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Como será o teste de nova vacina contra Covid-19 que começa segunda-feira na UFSM

Ao menos 60 voluntários vão iniciar participação no primeiro dia do estudo. Até 15 de junho, participantes podem ser recrutados

Leonardo Catto
Foto: Foto: Anselmo Cunha (Arquivo/Diário)

Foto: Anselmo Cunha (Arquivo/Diário)

Santa Maria terá mais pessoas vacinadas contra a Covid a partir da próxima semana. E o número será ainda maior do que as doses aplicadas em ações da prefeitura. A partir de segunda, inicia o novo estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com a empresa chinesa Sichuan Clover Biopharmaceutical sobre um novo imunizante para a doença causada pelo coronavírus. Serão mil voluntários inicialmente, que já começaram a ser chamados via WhatsApp e devem confirmar a ida na primeira visita. 60 foram chamados para a próxima segunda-feira.

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Conforme o coordenador do estudo, o chefe da Unidade de Pesquisas Clínicas do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) Alexandre Schwarzbold, o estudo vai avaliar a eficácia e a segurança do imunizante. A Spectra, como é chamado o estudo, vai ter a fase dois publicada com uma amostra já analisada, inclusive de outros países. A participação brasileira será maior na análise de fase três.

- Já tem publicação na fase 1 dela, e com resultados muito satisfatórios. E que agora deve ser publicado de fase 2. Porque o nosso estudo é fase 2/3, da mesma amostra vai ser retirado um número de pessoas para fazer análise. Nós vamos dar seguimento, os centros brasileiros que entraram agora, junto com os outros do mundo, pra chegar a meta de 22 mil pessoas, talvez um pouco mais - conta.

O estudo vai acontecer de modo semelhante aos testes da vacina de Oxford/AstraZeneca, iniciados em setembro de 2020. Todos os voluntários farão parte de um sorteio e serão divididos em dois grupos. Uma parte recebe a vacina em duas doses. A outra, chamada de grupo controle, recebe o placebo. Apenas ao final da pesquisa, cerca de 13 meses depois do começo, será anunciado de qual grupo o voluntário faz parte.

Assim como as vacinas utilizadas na campanha nacional de imunização (AstraZeneca, CoronaVac e Pfizer), a Clover também é aplicada em duas doses. O intervalo previsto, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 22 dias.

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A VACINA
O imunizante da Clover teve autorização para teste no Brasil em 22 de abril e já era testado na Bélgica, Inglaterra, China e Tailândia, por exemplo. A vacina é voltada para a iniciativa Covax, consórcio comandando pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com países. O Brasil já tem 42 milhões de doses pelo consórcio, e o número pode aumentar a partir da aprovação desta vacina, segundo Schwarzbold.

- É uma vacina que a gente espera, obviamente, a partir da publicação da fase 3, bons resultados e uma aprovação relativamente emergencial no Brasil. Uma vacina a mais, quer dizer, uma provavelmente aumentaria esse contingente de 40 milhões de doses para vir - explica.

O processo de aprovação emergencial da Anvisa aconteceu com a vacina de Oxford/AstraZeneca. Assim, os voluntários passaram pelo "descegamento" do estudo. Isso quer dizer que foi aberto em que grupo eles estavam.

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IMPACTO NA UFSM
Santa Maria se projeta como referência no estudo de vacinas a partir das pesquisas iniciadas durante a pandemia. Além do estudo de Oxford/AstraZeneca e da Clover, mais pesquisas serão desenvolvidas na UFSM.

- Esse estudo representa consolidação de um grupo de pesquisa ligada a vacinologia aqui na universidade. E também uma consolidação da universidade como um centro para pesquisas clínicas com vacinas. E nesse sentido também ajuda a cidade, não só a, no futuro, atrair mais estudos de vacinas, porque nós passamos a ser um centro de referência com condições de desenvolver os estudos, mas também com essa sempre oferta de vacinas população local - avalia Schwarzbold.

No exemplo da primeira vacina contra a Covid-19 testada em Santa Maria,  quem recebeu placebo pôde tomar o imunizante. Ao todo, foram 1.014 voluntários imunizados, além de participantes da equipe do estudo. A expectativa, de acordo com o professor, é que a referencialidade nos estudos siga pós-pandemia.

- Vou dar o exemplo da dengue, de vírus que acometem muitas pessoas no inverno, como as crianças com bronquiolite. E esse é um estudo que nós vamos começar agora em agosto. Tudo isso contribui com a população local. E são vacinas ou novas ou vacinas que já existem mais seguras e mais eficazes no ponto de vista de imunogenicidade (capacidade de criar anticorpos) - projeta.

COMO PARTICIPAR
O recrutamento de voluntários vai até 15 de junho, caso não haja prorrogação

  • Preencher o formulário - Disponível aqui
  • Requisitos - Ter mais de 18 anos e não ter tido Covid-19
  • O preenchimento do formulário não assegura a participação na pesquisa


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