linha de frente

VÍDEO: conheça o papel do fisioterapeuta no combate ao coronavírus

Veja relatos de profissionais que atuam na linha de frente da pandemia

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Foto: Renan Mattos (Diário)
Trabalho do fisioterapeuta é essencial dentro de uma UTI

Que o trabalho de profissionais da saúde é vital durante uma pandemia, não há dúvida. Dentro das UTIs, onde são tratados os pacientes mais graves da Covid-19, equipes multiprofissionais trabalham diuturnamente para salvar vidas. Dentro dessas equipes, compostas também por médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem, entre outros, há uma classe menos conhecida, mas essencial do início ao fim do tratamento de infectados por coronavírus: a dos fisioterapeutas. São eles os responsáveis por cuidar do sistema respiratório do paciente intubado, justamente a parte mais atingida pelo vírus. Mas não é só isso. O cuidado do fisioterapeuta se baseia no paciente como um todo, e segue após a alta hospitalar. Para entender o papel dos fisioterapeutas no combate a casos graves da Covid-19, o Diário conversou com profissionais da área que trabalham na linha de frente da pandemia.


Durante a pandemia, equipamentos como o respirador entraram para o vocabulário popular. Essencial para manter vivo um paciente na UTI Covid, o equipamento é operado, geralmente, pelo fisioterapeuta.

- Uma das principais funções é o manejo respiratório do paciente. Desde a hora que a gente se paramenta e entra na unidade, a gente conversa com a equipe médica e enfermagem para saber como estão os pacientes, como estão os exames, principalmente na gasometria, que vai nos nortear para ver como está a troca gasosa. Aí, vou até o leito para fazer minhas anotações e ver como estão os parâmetros, a ventilação mecânica. Depois disso, começa o atendimento, que é basicamente a parte respiratória. Manter os pulmões limpos e expandidos - explica a fisioterapeuta Kátia Ruviaro, de 31 anos.

Para Caren Schlottfeldt Fleck, 44 anos, professora do curso de Fisioterapia da Universidade Franciscana (UFN) que também atua na UTI Covid do Husm, o cuidado do fisioterapeuta não é focado somente no combate ao vírus.

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- O paciente entra na UTI Covid por uma insuficiência respiratória. Mas não vejo só o pulmão dele. As condutas que a gente faz ao pulmão, como a ventilação mecânica, trazem a ele outras condições. É a repercussão sistêmica. Por isso o fisioterapeuta olha o todo, e vai trabalhar o pulmão, mas também a parte motora. Por mais que ele esteja sedado, eu vou fazer o exercício por ele. São os exercícios passivos, como alongamentos. Para que a gente possa, pelo menos, manter um pouco da atividade muscular, da articulação que vai ficar parada e imóvel - explica.

Conforme a fisioterapeuta, a perda muscular começa entre o quarto e sétimo dia de internação.

MOTIVAÇÃO QUE VEM DO AMOR

A fisioterapeuta Kátia Ruviaro, nascida em São João Polêsine e formada pela UFN em 2013, atua na UTI do Hospital de Caridade desde o início da carreira. Em março do ano passado, passou para a UTI Covid e, desde setembro, também trabalha na UTI Covid do Hospital Universitário de Santa Maria. Normalmente, ela cumpre o turno da tarde no Caridade e da noite no Husm. Entretanto, em plantões ou para cobrir horários de colegas afastados por atestado, há dias em que a rotina rende trabalho contínuo da manhã até a noite.

- O amor pela profissão é o que me motiva. Eu faço tudo o que faço por amor - resume.

CUIDADO QUE VAI ALÉM

As consequências de uma internação por Covid-19 vão além da UTI. Apesar da doença deixar sequelas específicas em cada caso, as mais comuns são a dificuldade de respirar e perda da força muscular. A fisioterapeuta Rafaela Clavé, de 28 anos, faz atendimentos domicialiares a pessoas já curadas da Covid. Ela também atua na UTI Covid do Hospital de Caridade desde dezembro. Um dos pacientes é um homem, de 38 anos, que preferiu não ser identificado. Ele ficou internado por 10 dias, entre 11 e 21 de fevereiro, passou pela UTI mas não precisou ser intubado. Mesmo assim, ele perdeu 20 quilos e saiu do hospital com o prognóstico médico de que só voltaria a caminhar normalmente em três meses. Com o trabalho de fisioterapia domiciliar, em 20 dias o homem conseguiu subir as escadarias até o terceiro andar do prédio onde mora.

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Conforme Rafaela, o trabalho é focado na parte aeróbica, para retomar a capacidade respiratória e a força muscular.

_ Cada paciente vai reagir de uma forma, sentir um sintoma de uma forma diferente, e para cada paciente é um tratamento diferente. Tem um que vai sentir mais a questão pulmonar, outro que vai perder mais a força muscular do corpo, e vai ter aquele com todos os sintomas. O objetivo é que o paciente volte ou se aproxime da rotina que tinha antes. Por isso uso muito as coisas que o paciente tem em casa. Se tem escada, uso isso, por exemplo. O paciente precisa ter essa reabilitação, uma vida normal - conta a fisioterapeuta.

Orientado pela profissional, o paciente fez exercícios na sala de casa e na escadaria do prédio. A sessão dura cerca de 40 minutos. Em média, conforme Rafaela, a fisioterapia é necessária por cerca de dois a três meses após a alta hospitalar. Na maioria dos casos, é possível retomar a rotina e a capacidade física anterior à doença, mas isso varia conforme cada situação.

MOMENTOS QUE MARCAM E ENSINAM


Foto: Anselmo Cunha (Diário)
Rafaela atende pacientes que tiveram Covid e ficaram com sequelas

A fisioterapeuta Camila de Christo Dorneles, de 38 anos, formou-se em 2005 na UFSM. Ela é mestre em Ciências Médicas pela PUC-RS e especialista em terapia intensiva adulta. Para ela, que trabalha na UTI do Husm desde 2014, a Covid-19 é a doença mais desafiadora enfrentada até então pelos profissionais.

- O paciente com Covid chega e evolui muito rapidamente para um quadro pior. Da parte ventilatória, é um grande desafio. É um trabalho multiprofissional, com enfermagem, com médicos. Esses pacientes, dentro de todos os que a gente conhece na terapia intensiva que eu trabalho, é um dos maiores desafios pois é um paciente que fica muito debilitado. É uma doença que afeta a parte sistêmica, não só o pulmão, mas também função renal, parte hemodinâmica. É um paciente que depende de uma demanda de longa permanência, que geralmente tem uma comorbidade - avalia.

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O trabalho neste período gerou situações marcantes. Os últimos meses, com leitos totalmente ocupados e crescimento nos casos e mortes, têm sido especialmente desafiadores.

- Nosso emocional já era treinado antes da pandemia. A gente já sabia lidar com os óbitos, com as intercorrências. A gente trabalha sob pressão e precisa manter a calma. Quando começou a pandemia, mudou muita coisa. Tudo se intensificou - relata Kátia Ruviaro.

- É difícil, e acho que isso é geral em todos os profissionais. A gente está muito exausto, fisicamente e psicologicamente. Eu tive que tomar remédio para conseguir dormir porque eu não conseguia me desligar do hospital. Eu chegava em casa e parecia que estava dentro da UTI. A gente já acostuma, mas não acostuma. Tem dias que a gente tem dois, três óbitos dentro de uma CTI. O mais difícil é quando o paciente está super bem em um dia, e no outro dia ele começa a ficar e mal e vai a óbito. Um paciente que a gente tinha esperança que pudesse voltar para casa - conta Rafaela.

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Por outro lado, para os profissionais, a luta contra o vírus também pode proporcionar aprendizado e troca de conhecimento.

- A pandemia nos trouxe muitos ensinamentos, não só de parte emocional, da troca, do cuidado, mas nos trouxe o aprendizado de muitas técnicas, de coisas novas. Nesse contexto, também há um crescimento do fisioterapeuta, não só na fase crítica, mas também no pós. Nesse contexto, o fisioterapeuta tem se mostrado crucial, indispensável, dentro de todo esse processo - resume Caren.



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