covid-19

Na região, maioria das cidades tem incidência de Covid-19 menor do que a média estadual

Santa Maria apresenta o 5º maior índice entre os municípios

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Foto: Pedro Piegas (Diário)

Dos 39 municípios da Região Central, a maioria deles (94,8%) apresenta taxa de incidência da Covid-19 inferior à do Estado, que até sexta-feira era de 1.761,6 casos para cada 100 mil habitantes. Os dados foram analisados a partir dos índices divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). A taxa de incidência é um indicador da ocorrência de novos casos durante um período em uma determinada população com risco de ter a doença. Com ela, é possível comparar locais de diferentes tamanhos quanto ao desenvolvimento do vírus a médio e longo prazo.

Apenas Cruz Alta e Formigueiro possuem taxa superior à média Rio Grande do Sul. Em Formigueiro, apesar de apesentar o pior índice da região pelo levantamento do Estado, a prefeitura considera a situação epidemiológica controlada. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Luis Gustavo Machado, o último boletim apontou que 122 dos 135 casos confirmados na cidade são considerados recuperados.

- São apenas 13 casos ativos, que na próxima semana já encerram o período de incubação do vírus e já podem ser considerados curados. Nós tivemos um aumento no número de testes e isso fez com que desse um salto também. Muitos moradores daqui trabalham no Frigorífico Silva e acabaram se contaminando com o surto lá. Mas agora, a situação está controlada e estamos mantendo todos os cuidados, esperando a vacina sair logo - disse.

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Santa Maria apresenta o quinto maior índice entre os 39. Segundo o médico epidemiologista da Vigilância em Saúde, Marcos Lobato, que também coordena o Centro de Referência Municipal de Covid-19, no caso de Santa Maria é preferível comparar a taxa com a de outros municípios com o porte e características semelhantes.  

- Claro que as dinâmicas de transmissão das doenças nesses locais são um pouco diferentes: a região metropolitana é diferente do interior. Se a gente compara com cidades maiores, Santa Maria não tem nem metade do valor da taxa de Passo Fundo, por exemplo. Mas também temos de levar em conta o momento da pandemia em cada local. Em outras regiões, os casos surgiram bem antes do que aqui, onde a evolução se deu tardiamente. Em Santa Maria os casos aumentaram em um momento em que nos outros lugares do Estado já estava baixando - explica.  

Para o especialista, o que também deve ser levado em conta é o aumento no número de diagnósticos realizados no município: quem testa mais, confirma mais. Conforme o professor Rivaldo Faria, do Núcleo de Pesquisa em Geografia da Saúde (NePeGS) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que faz parte do Observatório de Informações em Saúde, a Covid-19 tem apresentado uma natureza epidemiológica através de polos difusores, como as grandes cidades.

- O vírus se alastra através de polos de difusão. Santa Maria funciona como um polo de difusão da Covid-19 para a região central por conta do papel que ela tem no Estado, recebendo gente do interior.  


SITUAÇÃO DA PERIFERIA
Outro fenômeno que pode ser observado é a taxa de incidência de casos por bairros, elaborada pelo observatório. No final do mês de julho, já era possível afirmar que o novo coronavírus já tinha chegado a regiões periféricas da cidade.   

Segundo Lobato, Santa Maria vive um segundo momento da epidemia, com o aumento de casos nas periferias, que estão sendo as mais atingidas:

- A população moradora destes locais, apesar de ser menos densamente povoados do que o Centro, é muito mais dispersa. Nós ainda temos o Centro e Camobi com o maior número de casos acumulados, mas em compensação, as regiões com poucos casos são regiões mais suscetíveis a terem um aumento, são pessoas com potencial de serem contaminadas. Bairros como a Tancredo Neves, por exemplo, dobraram de casos em uma semana.

Da mesma forma que as grandes cidades funcionam como polos difusores do vírus, o Centro possui a mesma dinâmica, de concentração de maior densidade e fluxos de pessoas.

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- A gente já tinha essa confirmação da periferização dos casos. Então é preciso pensar em políticas públicas que reduzam a importância do polo difusor na disseminação dos casos para toda a área urbana, e desenvolver um trabalho próprio na região central e nas regiões periféricas, dando assistência a esses casos nestes bairros - relata Faria.

O último mapa que mostra a taxa de incidência por bairros na cidade, mostra que o índice permanece alto em regiões como Cerrito, Diácono João Luiz Pozzobon, Nossa Senhora das Dores, Lorenzi e Divina Providência.  

Para dar conta da demanda fora da área central, a prefeitura já organiza a ampliação dos pontos de coleta de amostras para o diagnóstico de Covid-19 em unidades de saúde que possuam a capacidade e segurança adequadas. Além do Centro de Referência e da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 horas, o Pronto-Atendimento Municipal (PA) do Patronato também começou a fazer esse tipo de serviço em casos de pacientes sintomáticos, leves e moderados, que vão consultar no local.

- A gente não quer que as pessoas tenham que pegar um ônibus e vir para o Centro coletar. Ela vai se expor e expor todo mundo, se ela estiver transmitindo. O primeiro local foi o PA do Patronato para dar mais opção à população da Região Oeste. Estamos estudando outros locais, que deverão fazer o serviço por agendamento, para evitar aglomerações - comenta Lobato.

Municípios do interior reforçam medidas e demonstram preocupação

Das 39 cidades da Região Central, Pinhal Grande é o que apresenta a menor taxa de incidência de Covid-19, e a segunda menor dentre os 494 municípios com registro da doença no Estado. Os dados do painel da Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontam apenas um caso confirmado, no entanto, na última semana, esse número subiu para dois. Conforme o boletim mais recente, outras 11 pessoas estão em monitoramento. Dos dois casos, um é considerado recuperado. Para o prefeito Luiz Antonio Burin, o baixo índice é reflexo da própria característica do município, onde 70% da população de 4,5 mil habitantes mora no interior.   

- Sempre temos preocupação com as pessoas que vêm de fora. Aqui a gente reforça as medidas de distanciamento, de uso de máscara, não fazer aglomerações... O comércio é pequeno, as empresas têm no máximo de oito a 10 funcionários. Mas a maioria é o proprietário que atende, ou a própria família - comenta.

Outra preocupação é em relação à situação em Santa Maria, já que há o deslocamento quase diário de veículos da secretaria municipal de Saúde para a cidade grande, que leva os pacientes para consultas e exames em clínicas e hospitais.

Quem já figurou dentre os 10 municípios gaúchos sem casos registrados de coronavírus foi Nova Esperança do Sul. Até o início do mês, a cidade de 5,3 mil habitantes era a única da região a não ter nenhum caso confirmado de Covid-19. Depois da confirmação do primeiro caso positivo no município - um óbito divulgado em 9 de setembro - o número de pessoas infectadas cresceu.

O avanço se deu a partir da segunda quinzena de setembro, com a confirmação de 14 casos em menos de 48 horas. De acordo com o último boletim epidemiológico municipal, já são 51 confirmações - 19 destes considerados recuperados. Com o avanço da circulação do vírus na cidade, o prefeito Antão Perufo precisou tomar medidas mais rígidas em relação ao enfrentamento da pandemia, através de decretos municipais, para tentar conter a proliferação do novo coronavírus.

- Estamos preocupados, sim. Muito. Até porque o município ficou praticamente seis meses sem nenhum caso e de repente tem um aumento significativo. Para nós é uma situação nova. Estamos tomando todas as precauções possíveis e as decisões que temos que tomar são rápidas e enérgicas, porque dependemos dos trabalhadores - argumenta Perufo.

De acordo com o chefe do Executivo, cerca de 75% dos empreendimentos do município são de empresas - há indústrias que movimentam muitos empregos e geram circulação de pessoas.

- Temos que ter todo o cuidado e isso é difícil. Nós tivemos de fechar o comércio não essencial em função deste aumento e estamos tomando as medidas que temos ao nosso alcance. Agora, vai depender de como o vírus e as pessoas se comportam. Eu acredito que muitas ignoraram os sintomas, o que fez com que aumentasse o número de infectados - conclui.

Atualmente, Nova Esperança do Sul é o município de número 332 no ranking de taxa de incidência, considerando as 494 cidades gaúchas com registro de Covid-19. Porém, o painel do governo do Estado só contabiliza 40 casos confirmados até agora. Portanto, esse índice deve aumentar após os dados serem atualizados.  


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