contatos Assine
com a palavra

Professor universitário aposentado fala sobre suas experiências como seminarista e escritor

23 Fevereiro 2019 14:00:00

Waldemar de Gregori nasceu na Quarta Colônia e já viajou por muitos países

Thays Ceretta


Professor universitário aposentado, Waldemar De Gregori foi seminarista e realizou várias viagens pelo país e para o Exterior. Aos 83 anos, ele é escritor e presta serviço de consultoria internacional em empresas e escolas a respeito do uso dos três cérebros ou cérebro tri-uno. Pai de um filho do primeiro casamento, o médico Waldemar Montoya De Gregori, 53 anos, ele adora curtir os netos Michelle, 20 anos, e Danilo 17. Atualmente, ele mora em Brasília, mas sempre que pode vem visitar o coração do Estado. Com a companheira Davina Maia, ele gosta de estar com a família e entre os bons amigos.

Diário - O senhor sente saudade da infância e do pequeno lugar onde nasceu?
Waldemar De Gregori -
Nasci no melhor lugar do mundo: Santos Anjos, distrito de Faxinal do Soturno, que foi município de Cachoeira do Sul. Se continuar essa fome/sede e ganância de poder, cada esquina será um município e cada indivíduo será um imperador. Além de meus amiguinhos e de minha professora, Gisela Cervo Biachi, a melhor professora do mundo, lembro de trabalhar na roça com minha mãe, Dona Maria, e na carpintaria com meu pai, Lino. Crescer em contato com a natureza é o melhor começo de vida possível. Fui criado com apego à realidade. Lamento pela garotada do asfalto, que acha que a realidade é o celular e o WhatsApp. 

Diário - Por que veio morar em Santa Maria?
Waldemar -
De repente, me dei conta de estar no seminário Palotino de Vale Vêneto, transportado por minha mãe, que era mandada pelos padres, sem ser casada com eles. Mas acabei gostando. Além do currículo normal, aprendi inglês e música. Fiz muito esporte e tive uma juventude sadia. De Vale Vêneto, passei a Cadeado, hoje município de Dr. Pestana. De lá, fui para São João do Polêsine e, depois, para o seminário de Filosofia e Teologia do Cerrito, em Santa Maria, onde comecei o curso de Letras, na atual Universidade Fransciscana (UFN). 

Diário - Por que decidiu sair do seminário e morar em São Paulo?
Waldemar -
Fui convidado a me retirar. Certamente, não foi por excesso de santidade. Mas reconheço e devo gratidão aos palotinos pela oportunidade que me deram de estudar. Ao sair do seminário, em 1961, queria continuar a vida religiosa porque considerava e considero a doutrina dos Evangelhos, ou seja, o ensino do amor e da compaixão, entre outros. Essa é a melhor proposta de convivência, se retirada da era rural e adaptada à vida urbana moderna. Naquele contexto, fui parar em São Paulo, "sem lenço e sem documento", onde tinha um único e precioso amigo, Celestino Zanon. Mas que sorte eu tive de não ser padre, nem pastor. Vejo uns aí dando vexame como pedófilos, outros dando vexame no governo Bolsonaro. Depois de um semestre no seminário diocesano da Avenida Nazaré, em São Paulo, desisti e fui estudar Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia, onde fiz mestrado e doutorado. Logo, fui trabalhar nas favelas do Rio de Janeiro, como coordenador da equipe de organização comunitária da Federação de Ação e Social e Educacional, a convite do querido e saudoso amigo padre Francisco Roggia. O diretor da Federação era um sacerdote americano, muito digno, mas que não podia desvestir a pele de cordeiro americano. Em 1968, ele me botou para fora porque, desde então, eu protestava e protesto contra o imperialismo judeu-anglo-americano. Que bom! Me lancei e me dei bem como free-lancer, treinador de grupos, consultor de empresas e fundador do Movimento de Criatividade Comunitária que espalhei pelo Brasil e pela América Latina.  

Diário - Quais países o senhor já visitou, morou ou palestrou?
Waldemar -
Conheço todos os países das Américas. Conheço os nossos colonizadores políticos, religiosos e econômicos da canalha Europa. Visitei Nagoya e Hiroshima, no Japão. Trabalhei em Moçambique, a serviço das Nações Unidas, capacitando lideranças para a passagem do tribalismo socialista a uma organização social com municípios, cooperativas e começo de democracia. Todos esses lugares me acrescentaram experiência e conhecimento. 


Diário - Depois da viagem para Chicago, o senhor voltou para o Brasil e trabalhou na UFSM. O que lembra daquela época?
Waldemar -
Ao voltar de Chicago, passei dois anos como diretor de faculdade em Belém, no Pará. Depois, fiz concurso para a UFSM, em 1982. Lembro de bons colegas, entre eles, a coordenadora do Departamento de Pedagogia, Neide Uchoa, que me permitiu trabalhar em Educação Comunitária na Vila Kennedy. Lá, fiz uma experiência de ensino-aprendizagem com programa de TV para aluno da terceira série do Ensino Fundamental. 

Diário - O que lhe motivou a montar uma escola de formação em Chicago?
Waldemar - Quando alguns amigos me informaram que estava sendo expedida uma ordem de prisão contra mim, saí pelo Uruguai e Paraguai e fui parar em Chicago, onde me acolheu o mui culto cônsul brasileiro Lindolfo Collor. Com ele, fundei um centro de formação de líderes para latinos e negros. Quando a ditadura amainou e fez a abertura, decidi retornar. 

Diário - Como o senhor iniciou a carreira de escritor? E que temas aborda em sua literatura? 
Waldemar - Fui e sou lutador por mudança social. Luto pela redução das diferenças de classe, sem eliminá-las, mas mantendo uma certa proporcionalidade com um mínimo de dignidade para "os de baixo" e certos limites para os abusos "dos de cima". A forma de alcançar isso não é por revoluções armadas ou milagres econômicos. A única forma é pela educação, mas educação familiar-escolar, em que mães e professoras de primário são as únicas e verdadeiras revolucionárias possíveis. A educação tem que assimilar e desenvolver o que já se sabe sobre o cérebro tri-uno. Por isso, em meus 12 livros, dos quais muitos estão no Google, o foco é a Construção Familiar-Escolar dos Três Cérebros. A coleção é um manual para mães, pais e docentes. Meu último livro, Ciência Social Geral, é um manual básico de iniciação para todas as Ciências Sociais. Quem quiser conhecer mais a respeito desses trabalhos pode acessar o site triadicmind.com, ou então, entrar em contato comigo pelo e-mail wgregori@gmail.com. 


fale conosco

redação
leitor@diariosm.com.br
(55) 3213-7110
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190