covid-19

Vacinação de grávidas é controversa entre especialistas

Ministério da Saúde recomendou a aplicação em gestantes, lactantes e puérpereas. Vacinas utilizadas no Brasil ainda não fizeram testes nestes grupos

Janaína Wille e Leonardo Catto
Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)

Foto: Renan Mattos (Diário)

O Ministério da Saúde passou a orientar sobre a vacina contra a Covid-19 no caso de gestantes, lactantes e puérpereas (pós-parto). A condição, por enquanto, é que elas façam parte de algum grupo prioritário, principalmente o das comorbidades. A recomendação, contudo, gera controvérsias entre especialistas.

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As vacinas utilizadas atualmente no Brasil (Oxford e CoronaVac) não têm testes em gestantes. Entretanto, ainda em março, a vigilância do Ministério da Saúde monitorou uma crescente de óbitos por Covid-19 no país. Um dado que causou preocupação é que, de um total de 199 mortes em grávidas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 67,8% foram por Covid.

Os argumentos da pasta são apresentados em uma nota técnica, publicada em 15 de março. O ministério cita que 27 países e organizações apresentam informações sobre vacinação em gestantes, e 12 deles dão parecer positivo. No caso de lactantes e puérperas, 19 referências são levadas em conta, das quais 10 recomendam a vacinação. A nota enfatiza que a relação com a gestação não é critério para vacinar, apenas se as mulheres já fazem parte de algum grupo prioritário.

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O documento concluiu que não há contraindicação para vacinar essas mulheres no Brasil. Porém, o texto afirma que a decisão da mulher deve ser respeitada, seja pela vacinação ou não. Outro ponto mencionado é que a escolha deve ser "esclarecida" diante de não haver testes para este grupo.

Em janeiro, quando as vacinas para a Covid foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) emitiu uma recomendação aos médicos. Da mesma forma que o ministério ponderou dois meses depois, a orientação dizia que, mesmo sem testes, caberia à decisão ao médico e à paciente.

CONTROVERSO
A escolha pela vacinação ou não ser colocada na relação médico-paciente é visto como uma transferência de responsabilidade pelo médico obstetra Floriano Soeira de Souza Neto. Ele defende que não há como tomar uma decisão junto às pacientes se não existem definições sobre possíveis riscos.

- As vacinas não foram testadas (neste grupo). Como vamos dar informação para as grávidas se não tem estudos? - questiona.

Souza Neto atua na maternidade do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo. Entre fevereiro e março, o médico viu o número de pacientes que precisaram ser transferidas para a ala Covid, no Alcides Brum, aumentar. Agora, ele analisa que os casos em grávidas já são menos numerosos.

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Já a médica Marceli Bertoncello, pediatra e infectologista do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) acredita na análise individual de cada paciente. Ela pondera que, atualmente, gestantes passaram a ser um grupo de risco da Covid-19, como também sustenta o Ministério da Saúde.

- No consultório, nós levamos em conta o risco ocupacional da paciente. Como não é recomendado em bula, fica o critério médico - explica.

Marceli vai ao encontro da recomendação de respeitar a decisão da gestante, lactante ou puérpera em caso de optar por não vacinar no momento. Nesse caso, o reforço em medidas de prevenção, como o isolamento, é essencial para a prevenção do contágio do coronavírus.

ORIENTAÇÃO SEGUIDA
Em níveis estadual e municipal, as autoridades de saúde acatam a recomendação do Ministério da Saúde. Por meio de nota, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) reitera que gestantes, lactantes e puérperas só serão vacinadas quando integraram um grupo prioritário (trabalhadoras da saúde, indígenas, quilombolas, comorbidades, por exemplo). O critério é o mesmo exposto pela prefeitura de Santa Maria, além da indicação do médico da paciente. Além disso, conforme o Ministério da Saúde, no caso de lactantes, não é necessário interromper a amamentação ou evitar doar leite materno.

A SES também afirma que a distribuição de vacinas segue o Plano Nacional de Imunização (PNI), de acordo com a estimativa populacional dos grupos prioritários para vacinação existente em cada região.


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