cardiologia

Sem aparelho de cateterismo no Husm, pacientes enfrentam longa espera por exames

Angiógrafo parou de funcionar em julho. Novo equipamento foi adquirido, mas aguarda obras de adequação do espaço físico

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Desde julho, Santa Maria está sem um aparelho angiógrafo, que realiza exames de cateterismo cardíaco e as angioplastias coronarianas (colocação de stent). É que o angiógrafo do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), único na cidade disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou um defeito e, segundo a assessoria de comunicação do hospital, o alto custo para conserto inviabilizou o reparo.

Por isso, há três meses, os procedimentos, que são vitais para pacientes infartados e que necessitam de cirurgias cardíacas, não são realizados no município. Em janeiro, o equipamento já havia apresentado problemas, mas o defeito foi reparado em fevereiro.

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) já adquiriu um novo aparelho. A empresa vencedora da licitação foi a Siemens. Segundo a assessoria do Husm, o equipamento já está em porto brasileiro, com todos os acessórios, em condições de ser instalado. Porém, a Ebserh aguarda a finalização do projeto arquitetônico da Siemens para dar início às obras da estrutura física que vai receber o novo angiógrafo.

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A assessoria do Husm não deu uma previsão para o retorno dos procedimentos. Em entrevista de um dos técnicos do Husm em janeiro, a estimativa era de que a adequação do espaço físico exigiria pelo menos dois meses de equipamento parado.

O hospital afirma que nenhum paciente ficou desassistido neste período. Aqueles que necessitam dos exames estão sendo encaminhados para os hospitais de referência da área cardíaca em Passo Fundo e Ijuí, por meio da secretaria municipal de Saúde. Os usuários que necessitam de cirurgia cardíaca retornam ao Husm para a realização do procedimento.

O Husm informou também que, entre janeiro e julho deste ano, 32 pacientes que tinham os exames marcados não compareceram. O número corresponde a 36% das vagas oferecidas no período. Ao todo são realizados 50 cateterismos e 40 angiografias por mês. A equipe do Husm acredita que a ausência dos usuários pode estar relacionada com a pandemia.

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ESPERA
O motorista Paulo Rogério Bortoloto, 46 anos, contou que o sogro dele, José Eloi Silveira, 67 anos, aguarda cateterismo desde o dia 14 de outubro. Morador do Distrito de Palma, no interior de Santa Maria, Silveira chegou ao Husm depois de ser atendido em um posto de Saúde em Silveira Martins. Ele sentia pontadas nas costas e na região do peito, além de tontura. O caso dele está sendo tratado como angina cardíaca, segundo o genro. A equipe do Husm disse à família que a solução seria o procedimento, que não pode ser oferecido por conta do aparelho danificado.

- O cardiologista que falou conosco disse que em junho, julho os pacientes estavam demorando em torno de três a cinco dias para conseguir fazer cateterismo. Hoje tem gente que está há 14 dias aguardando - contou Bortoloto.

Segundo a família, Silveira foi transferido na tarde de quinta-feira para Passo Fundo. Bortoloto chama a atenção para a situação:

- Fazemos um apelo às autoridades. Não é só uma família que está passando por isso. Há tantas outras vidas que estão em risco.

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SEM DIREITO À DESPEDIDA
A enfermeira Camila Ruiz Dias, 25 anos, conta que não pôde se despedir do pai, que morreu em decorrência de complicações cardíacas no dia 31 de julho. Por conta da falta do aparelho de cateterismo em Santa Maria, o aposentado Francisco Nicolau Barroso Dias, 65 anos, foi transferido para Passo Fundo onde ficou 15 dias internado antes de falecer, sem contato com a família.

Morador do Bairro Nova Santa Marta, ele sentiu falta de ar e dores no peito no dia 14 de julho e foi encaminhado ao PA Rubem Noal, no Bairro Tancredo Neves. Lá, realizou um eletrocardiograma, que apontou alterações e, então, foi transferido para o PA do Patronato. Segundo a filha, no PA Municipal, a equipe achou que Francisco poderia ter Covid-19 e então o encaminharam à UPA.

O médico que o atendeu na UPA avaliou o caso e disse à família que o quadro se tratava de um de infarto com insuficiência cardíaca. Conforme a filha, Francisco ficou internado na UPA enquanto a equipe tentava internação no Husm para que fizesse os procedimentos necessários. Só que, por conta da desativação do aparelho, o Husm negou a internação. Como um dos hospitais de referência na área de cardiologia, o São Vicente de Paulo, fica em Passo Fundo, ele foi encaminhado para lá. Camila acompanhou o pai na UTI móvel enviada de Santana do Livramento.

- Chegando lá, nos entregaram todos os pertences que ele tinha porque não poderia ficar ninguém com ele lá, então a última vez que eu o vi foi na ambulância, na porta do hospital - relata.

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Francisco ficou cinco dias em isolamento até que saísse o resultado do exame RT-PCR de coronavírus, que deu negativo. Depois disso, foi para a UTI cardiológica, onde fez cateterismo e recebeu um implante de stent. A família só tinha notícias dele por telefone uma vez por dia e nem mesmo a despedida foi possível. Com o passar dos dias, o paciente teve falência dos órgãos e acabou morrendo.

- Tive acesso ao prontuário e ali diz que ele tinha insônia e estava agitado. Eu acredito, como profissional de saúde, que foi em função da falta da família, porque em outras internações ele nunca ficou sozinho. Ele não ficou nem com telefone para falar com a gente.

Além da falta de contato com o pai, Camila reclama do transtorno para trazer o corpo do pai de Passo Fundo para Santa Maria. Ela contatou uma assistente social do município para saber se teria ajuda do Poder Público, mas foi informada que não, pois Francisco era aposentado. A família teve que arcar com os custos da funerária.

O QUE DIZ A SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE*

  • Por meio da assessoria de comunicação, a SES declara que desde que foi constatado que o equipamento não teria mais condições de uso, em julho, a Regulação Estadual tem encaminhado os pacientes para estabelecimentos que oferecem os exames e procedimentos necessários, conforme a necessidade do usuário. A nota diz ainda que "a SES acompanha esta situação e trabalha junto com o Husm para que o usuário seja atendido com eficiência, eficácia e qualidade. Já foi adquirido pelo Husm um novo equipamento, que deve chegar em breve". A pasta não informou quantos pacientes aguardam procedimentos do tipo nos municípios da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde

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 O QUE DIZ A PREFEITURA

  • Em relação ao transporte do paciente que acabou morrendo depois de ser transferido para Passo Fundo, a prefeitura informou que o translado de outro município ou mesmo dentro de Santa Maria é feito por meio de uma notificação de um assistente social do hospital da internação para a secretaria de Desenvolvimento Social, que verifica se o paciente tem vínculo com SUS ou está inscrito no CadÚnico. Após a análise do caso, com a verificação de renda per capita e outros dados, é encaminhada a funerária conveniada ao município para realizar o translado

*A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS) disse que o posicionamento sobre o caso e as informações seriam dadas por meio da Secretaria Estadual de Saúde.


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