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VÍDEO: paciente que ficou à espera de leito de UTI por 12 dias se recupera em casa

Elisa Bicca Durão, 65 anos, foi intubada logo que chegou à UPA. Sem conseguir o leito intensivo pelo SUS, ela fez o tratamento na própria unidade

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Foto: Pedro Piegas (Diário)
Elisa mantém contato com a fisioterapeuta Janaína mesmo após a alta hospitalar

A superlotação dos leitos de UTI em Santa Maria por conta da pandemia do novo coronavírus gera um cenário de aflição para familiares que buscam atendimento para um ente querido. O desfecho, em boa parte das situações, é trágico. Mas também há casos de pessoas que, com força de vontade e o incansável trabalho de profissionais da saúde, conseguem se salvar. É o que aconteceu com a aposentada Elisa Bicca Durão, de 65 anos. Internada com Covid-19, ela foi intubada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24h e, sem conseguir um leito de UTI em hospital do Sistema Único de Saúde (SUS), permaneceu ali até ser extubada. Foram 18 dias na instituição, até se recuperar da doença. Agora, Elise segue com os cuidados em casa, junto da família.


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Os primeiros sintomas começaram no fim de março e, no dia 30, ela procurou atendimento na UPA, onde permaneceu internada.

- Na madrugada da Sexta-Feira Santa, ela me pediu para irmos até a UPA urgentemente. A doutora disse que foi obrigada a intubar, pois ela não respondia mais ao oxigênio - recorda o marido Gilberto dos Santos Sanches, de 59 anos.

Desde aquele momento, começou a busca por um leito de UTI, que foi malsucedida. Doze dias depois, após melhora, ela foi extubada e, já no dia 16 de abril, foi transferida para recuperação na Casa de Saúde.

- Estamos fazendo um atendimento que supera um pouco o que se espera de uma UPA. Quase diariamente precisamos intubar pacientes com Covid-19. Também estamos mantendo esses pacientes sob nossos cuidados por bastante tempo, e isso vai muito pela superlotação dos hospitais. Não temos, muitas vezes, como encaminhar os pacientes imediatamente aos hospitais. Então, desenvolvemos um trabalho que, praticamente, é de UTI. Não é uma UTI, não tem o mesmo recurso ou estrutura, mas dentro do possível a gente consegue manter os pacientes por mais tempo, como foi o caso dela - explica o médico Maurício Severo, que trabalhou no atendimento de Elisa.

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Para Severo, que atua na UPA há cerca de cinco meses, o caso de Elisa foi o mais marcante. Foi ele que atuou na extubação da aposentada e levou a família para ver a paciente pela primeira vez. Até ali, conforme o marido Gilberto, o sentimento era de angústia. Por conta da Covid, ele não conseguiu ver a esposa durante os dias de internação.


Foto: Pedro Piegas (Diário)
Elisa com o marido Gilberto

A fisioterapeuta Janaína Peixoto da Rosa, de 34 anos, acompanhou a internação de Elisa e segue com ela no tratamento após a alta hospitalar, ocorrida em 3 de maio. As duas criaram um vínculo durante o tratamento, e Elisa não esconde a gratidão, que se estende a todos os profissionais que cuidaram dela durante a internação. Uma das poucas memórias que restaram do período de tratamento está ligado à fisioterapeuta.

- A dona Elisa descompensou durante um banho, e não conseguimos posicionar ela de forma adequada. Até que pedi para ela um abraço, para posicionar ela melhor. Peguei ela no colo e posicionei para que o pulmão ventilasse melhor. Nesse momento ela ficou abraçada em mim, respirando - descreve Janaína.

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Desde 3 de maio, quando recebeu alta da Casa de Saúde, Elisa segue o tratamento em casa. Debilitada, ela passa o tempo na cama. A recuperação, conforme Janaína, que segue com sessões de fisioterapia domiciliares, deve durar de três a seis meses. Elisa discorda:

- Eu não vou levar tudo isso, sou uma pessoa forte e tenho um tratamento muito bom - brinca.

*colaborou Leonardo Catto


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