alta demanda

Com leitos ocupados, pacientes chegam a esperar dias em pronto-atendimentos

Falta de vagas é o principal dos fatores na demora para garantir leito em hospital Covid-19

O número de mortes é o reflexo do aumento da contaminação, da forte disseminação do vírus e da consequente lotação dos hospitais. Para manter-se vivos, muitos pessoas precisam de tratamento na UTI, e a espera por uma vaga nestas unidades transforma a vida de pacientes em uma verdadeira saga. Nesta quarta-feira, 14 pessoas aguardavam um leito de UTI fora dos hospitais. Os pacientes estavam sendo assistidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no Centro de Atendimentos e Diagnóstico (CAD). No Pronto Atendimento Municipal, quatro pacientes aguardavam por leitos clínicos.

Um dos pacientes que enfrentou a espera é Luis Fernando Gonçalves, 62 anos. No dia 24 de março, ele deu entrada na UPA. Conforme a filha dele, Franciele Ribas Gonçalves, ele teve 75% dos pulmões comprometidos pela doença, passou cinco dias em uma poltrona reclinável com o suporte de oxigênio e precisava de uma vaga em UTI. Na manhã de terça-feira, Luis Fernando foi intubado e encaminhado a um leito na Casa de Saúde - que não tem Unidade de Tratamento Intensivo. Ainda na terça, o paciente conseguiu uma vaga no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), onde segue internado.

- É de cortar o coração, porque não temos para onde correr. É uma angústia sem fim. Espero que as pessoas possam refletir sobre a gravidade dessa pandemia - relata Franciele. 

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Em nota, a UPA ressalta que é uma Unidade de Pronto Atendimento que deveria receber o paciente, estabilizá-lo e, dentro de 24 horas, encaminhá-lo, se necessário, para um hospital de referência. No entanto, em função da pandemia e da demanda cada vez mais crescente, os pacientes têm ficado muito mais tempo que o indicado para o local. Insatisfações por parte de paciente ou familiar podem ser relatadas junto à ouvidoria da instituição, que funciona no local.

A diretora da UPA e da Casa de Saúde, irmã Liliane Pereira, lembra que a UPA atende de portas abertas, ou seja, todos pacientes que chegam são atendidos e em diferentes complexidades:

_ O sistema de saúde hoje está saturado, e os pacientes acabam permanecendo mais quando deveria ser temporário. Mas, a UPA faz todo o trabalho e dá toda a assistência dentro do que atende o perfil da unidade. 

ESPERA LETAL
Conforme o CAD, sete pacientes morreram a espera de leito neste primeiro trimestre. Eles estavam cadastrados no Gerenciamento de Internações (Gerint) do Estado. Na UPA, conforme os boletins epidemiológicos, 27 pacientes perderam a vida em decorrência da Covid, no entanto, não necessariamente os pacientes ficaram na fila de leitos para serem transferidos.

Ainda de acordo com o CAD, o tempo estimado de espera para leito de UTI, dependendo da gravidade, é de 13 dias. Para a enfermaria, o tempo é de três a cinco dias para se conseguir um leito. Na UPA, são em média três dias ou mais para conseguir leitos clínicos e cinco ou mais para vagas em UTI.

ESPERANÇA, FÉ E SUPERAÇÃO: PACIENTES QUE AGUARDARAM NA FILA E CONSEGUIRAM VENCER A COVID

Foto: Arquivo pessoal
Mara Luciane aguardou quatro dias por uma vaga na UTI. Na última segunda, após internação no Regional, ela teve alta e já se recupera em casa

Na última segunda-feira, a agricultora Mara Luciane Girardi Guidolin, 47 anos, recebeu alta do Hospital Regional de Santa Maria. Ela foi guiada por profissionais de saúde até o pátio, onde foi recebida com emoção e vibração pelos familiares. Em plena recuperação em casa, Mara só tem a agradecer ao tratamento recebido pelos profissionais, ressaltando a importância do atendimento e do esforço diário das pessoas que lutam para salvar a vida dos pacientes.

Mas, antes do alívio, os dias foram de medo e incertezas. No dia 14 de março, ela testou positivo para Covid, já com 30% dos pulmões comprometidos. No dia 16, internou no CAD. No mesmo dia foi constatado que era necessário transferência para UTI. A vaga veio somente quatro dias depois, quando ela foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva do Regional, permanecendo por cinco dias.

_ Foi muito angustiante a espera e a incerteza. Mas, quando consegui a vaga, foi um alivio. A minha recuperação eu dedico a todos os profissionais que me atenderam e não mediram esforço para cuidar com atenção, carinho e dedicação. Fica o meu eterno agradecimento.

CENTRO DE ATENDIMENTOS E DIAGNÓSTICOS (CAD)

  • 7 pacientes incluídos no Gerint morreram na espera de leito neste primeiro trimestre*

A fila nesta quarta-feira:

  • 21 leitos Covid
  • 12 pacientes internados
  • 2 pacientes aguardam leitos de enfermaria
  • 2 pacientes aguardam leito UTI 

Fonte: CAD

PRONTO ATENDIMENTO DO PATRONATO

A fila nesta quarta-feira: 

  • 4 pacientes internados com Covid-19 (todos aguardam leito de enfermaria)

Fonte: prefeitura de Santa Maria

UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO (UPA)

  • 27 pacientes morreram na UPA neste primeiro trimestre*

A fila nesta quarta-feira: 

  • 20 pacientes
  • 12 pacientes aguardando leitos de UTI
  • 5 pacientes aguardando leitos de enfermaria Covid
  • 3 pacientes aguardam leito não Covid

*Não há confirmação que todos estavam em filas por leitos
Fonte: boletim epidemiológico municipal

COMO É FEITA A REGULAÇÃO DE LEITOS E QUAIS OS CRITÉRIOS DE PRIORIDADE
A lista de espera de pacientes aguardando transferência para um leito de UTI no Rio Grande do Sul é regulada por cinco centrais: a Estadual, a de Porto Alegre, a de Caxias do Sul, a de Pelotas e a de Canoas. A Regulação Estadual atua em todos os municípios gaúchos, exceto nos quatro com regulações próprias. 

Caso o paciente precise de uma internação hospitalar em UTI, é solicitada a regulação da vaga, através do Sistema de Gerenciamento de Internações (Gerint), que busca esse leito junto ao estabelecimento de referência, dependendo da especialidade e da região. A equipe médica da central classifica o risco, através de informações sobre as condições clínicas, exames complementares e diagnóstico médico, e procura, na rede do SUS, pelo serviço que atenda às necessidades do paciente. Identificada a vaga, o leito é reservado e disponibilizado ao hospital solicitante.

A classificação de risco de paciente Covid é feita com base em cinco critérios de prioridade, dividido em cores: vermelha, laranja, amarela, verde e azul (veja ao lado). Até a última segunda-feira, conforme dados da Regulação Estadual, 190 pacientes estavam na fila de espera por um leito de UTI em todo o Estado. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) não informou, no entanto, quantos destes pacientes seriam da região da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS). 

Além da fila de espera de pacientes que aguardam por leitos de UTI nos serviços de urgência e emergência, há, também, uma lista de espera interna nos próprios hospitais. São pessoas que, internadas em leitos clínicos, apresentam piora do quadro e necessitam de cuidados intensivos. Por esse motivo, muitas vezes a taxa de ocupação é flutuante, já que na prática, no atual cenário, assim que um leito é vago, logo em seguida já e ocupado. 

Somado a isso, há, ainda, o conceito da chamada "vaga zero", em que para garantir o acesso de pacientes graves, com risco iminente de morte, mesmo na inexistência de leitos vagos, as centrais de regulação enviam esses pacientes às instituições de referência, inclusive fora da referência pactuada. 

CRITÉRIOS DE PRIORIDADE DE PACIENTES CRÍTICOS COVID

  • 1 (vermelho) - Paciente com critérios de diagnóstico de Covid-19, atendido em serviço sem UTI, sem suporte ventilatório adequado para manter saturação acima de 90% e que não possua doença com prognóstico reservado
  • 2 (laranja) - Paciente com critérios de diagnóstico de Covid-19 atendido em serviço sem UTI, em ventilação mecânica ou Hudson com litragem de Oxigênio acima de 12 litros para manter saturação acima de 90% e que não possua doença com prognóstico reservado
  • 3 (amarelo) - Paciente com critérios de diagnóstico de Covid-19, atendido em hospital com UTI ou com suporte ventilatório adequado, com indicação de transferência para UTI de maior complexidade (recurso não disponível no solicitante), e que não possua doença com prognóstico reservado
  • 4 (verde) - Paciente com critérios de diagnóstico de Covid-19, atendido em serviço sem UTI e que possua doença com prognóstico reservado. Neste caso, proceder a regulação para serviço de emergência hospitalar, conforme referência do serviço solicitante
  • 5 (azul) - Paciente com critérios de diagnóstico de Covid-19, atendido em hospital com UTI, e que possua doença com prognóstico reservado. Neste caso, deverá permanecer no serviço solicitante

* Fonte: Secretaria Estadual de Saúde (SES)


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