bandeira preta

Efeitos do Carnaval devem aumentar casos e hospitalizações nos próximos 10 dias

Análise de especialistas é que medidas em vigor, como a classificação do Distanciamento Controlado, são necessárias, mas ainda insuficientes para desacelerar o alto contágio do coronavírus

Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

O mapa do Distanciamento Controlado que seguirá em vigor na próxima semana no Estado será divulgado nesta sexta-feira. Mas o anúncio será meramente oficial, já que o governador Eduardo Leite (PSDB) antecipou, para a TV Band e ao portal GZH, que todo o Rio Grande do Sul seguirá com classificação de risco altíssimo ao contágio do coronavírus.

- Vamos discutir, com cada setor eventuais, ajustes que sejam demandados. Tanto para interesse legítimo que haja em algum setor econômico, quanto para maior rigor para assegurarmos que haja redução dessa taxa de contágio - explicou.

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As medidas mais restritas, porém, são vistas como necessárias por especialistas da área da saúde. Ainda assim, o efeito não é imediato, e o "freio" na crescente de casos, hospitalizações e óbitos só será sentido em cerca de 10 dias.

- Numa perspetiva bem otimista, de que as pessoas estão de fato respeitando as restrições, não estão se aglomerando e, com isso, teremos uma redução de contágio, vamos conseguir sentir os efeitos positivos da bandeira preta lá pelo dia 15. Isso porque há um período de uma a duas semanas depois de pegar o vírus que a pessoa vai demorar para apresentar os sintomas. Então, nesta próxima semana, ainda teremos pacientes que pegaram o vírus antes da bandeira preta que vão começar a procurar atendimento - afirma o médico epidemiologista da prefeitura Marcos Lobato.

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Segundo ele, neste momento, é inviável adotar regras mais brandas do que as da bandeira preta para tentar diminuir a circulação do coronavírus:

- Se as pessoas respeitarem esse período de vigência da bandeira preta, vamos poder voltar a abrir o comércio e ter aulas em breve. Mas se depois as pessoas continuarem a se descuidar, vai continuar esse abre e fecha, o que é ruim para todos. O fechamento do comércio e outros setores é um remédio muito amargo, que não seria necessário se os cuidados básicos fossem acatados - reitera Lobato.

O que impôs a bandeira preta ao Rio Grande do Sul na semana passada foi a razão de leitos de UTI ocupados para os livres estar abaixo de 0,3. Esse dado continua abaixo desse valor. Conforme a assessoria do governador, enquanto o indicador permanecer assim, vai vigorar a bandeira preta. Os protocolos que ditam as regras da classificação, contudo, podem sofrer alterações.

CARNAVAL
O mês de fevereiro foi o que mais contabilizou mortes por Covid-19 em Santa Maria, mesmo com menos dias. Entre os dias 1º e 28, foram registrados 52 óbitos. Já de 12 a 17 de fevereiro, ocorreu o feriado prolongado de Carnaval, em que o risco de contágio foi maior devido às aglomerações. Mesmo que a bandeira preta tenha sido determinada uma semana após esses dias, o que causou a classificação ainda não é reflexo do feriado.

- Nós já estamos em colapso no Estado. Os efeitos ainda serão sentidos na terceira ou quarta semana após o feriado. Não chegamos no pior momento ainda. E não existe medicação capaz de prevenir e tratar. Por isso, nos preocupa o aumento de casos e de hospitalizações em todo o Estado - afirma o infectologista Ronaldo Hallal, membro do Comitê Covid da Sociedade Riograndense de Infectologia.

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INSUFICIENTE
O principal objetivo da bandeira preta, ao restringir o funcionamento de atividades e, com isso, evitar a circulação do vírus, é conseguir desafogar o sistema de saúde, uma vez que os leitos de UTI estão lotados em todo o Rio Grande do Sul.

- Duas semanas em bandeira preta não vão fazer com estejamos livres do vírus, mas vai nos dar condições de liberar leitos. Com isso, teremos condições de garantir atendimento a todo mundo que precisar, o que hoje não é possível com as UTIs no limite. Não podemos deixar que as pessoas morram antes mesmo de conseguir um leito. Hoje, isso ainda não acontece em Santa Maria, e queremos fazer de tudo para que não chegue nesta situação - destaca o epidemiologista Marcos Lobato.

Para Hallal, a bandeira preta não cumpre o papel de prevenção. Conforme o médico, somente o isolamento seria eficiente neste momento da pandemia:

- A taxa de isolamento não chegou a 40% da população. Precisaríamos de 70% para desacelerar o contágio. E não apenas evitar aglomerações. É preciso ficar em casa.

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Em relação a um reflexo da vacinação na diminuição dos dados referentes a casos e mortes, o médico diz que ainda não é possível afirmar quando isso vai acontecer, uma vez que o vírus muda de linhagem e, com isso, muda o perfil dos mais atingidos:

- Nós tínhamos uma expectativa de que, quando a população com mais de 70 anos fosse vacinada, pudéssemos sentir essa diminuição. Mas, essa nova variante P.1 identificada recentemente coloca um ponto de interrogação quanto a isso, já que ela atinge com mais agressividade do que a cepa que tínhamos conhecimento, principalmente as pessoas mais jovens, que ainda vão demorar para se vacinar - considera Lobato.

AUMENTO DE LEITOS
Desde quarta, a capacidade de atendimento de Santa Maria e região tem sido aumentada com a instalação de novos leitos. Até a próxima semana, o principal município da Região Central terá mais 25 unidades de tratamento via Sistema Único de Saúde (SUS) - 15 no Hospital Universitário (Husm) e 10 no Hospital Regional. Caçapava do Sul e Santiago também terão mais vagas. Porém, não há como abrir novos leitos infinitamente, como explica o médico epidemiologista da prefeitura, Marcos Lobato:

- Tem que ter médico, enfermeiro, técnico... vários profissionais para trabalhar na UTI. Não basta ter equipamento ou espaço físico. Não temos mais profissionais habilitados e qualificados para ocupar essas vagas, porque é necessário um conhecimento e uma prática bem específicos, além de agilidade para trabalhar em UTI. E para piorar, os profissionais que temos estão esgotados depois de um ano de trabalho sobrecarregado, quando mal conseguiram tirar férias ou folga.

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Ainda segundo Lobato, outra dificuldade em relação aos leitos de UTI é que um paciente com coronavírus fica internado por bastante tempo.

- Quando uma pessoa contaminada com o coronavírus entra na UTI, não sai de um dia para o outro. Vemos que os pacientes têm ficado semanas lá. Então, tem-se uma demora para que haja a liberação dos leitos. E a quantidade de pessoas que precisam de cuidados intensivo não tem freado. No fim, a liberação de leitos não acompanha a velocidade da necessidade de internações - analisa o médico.

Em Novo Hamburgo, o Hospital Regina emitiu comunicado no qual informa não dispor mais de "capacidade operacional, humana e de equipamentos para atendimento a novos pacientes críticos". Em Imbé, o site Litoral na Rede noticiou que uma paciente morreu por não ter vaga para internação. Porém, ainda que essa seja uma medida paliativa para manter atendimentos, abrir leitos não segura a crescente de casos.

*Colaboraram Janaína Wille e Leonardo Catto


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