografia inédita.


História do Enart

O encontro tradicionalista tem suas raízes na década de 1980, por meio do sistema Mobral, que combatia o analfabetismo no Estado. Na época, foram convidados gaiteiros e dançarinos para fazerem apresentações em escolas e incentivar a frequência estudantil. Os tradicionalistas aceitaram o desafio e visitaram as escolas semanalmente. Conforme o livro "MTG: 50 anos de história", foi assim que surgiu a ideia de realizar uma grande competição entre os CTGs. O 1º Festival Estadual de Arte Popular e Folclore foi em Farroupilha. 


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