destaque mundial

Epidemiologista gabrielense Cesar Victora recebe maior prêmio internacional de sua área

Professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), ele dirige o Centro Internacional de Equidade em Saúde

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Fotos: Daniela Xu/Divulgação

A região central do Estado tem muitos motivos para se orgulhar. Um deles é de ser berço de um cidadão que teve como missão ajudar mães e filhos de todo o mundo a terem uma vida mais digna. Nascido em São Gabriel, Cesar Victora, 69 anos, é médico epidemiologista e professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde, atualmente, dirige o Centro Internacional de Equidade em Saúde. Ele acaba de receber o prêmio Richard Doll em Epidemiologia, principal premiação científica na área da epidemiologia mundial, oferecido pela Associação Internacional de Epidemiologia, dos Estados Unidos.

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O Diário conversou com Cesar por e-mail sobre suas recordações da cidade em que nasceu e viveu até os 8 anos, quando foi morar em Porto Alegre. Ele, que é formado em Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor e PH.D em Epidemiologia da Assistência Médica na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, atualmente ocupa posições honorárias nas universidades de Oxford, Harvard e Johns Hopkins. Mesmo sendo considerado um líder global no estudo das desigualdades na saúde materna e infantil, optou por desenvolver a carreira no Brasil, mais precisamente na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde suas pesquisas ajudaram a definir políticas mundiais nas áreas de amamentação, nutrição infantil e desigualdades em saúde. Nos anos 80, a pesquisa de Victora levou à descoberta da importância do aleitamento materno exclusivo para a sobrevivência infantil, servindo de base para a política de amamentação adotada, a partir de 1991, pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

CARREIRA
Sem perder relação com suas origens, Cesar Victora segue em contato com parentes gabrielenses:

- Eu saí de São Gabriel com oito anos de idade, mas durante minha adolescência gostava muito de passar tempo na cidade. Me lembro bem dos bailes de Carnaval que eram fantásticos. Sigo em contato agora com minha tia Zeni Victora, meus primos Renato e Gilberto, e também com meu primo Jorge Pereira Nunez.

Victora conta que viveu quase toda a vida no Rio Grande do Sul e justifica isso pela valorização da pesquisa nacional, ainda mais pela importância de seu trabalho desenvolvido desde o início da década de 1980.

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- Vivi em Porto Alegre até terminar a faculdade, quando vim para Pelotas. As pesquisas que me levaram a ganhar o prêmio Richard Doll foram realizadas aqui no Estado. Fico muito feliz em ver meu trabalho reconhecido mundialmente, pois esse prêmio é dado somente uma vez a cada três anos, e fui o quinto pesquisador a recebê-lo, e o primeiro que sempre atuou em um país em desenvolvimento. Realmente é uma grande honra - festeja.

Quando se fala em vocação e amor pela humanidade, Victora salienta que desde que se formou e se tornou médico da família, atuando em áreas pobres, ficava preocupado com crianças que consultavam repetidas vezes pelas mesmas doenças. Foi então que resolveu se dedicar à Medicina Preventiva, e especificamente à Epidemiologia.

- Eu orientava o tratamento das crianças que vinham com diarreia, pneumonia ou outras infecções, e pouco tempo depois elas retornavam com novas doenças e com subnutrição. Meus estudos sobre o papel fundamental do aleitamento materno para prevenir doenças infecciosas foram o primeiro passo de minha carreira como pesquisador - recorda Victora.

Fazendo uma retrospectiva, o epidemiologista constata que o mundo mudou, que as crianças brasileiras são muito mais saudáveis agora do que quando começaram a pesquisar, mas isso não quer dizer que sua motivação em contribuir com a humanidade diminuiu:

- Eu, progressivamente, continuei a trabalhar mais com as crianças africanas e asiáticas, onde esses problemas ainda continuam. Como consultor das Nações Unidas, tenho dedicado muito tempo e esforço atuando contra as principais causas de mortalidade infantil no mundo. Isso é o que me motiva a levantar de manhã e a continuar fazendo pesquisa.

CONTRIBUIÇÃO HUMANITÁRIA

No Centro Internacional de Equidade em Saúde da UFPel, o médico desenvolve pesquisas que contribuíram para o avanço de métodos epidemiológicos e estatísticos aplicados à pesquisa em saúde materno-infantil. 

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Nos anos 90, Victora tornou-se consultor da OMS, ajudando a avaliar a estratégia da agência para a gestão integrada de doenças diarreicas e respiratórias e outras causas de mortalidade infantil. Teve papel decisivo para o desenvolvimento das Curvas de Crescimento Infantil, que resultaram em padrões de referência para a avaliação do crescimento de crianças de zero a cinco anos utilizados hoje em mais de 140 países. Seus estudos à frente da Coorte de Nascimentos de 1982 em Pelotas ajudaram a determinar a importância da nutrição e dos cuidados de saúde nos primeiros mil dias de vida da criança - que vão desde a concepção até os dois anos de idade - para a saúde e o capital humano na vida adulta.


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