decreto municipal

Suspensão das aulas presenciais divide a opinião de especialistas

Mesmo sem consenso, medida entra em vigor a partir desta segunda-feira

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)

Diante do decreto 21 e das novas medidas restritivas anunciados no domingo pelo prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), que suspenderam as atividades presenciais ou híbridas de ensino por cinco dias e estabeleceram novo horário de funcionamento para o setor de alimentação e bebidas, muitas pessoas se manifestaram discordando do novo decreto, que entra em vigor a partir desta segunda-feira.

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Em uma live no Facebook, junto ao vice-prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo, e da controladora geral do município, Carolina Lisowski, o chefe do Executivo lembrou que, na última semana, a Covid-19 ganhou força no município e fez com que os hospitais ficassem lotados de pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e até mesmo nos leitos clínicos.

Prefeitura anuncia novas medidas restritivas e aulas presenciais estão suspensas por cinco dias

O objetivo das medidas, segundo Pozzobom, é para que, na sexta-feira, a cidade não apareça na bandeira preta no mapa de Distanciamento Controlado do governo do Estado, e, então, as atividades econômicas sejam encerradas. Em relação à suspensão das aulas, Pozzobom pediu compreensão da comunidade:

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- Queremos retomar as aulas presenciais, sabemos da importância, mas é um momento de excepcionalidade. Conto com a compreensão de todos.

De acordo com Guilherme Cortez, chefe da Casa Civil, a decisão de suspender por uma semana o retorno das aulas presenciais foi tomada para desafogar o sistema de saúde e diminuir a circulação de pessoas na cidade, visando uma estabilização dos números. Segundo Cortez, para chegar a uma posição, o Executivo consulta os especialistas da área que integram o Conselho Estratégico de Gestão de Crise (GEGC), que é composto pelo Grupo de Saúde e pelo Comitê Estratégico de Acompanhamento da Covid-19, que é quem emite recomendações e delibera sobre políticas de contenção e de controle de riscos na cidade. O chefe da Casa Civil não forneceu a lista completa de especialistas que integram o Conselho, restringindo-se apenas a confirmar nomes que integravam o grupo no início da pandemia.

- Se os números estabilizarem, se diminuir a lotação dos leitos, as escolas terão condições de retornar presencialmente, dentro das regras. Mas se tem algo de que não podemos ser acusados nesses últimos 11 meses, é de omissão e incoerência. Existem duas coisas na nossa visão que ajudam: vacina e distanciamento social. Não temos outras alternativas. Essa é a realidade. Nós ouvimos, sim, todas as manifestações, consultamos especialistas, mas além disso, nós olhamos para os dados epidemiológicos - avalia.

Para o médico epidemiologista Marcos Lobato, que também é coordenador do Centro de Referência Municipal da Covid-19, a decisão é preventiva e coerente:

- Nós sempre assumimos uma postura mais preventiva e eu sempre concordei com esse posicionamento. É melhor prevenir do que remediar. Há coerência com o que fizemos até agora no município. Essas medidas eram já pensadas para situações como essa, quando chegamos em um momento em que pode ter colapso do sistema de saúde, de não ter mais leitos, de não ter mais respirador para as pessoas. Essas medidas são pontuais e talvez elas tenham que ser mais enérgicas no futuro, fechando estabelecimentos e sendo mais duro com aglomerações e atividades clandestinas. Temos que usar todos os instrumentos possíveis para reduzir a circulação de pessoas.

DISCORDÂNCIA

Na tarde de domingo, um grupo de pais de estudantes se mobilizou em uma carreata em que pediram pelo retorno das aulas presenciais na cidade. A postura da prefeitura não foi consenso nem mesmo entre a ala médica de Santa Maria. Alguns profissionais, como o infectologista e epidemiologista Fabio Lopes Pedro, que compõe o Conselho Estratégico, se posicionou contrário ao decreto.

Em um texto compartilhado na internet, ele diz que "não há qualquer fundamento técnico e prático para Santa Maria em bandeira vermelha fechar as escolas".

- Tenho sete pacientes meus em UTIs, sempre tenho mais que 10, 15 internados. Trabalhamos muito mesmo, mas a solução não é fechamento de escolas, restrição de lojas, universidades fechadas. 11 meses, e a lição é que não adianta isso. Qual fundamento para tal medida? Nenhum. Restringir as atividades comerciais e funcionamento de escolas é uma atitude bizarra - comentou.

De acordo com a diretora clínica do Hospital de Caridade, Jane Costa, os impactos da suspensão das aulas por cinco dias devem ser sentidas daqui a 15 dias, no entanto, explica a médica infectologista, neste período, a cidade vai estar colhendo o aumento de casos ainda das aglomerações registradas no Carnaval. Para ela, a suspensão das aulas não terá grandes impactos, pois a sociedade, de forma geral, não tem colaborado para frear a pandemia.

- Há um grande desrespeito por parte da comunidade, que insiste em fazer aglomerações, a participar de festas clandestinas. Parar cinco dias vai ter repercussão em 15 dias, só que vamos estar estourando por conta das festas do Carnaval - afirma a médica, que também integra o Conselho, destacando que não foi consultada sobre as deliberações tomadas pela prefeitura.

A médica infectologista Liliane Pacheco, chefe setor de vigilância em Saúde e Segurança do paciente do Hospital Universitário (Husm), não quis se posicionar em relação ao assunto. O infectologista Thiego Cavalheiro também não quis comentar. Os dois compõem o GEGC. O médico infectologista Alexandre Schwarzbold não retornou às ligações nem às mensagens do Diário. O médico Claudio Azevedo, que integra o grupo de assessoramento técnico do Conselho, estava em um procedimento cirúrgico e não pode falar.


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