em meio à pandemia

Quais as principais causas de morte na cidade em 2020

Abertura de novos leitos para atender pacientes da Covid possibilitou manter assistência a pessoas com outros diagnósticos

Natália Müller Poll
Foto: Foto: Divulgação (Husm)


Foto: Divulgação (Husm)

Nos últimos meses, um dos maiores receios da população é contrair a Covid-19. A doença já causou mais de 70 mortes em Santa Maria. Porém, conforme dados da prefeitura, o número de óbitos registrados de janeiro a agosto deste ano na cidade - de diferentes causas - sofreu pouca variação, em comparação aos dados do mesmo período de 2019 - o que representa um aumento de 2,6%.

Assim como no ano passado, as três causas mais recorrentes de mortes em 2020 seguem sendo, respectivamente, as doenças do aparelho circulatório, os tumores e as doenças do aparelho respiratório.

Com 42 mortes a mais do que em 2019, as chamadas doenças infecciosas e parasitárias tiveram aumento de 70% em relação ao ano passado. É nessa classificação que a Covid-19 está encaixada.

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ESTABILIDADE
Conforme a médica infectologista Jane Costa, a média de óbitos permaneceu estável e as principais causas seguem as mesmas porque a estrutura médico-hospitalar foi bem planejada para a pandemia: 

- Em algumas cidades, como Manaus, Fortaleza e São Paulo, quando os casos de coronavírus começaram a aparecer, os pacientes Covid foram chegando nos hospitais em forma de avalanche, ocupando os leitos e restringindo a disponibilidade para pacientes com outras doenças. Aqui em Santa Maria, nós conseguimos nos organizar com leitos Covid e leitos não Covid.

Antes da criação dos 55 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em função da pandemia, a cidade contava com 54 leitos. Atualmente, em Santa Maria, das 109 UTIs disponíveis, 72 estão ocupadas. Significa que 37 pessoas estariam desassistidas sem esses novos leitos e, provavelmente, o número de mortes seria bem maior, tanto para Covid-19, quanto para outras causas.

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O isolamento social foi o responsável por possibilitar o trabalho bem planejado que as equipes conseguiram alcançar.

- Trabalhamos precocemente para conseguir isso. Tudo porque orientamos e incentivamos que as pessoas ficassem em casa e que se fechasse tudo naquele primeiro momento. No inverno, já é normal lotar as UTIs. Então, fizemos isso para haver leitos suficientes para todos - conta Jane.

O tão discutido "fique em casa" acabou diminuindo a recorrência das gripes e doenças respiratórias como bronquite, pneumonia e problemas pulmonares, o que, segundo a médica, deu mais fôlego para as UTIs. Por outro lado, ela diz que alguns pacientes de doenças crônicas têm deixado de seguir tratamentos e procurar assistência médica, por medo de contágio do coronavírus:

- As outras patologias todas continuam existindo. Para nossa tristeza, as pessoas estão chegando ao consultório com doenças em estágios muito avançados, chegando a situações graves, que poderiam ser evitadas.

DOENÇAS CARDÍACAS
As doenças cardiovasculares ainda são uma das principais causas de morte no país, segundo dados divulgados anualmente no site da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Brasil. Além disso, pacientes com doenças cardiovasculares são considerados grupo de risco para a Covid-19. 

No mundo, as doenças cardiovasculares seguem matando 17,6 milhões de pessoas - cerca de 31% das mortes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Conforme o médico cardiologista Gustavo Motta, do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo (HCAA), por conta da pandemia, muitos pacientes deixaram de buscar ajuda.

- A procura por consultas baixou de 20% a 30%. Recebi alguns pacientes em estágio mais grave porque ficaram com receio de consultar antes - explica.

Sintomas como dores no peito, desconforto para respirar, incômodo nos braços, ombros e pescoço podem sinalizar um ataque cardíaco iminente. Nestes casos, a procura por atendimento médico deve ser imediata.

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COMO MÉDICOS CLASSIFICAM AS CAUSAS DAS MORTES
As dúvidas sobre a contagem de mortes por Covid são levantadas com frequência pela população. Afinal, pacientes com outras comorbidades que acabam contraindo o vírus, morrem de Covid ou em decorrência dos problemas que já tinham?

O médico infectologista Fábio Lopes Pedro, que já presidiu o Comitê de Análise de Óbitos do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) por 10 anos, diz que o processo de análise de declaração de óbito é muito delicado e precisa ser feito de forma minuciosa.

- O registro de declarações de óbitos apresenta quatro campos de preenchimento, com as letras A, B, C e D. A letra A é a causa imediata da morte. As letras B, C e D configuram a sequência de eventos que levou o paciente ao falecimento, e que estão registrados no prontuário médico - explica.

O médico conta que a maioria das mortes em pessoas que contraem o coronavírus, é em decorrência da Covid-19, e que, em alguns casos, o vírus não participa do adoecimento dos pacientes. Ele explica, ainda, que existe uma diferença entre pacientes que morrem de Covid e pacientes que morrem com Covid (confira abaixo).

ENTENDA AS DIFERENÇAS

  • Faleceu de Covid-19 - Paciente que teve infecção por coronavírus há 50 dias, com internação em UTI, e acaba por desenvolver um quadro de pneumonia, que o leva a morte. A pneumonia causou a morte, mas o que o levou para o hospital foi a Covid
  • Faleceu com Covid-19 - Paciente que se acidentou no trânsito, é internado com traumatismo crânio-encefálico e acaba contraindo coronavírus no hospital. O que levou o paciente ao hospital foi o traumatismo do acidente, então essa é a causa da morte
  • Faleceu de Covid-19 - Paciente que já tem outras comorbidades, como hipertensão e diabetes, contrai coronavírus, é internado e vai a óbito. Essa pessoa, provavelmente não precisaria ir ao hospital se não tivesse com Covid, portanto ela é a causa do falecimento
  • Faleceu com Covid-19 - Paciente que vai fazer algum procedimento de rotina ou cirurgia no hospital e contrai o coronavírus. Se ele não desenvolve nenhum sintoma da Covid, mas mesmo assim acaba morrendo em decorrência dos outros problemas de saúde, então a causa da morte não é Covid

TOTAL DE MORTES (JAN-AGO)

  • 2019: 1.393
  • 2020: 1.430
  • Variação: 2,6% 

VARIAÇÃO DAS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS

  • Doenças do aparelho circulatório: 4,2%
  • Tumores: 3,6%
  • Doenças do aparelho respiratório: -4,1%

VARIAÇÃO DAS DEMAIS CAUSAS

  • Doenças de sangue, como anemias e defeitos de coagulação: 133%
  • Doenças da pele e do tecido subcutâneo: 125%
  • Algumas doenças infecciosas e parasitárias (incluindo Covid): 70%
  • Transtornos mentais e comportamentais: 50%
  • Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratoriais:  - 40%
  • Causas externas de morbidade e mortalidade: -3,8%
  • Doenças endócrinas nutricionais e metabólicas: -4,5%
  • Doenças do sistema nervoso: -9,8%
  • Doenças do sistema osteomuscular (osteoporose) e tecido conjuntivo: -25%
  • Doenças do aparelho geniturinário (doenças ligadas aos rins e órgãos genitais): -27,6% 
  • Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas: -33,3% 
  • Algumas afecções originadas no período perinatal (decorrentes da gestação): -42,1%


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