covid-19

VÍDEO: quais os planos de vacinação e como estão os testes no Husm

Ainda sem data, vacinação deve seguir plano nacional com aprovação da Anvisa. Nenhum dos imunizantes tem estudos concluídos, mas Oxford, com testes em Santa Maria, é um dos mais próximos dos brasileiros

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Fotos: Pedro Piegas (Diário)

O Ministério da Saúde apontou, em reunião com os estados, que vai comprar todas as vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicar na população. Os governos estadual e municipal contam com a organização do Plano Nacional de Vacinação, apresentado na última semana. Tanto o governador Eduardo Leite quanto o prefeito Jorge Pozzobom (ambos do PSDB) têm alternativas para caso não haja garantia do governo federal.


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O Brasil já tem firmado um acordo com a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolve uma das vacinas testadas no país junto da Universidade de Oxford. O acordo prevê 100 milhões de doses para o país no primeiro semestre de 2021. Conforme Eduardo Leite, após reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegariam, em janeiro, 15 milhões de doses, assim como em fevereiro. A quantidade iria aumentar até fechar a meta para os seis primeiros meses. Ainda não há definição de quantas dessas doses seriam para o Estado.

Além das primeiras 100 milhões de doses de Oxford/AstraZeneca previstas para o primeiro semestre de 2021, o país tem capacidade de produção, no segundo semestre, de 160 milhões de doses por meio da Fiocruz. A essas, somam-se as doses adquiridas por meio do consórcio Covax Facility _ feito entre nove farmacêuticas e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O acordo prevê que a primeira das empresas participantes a registrar uma vacina vai disponibilizar para os países. Ao Brasil, são previstas 42 milhões de doses.

Com isso, ao todo, o Brasil teria cerca de 300 milhões de doses disponíveis até o final de 2021. A estimativa é que haja vacinas suficientes para 80 milhões de brasileiros, de acordo com os grupos prioritários já definidos pelo Ministério da Saúde.

FASES
As fases de vacinação devem seguir, no Rio Grande do Sul, as mesmas já apresentadas para o país (veja abaixo).

Por enquanto, não são apontadas datas precisas para o começo da imunização. Isso se deve ao fato de as vacinas ainda não terem os estudos clínicos concluídos e o registro feito junto à Anvisa.

Antes da reunião, o prefeito Jorge Pozzobom já afirmava que tinha "convicção" de que o governo federal iria adquirir as doses. No entanto, caso isso não aconteça, Pozzobom conta com o apoio de recursos do Estado, garantidos a ele pelo governador. A estimativa apresentada por Pozzobom é de 10 dólares por aplicação. No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, o custo é de 3,75 dólares a dose. Ele diz ainda que já em conversas com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e com o Ministério Público (MP) para, caso as duas alternativas não se concretizarem, o município possa aportar recursos para comprar vacinas.

_ Dez dólares são R$ 60. Multiplicado isso por 300 mil habitantes, são R$ 18 milhões para o município. É uma coisa plausível, mas eu duvido que o governo federal não vá comprar vacinas. Eu tenho essa convicção. Seria uma irresponsabilidade total.

O discurso do ministro Eduardo Pazuello está alinhado com essa ideia. Na reunião com os estados, ele reiterou que a Anvisa vai trabalhar para acelerar os registros e, assim, o governo federal garantir a compra.

_O registro gira em torno de 60 dias. Se tudo estiver redondo, teremos o registro efetivo da AstraZeneca no final de fevereiro, dando início à vacinação_ explicou o ministro.

O governo federal ainda não tem contrato para garantir a Coronavac _desenvolvida entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan_. Porém, o entendimento, segundo Eduardo Leite, é de que esta plataforma também estará disponível. O mesmo acontece em relação a Pfizer/Biontech, que produz a vacina utilizada no Reino Unido desde ontem.

_ É evidente que não se aplicara sem certificação da Anvisa. Confio no programa nacional de vacinação. É a melhor estratégia num país de dimensão continental como o Brasil. É uma estratégia que tem que ser nacional. Não faz sentido que os estados disputem. No entanto, abrimos a conversa com o Butantã para, se for o caso, adquirimos esta vacina _ defende

OS TESTES NO HUSM 

  • Participantes _ 1.014
  • Entre 18 e 55 anos _ 771 
  • Entre 56 e 64 _ 152
  • Mais de 65 _ 91

AS VACINAS EM TESTE NO BRASIL

Oxford/Astrazeneca

  • 10 mil voluntários 
  • Aplicação nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte 

Coronavac

  • Produzida pelo Sinovac e Instituto Butantan 
  • 3 mil voluntários
  • Aplicação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Distrito Federal

Pfizer

  • 2 mil voluntários
  • Aplicação nos estados de São Paulo e Bahia 

Johnson & Johnson

  • 7,5 mil voluntários 
  • São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina

"Sem estudos, não há como vacinar. Depois da imunização, pesquisas ainda vão continuar"
Santa Maria é a única cidade do interior do Brasil a receber testes da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. O estudo clínico recebeu 1.068 voluntários e é coordenado pelo médico infectologista Alexandre Schwarzbold, presidente da Associação Riograndense de Infectologia. Do total de voluntários, 1.014 atenderam aos critérios e viraram participantes.

Em países como Reino Unido, China e Rússia, onde a vacinação para certos grupos já começou, a de Oxford não é utilizada. Isso acontece, inclusive, no próprio país de origem do imunizante, a Inglaterra. Porém, isso não significa que ela esteja "atrás" no processo de produção.

De acordo com Schwarzbold, todas as vacinas tiveram seu processo acelerado diante da emergência da pandemia. Fases que levariam até dois anos foram feitas em um mês, como é o caso da vacina russa. Porém, o médico considera que a cautela deve ser levada também como prioridade.

_Quando a gente começa a testar em pessoas, nós temos uma fase 1, com pequeno número de voluntários, e avaliamos a segurança. Na fase 2, a gente começa a ter análise de eficácia, com centenas de pessoas. Mas imagina lançar uma vacina testada em centenas em uma vacina de bilhões? Agora, em fase 3, a gente tem maior certeza e só vamos trabalhar com milhares de pessoas... de 40 a 60 mil. Parece que os dados preliminares de todas as vacinas que são testadas em fase 3 são auspiciosos, mas nenhuma foi publicada no mundo. Provavelmente, a primeira a ser publicada será a de Oxford _ explica o coordenador do estudo clínico.

Mesmo depois de a vacinação começar, os estudos seguem o monitoramento dos participantes para avaliar os anticorpos. Por isso que Schwarzbold argumenta que não há como precisar a imunização quanto a datas. O tempo que os anticorpos são eficientes também é algo a ser ponderado, já que, com mutações do vírus, pode ser que sejam necessárias aplicações recorrentes como a vacina da gripe.

_Não se pode ter a ideia de que, com a vacina em março de 2021, por exemplo, teremos segurança até março de 2022. Não sabemos disso, não tem dados publicados. E dados preliminares não sugeririam que teríamos anticorpos por mais de um ano. Por isso, é importante os estudos serem prorrogados. Ainda é cedo, mas acredito que vamos passar a tomar, todo ano, duas vacinas: a de coronavírus e a do H1N1.

Inicialmente, a meta do estudo na cidade era de mil pessoas. As aplicações chegaram a ser suspensas quando o número de voluntários chegou a 10 mil em todos os centros do país. Com autorização do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e do Ministério da Saúde, o Husm retomou os testes e contemplou mais pessoas. O pedido de Oxford para o aumento no número de voluntários até o total alcançado é que fossem priorizados os idosos.


COMO FUNCIONAM OS TESTES NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
A primeira visita dos voluntários é para assinar um termo de consentimento de participação. São 20 páginas em folha A4 que explicam os processos do estudo e enfatizam que não há nenhuma obrigatoriedade de participação. No mesmo dia, é feita a triagem dos participantes, quando se afere pressão, temperatura e é feita uma entrevista. No caso de mulheres, também é necessário um teste de gravidez.

Esta é a consulta que mais leva tempo. A última etapa é a aplicação da primeira dose _do teste ou do grupo de controle. Após a aplicação, o voluntário deve esperar 15 minutos para possíveis reações imediatas. Conforme o termo de consentimento, é comum apresentar reações como dor no local ou sintomas semelhantes aos da gripe em até dois dias depois da aplicação.

Pelo período de um ano, são feitas visitas de acompanhamento. E, toda semana, a equipe do estudo entra em contato via WhatsApp para saber o estado do voluntário quanto a sintomas. Se necessário, o participante pode ser testado para o coronavírus.

O estudo não tem autorização para divulgar dados ou imagem dos participantes. Eles, contudo, podem se identificar e falar enquanto voluntários. É o caso da auxiliar de escritório Eliane Cristine Anchieta, 55 anos. Ela aderiu à pesquisa logo que as inscrições começaram.

_ Cada um está fazendo sua parte. No momento que contribuímos com a pesquisa, o processo para termos resultados imediatos vai ajudar bastante. Eu fico feliz em poder participar e torço que logo saia a vacina _ conta.


O médico cardiologista Sérgio Nunes Pereira, 76 anos (foto acima), também se voluntariou. Enquanto profissional da saúde, ele reconhece a importância de ser voluntário.

_ É uma coisa que já se esperava, né? Eu mesmo já vinha quando poderia fazer o teste. A coisa andou tranquila. Acho muito significativo que Santa Maria tenha esse tipo de programa, assim como Pelotas _ celebra.

COBERTURA E LOGÍSTICA
O Brasil é um dos países de referência em produção de vacinas. Algumas, inclusive, foram interrompidas para dar conta da demanda de estudos para a vacina contra a Covid-19. Schwarzbold acredita que, no primeiro semestre de 2021, a vacinação será limitada. Entretanto, a partir da segunda metade do ano, o Brasil pode ter autonomia para a produção.

_Se não vacinarmos cerca de 80% da população, não conseguimos ter a imunidade de rebanho. É importante termos em conta que, só no segundo semestre do ano que vem, a gente vai ter um número de pessoas vacinadas com diferentes vacinas e aí vai dar segurança maior para a população _ explica.

Em um país como o Brasil, com diferentes climas e regiões, o armazenamento poderia ser um problema para o transporte de vacinas, que ficam refrigeradas. Isso é mais necessário para as vacinas genéticas, aquelas que aplicam o material do vírus no organismo e induz a produção de anticorpo. A vacina de Oxford, por outro lado, é vetorial. É como se fosse o vírus de outro organismo aplicado no humano. Esse tipo de vacina precisa de refrigeração de 4ºC a 8ºC e pode ficar fora da refrigeração por algumas horas.

_Quase nenhum país tem uma cadeia de frio para armazenar vacina para milhões de pessoas. Então, elas devem ser colocadas mais posteriormente no calendário de vacinas. Ao mesmo tempo, nós temos vacinas que não exigem refrigeração de vacina e estão aí na porta, quase lançadas. Eu acho que os estudos que vão continuar vão andar junto com as vacinas genéticas. Portanto, vamos poder juntar tecnologias diferentes a uma campanha de massa de vacinação. Então, vacinas que precisem de refrigeração poderão chegar no Norte e Centro-Oeste como chega no Sudeste e no Sul. As capitais vão exigir plataformas diferentes, até porque tem maior população, e o interior vai depender das vacinas que não exigem refrigeração negativa _ elucida Schwarzbold. (Colaboraram Eduardo Tesch e Leonardo Catto)

AS FASES DE APLICAÇÃO 

  • 1ª fase _ População idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena
  • 2ª fase _ Pessoas de 60 a 74 anos
  • 3ª fase _ Pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença (como portadores de doenças renais crônicas, cardiovasculares, entre outras)
  • 4ª fase _ Professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade


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