saúde coletiva

'Higiene é a melhor forma de combater leishmaniose', alerta médico veterinário

Doença, transmitida por um inseto, pode atingir animais e também humanos. Neste ano, duas pessoas já foram contaminadas em Santa Maria

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Foto: Foto: Marcelo Oliveira (Diário)
Médico veterinário Carlos Flávio Barbosa trabalha na Vigilância em Saúde de Santa Maria


Foto: Marcelo Oliveira (Diário)

O aparecimento de casos de leishmaniose visceral em pessoas tem preocupado as autoridades em saúde em Santa Maria. Causada por um protozoário, a doença infecciosa crônica atinge cães com maior frequência. Neste ano, pela primeira vez, houve registro de dois casos em humanos e uma morte. 


Segundo o médico veterinário da prefeitura, Carlos Flávio Barbosa, a prevenção para a doença inclui, principalmente, hábitos de limpeza. Combater o inseto que transmite a doença, conhecido popularmente como mosquito-palha, é a melhor prevenção, já que não há vacina contra a leishmaniose e os tratamentos são demorados. A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra, nem dos cães para os humanos.

_ A higiene é a melhor forma de combater a leishmaniose. Cuidar questões como limpeza de terrenos, quintais e também dos ambientes dos animais domésticos. A coleira também ajuda a repelir o inseto e impedir que ele chegue perto dos animais _ explica. 

OS CASOS
De acordo com a Vigilância em Saúde, dois casos de leishmaniose visceral humana foram registrados na cidade em 2021. Um dos casos é de um jovem, de 20 anos, morador do Bairro Nossa Senhora Medianeira, que se recuperou depois do tratamento, realizado em janeiro. Ele procurou atendimento médico em Santa Maria após apresentar quadro de emagrecimento, palidez e fadiga. Depois de um tempo, foi transferido para Porto Alegre, onde foi diagnosticado e recebeu a medicação.

Desde 2017, foram pelo menos 116 casos de leishmaniose em animais em Santa Maria

Já a segunda vítima apresentou um quadro mais grave da doença e morreu. Trata-se de um homem, de 58 anos, que estava em situação de rua. Ainda segundo a prefeitura, a vítima foi internada para fazer tratamento contra o alcoolismo em uma comunidade terapêutica fora de Santa Maria, durante um breve período. Depois de voltar para a cidade, começou a apresentar sintomas graves e foi descoberto de que era portador de leishmaniose visceral. 

_ Ele já estava bastante debilitado e tinha outras comorbidades, como hipertensão. Como demorou muito para se ter o atendimento médico e o diagnóstico, não foi possível reverter o quadro _ revela o médico veterinário da Vigilância em Saúde, Carlos Flávio Barbosa.

Equipes da Vigilância em Saúde percorreram as ruas por onde o homem costumava se abrigar e iniciaram um inquérito sorológico, para tentar identificar se há a presença da doença em animais dessas áreas. Em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social, devem ser pensadas ações para prevenir a doença na população de rua, que é mais exposta. 

NO RIO GRANDE DO SUL
A Secretaria Estadual da Saúde registrou 43 casos autóctones de leishmaniose desde 2008. Ano passado, foram sete. Até junho de 2021, mais dois. Santa Maria está entre os municípios com mais casos contraídos no Estado junto de São Borja, Uruguaiana, Porto Alegre, Itaqui e Viamão.

A SES considera dois casos em Santa Maria, um deles evoluído a óbito. Ambos foram diagnosticados em 2021. E não ha registro em anos anteriores.

No caso de infecções caninas, somente em 2020, foram 325 registros no Rio Grande do Sul. Os municípios com casos caninos autóctones são: Barra do Quaraí, Itaqui, Cacequi, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Borja, Uruguaiana e Viamão.

O QUE É?

  • É uma doença infecciosa sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia e outras manifestações. A leishmaniose afeta tanto os cães quanto os seres humanos

COMO É A TRANSMISSÃO

  • Ocorre tanto em animais quanto em humanos
  • A transmissão acontece por meio da picada de insetos conhecidos popularmente como mosquito-palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. Esses insetos são pequenos e têm como características a coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas. A transmissão acontece quando fêmeas infectadas picam cães ou outros animais infectados e, depois, picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi, causador da leishmaniose visceral.

SINTOMAS

Em humanos

  • Febre por mais de duas semanas
  • Palidez, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia e aumento do baço e do fígado também são sintomas comuns

Nos animais

  • Crescimento abrupto das unhas
  • Perda de pelo
  • Emagrecimento rápido
  • Inchaço das patas
  • Feridas (úlceras) nas orelhas, em volta dos olhos e na região da boca

PREVENÇÃO

  • Limpeza periódica dos quintais e retirada de matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem)
  • Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos
  • Limpeza dos abrigos de animais
  • Para os moradores das regiões com risco de transmissão, recomenda-se a colocação de telas em janelas e portas da residência, para evitar a entrada de mosquitos na casa
  • Usar repelente, principalmente ao anoitecer e ao amanhecer, horário em que o mosquito-palha costuma voar
  • Para os animais, recomenda-se o uso de coleiras contra a leishmaniose (varia de R$ 60 a R$ 300, dependendo da marca e do tempo de duração, e tem de 80% a 85% de eficácia) e também a castração das fêmeas, já que o animal infectado transmite para o filhote a doença pelo sangue


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