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Apenas 51% da população usa máscara corretamente em Santa Maria

Durante dois dias, a reportagem observou o comportamento de 314 santa-marienses

Eduardo Tesch e Felipe Backes

Foto: Renan Mattos (Diário) 

Mais da metade das pessoas que circulam pelos bairros de Santa Maria não utiliza máscara. O número cresce, se levadas em conta pessoas que usam o equipamento, mas de forma incorreta. O dado foi levantado pela reportagem do Diário em observações na última quarta e quinta-feiras em quatro regiões da cidade e no Centro.

O número de pessoas sem máscara cresceu, em comparação a outro levantamento semelhante feito pelo jornal em julho de 2020. Na época, 30% dos observados estavam sem máscara. Agora, em março de 2021, de 314 pessoas observadas nos dois dias, 37,3% não usavam o item, e iem plena bandeira preta, de altíssimo risco de contaminação.

Ainda há uma clara diferenciação entre a adesão ao equipamento entre o Centro e os bairros. Enquanto que nas áreas centrais e mais movimentadas, o percentual de uso é de 76,2%, nos bairros é de 38,7%. Na tarde de quarta, durante cerca de duas horas, a equipe do Diário percorreu as principais ruas das zonas Norte, Sul e Oeste da cidade para verificar o uso correto, ou não, do equipamento de proteção individual.

Com a temperatura passando de 30°C na tarde de quarta, na maioria dos casos, as pessoas caminhavam sozinhas e sem máscara. Uma minoria estava com o acessório no queixo, para facilitar a respiração. Mesmo com a forte sensação de abafamento de um dia de verão, em tempos de pandemia, o uso inadequado da proteção pode ocasionar a contaminação de outras pessoas pelo vírus.

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Entretanto, nas ruas mais movimentadas, principalmente na Avenida Paulo Lauda, no Bairro Tancredo Neves, o uso da máscara é mais corriqueiro entre a população, embora, ainda, muitas pessoas desrespeitem as regras impostas pela pandemia. Nota-se que a exigência da utilização do acessório para entrar em algum estabelecimento contribui de forma efetiva para o uso correto da máscara. Muitos pedestres caminham sem o equipamento e, ao se aproximar de uma loja, colocam-no da forma correta. Em ruas secundárias, de menor movimento, o uso da máscara é menos difundido.

A obrigatoriedade da máscara no transporte coletivo também estimula o uso do acessório nas paradas de ônibus. Embora, ainda, muitos usuários esperavam o ônibus com a máscara na mão e só colocavam o equipamento antes de entrar no coletivo.

NÚMEROS
A região sul, dos bairros Dom Antônio Reis, Tomazetti, Urlândia e Lorenzi, é onde mais acaba sendo desrespeitata a medida de controle ao coronavírus. Nesses locais, 37 das 51 pessoas vistas não faziam uso do equipamento. Outras três utilizavam a máscara de forma inadequada (no queixo ou com nariz e boca de fora). A reportagem percorreu as ruas dos bairros na tarde de quarta, entre 14h13min e 15h. Em julho do ano passado, a região também foi campeã no quesito, com 72% das pessoas sem máscara.

Na Região Norte, nos bairros Perpétuo Socorro, Itararé, Salgado Filho e Carolina, a tendência é a mesma. A observação foi realizada entre 15h45min e 16h. Neles, apenas 15 de 50 pessoas usavam a máscara de forma correta. Na Região Oeste, nos bairros Tancredo Neves e Nova Santa Marta, o índice de pessoas sem máscara é de quase 50%, bem maior do que observado em julho de 2020 (32%).

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Na manhã de quinta-feira, a observação foi realizada nas ruas de Camobi, da Região Leste, e do Centro, na Praça Saldanha Marinho. Seguindo a tendência evidenciada no levantamento do ano passado, esses foram os locais onde o uso da máscara é mais comum.

Em Camobi, em observação realizada entre 9h45min e 10h05min, 61,4% das pessoas utilizavam máscara. O Centro foi campeão no uso do equipamento, mas é visível a queda na adesão em relação ao ano passado. Enquanto que, em julho de 2020, 94% utilizavam máscara, na quinta-feira, o índice foi de 76,2%. Outros 12,4% faziam uso de maneira incorreta.

Confira onde é obrigatório o uso do equipamento:

AS REGRAS 

  • Onde é preciso usar - A obrigatoriedade de uso de máscaras é válida nos espaços e vias públicas, de uso coletivo, privado ou público
  • Ônibus, táxis e aplicativos - Segundo a prefeitura, a lei deve ser adequada para táxi, serviço de transporte motorizado privado individual por aplicativo e transporte público coletivo. Também segue a prevalência do uso do item no interior de estabelecimentos que executem atividades, quando autorizado o seu funcionamento, por fornecedores, clientes, empregados e colaboradores Dentro de carros - Apenas no interior de veículos particulares é permitido não usar máscara de proteção facial sem penalidades ao cidadão

Balanço da blitz do Diário sobre uso das máscaras no Centro e nos bairros

Centro

  • Total - 105 pessoas analisadas
  • Com máscara - 80 (76,2%)
  • Sem máscara - 12 (11,4%)
  • Uso incorreto - 13 (12,4%)

Soma dos bairros

  • Total - 209 pessoas analisadas
  • Com máscara - 81 (38,8%)
  • Sem máscara - 105 (50,2%)
  • Uso incorreto - 23 (11%)

Total de Santa Maria

  • Total - 314 pessoas analisadas
  • Com máscara - 161 (51,3%)
  • Sem máscara - 117 (37,3%)
  • Uso incorreto - 36 (11,3%)

A situação por região

Leste

  • Total - 57 pessoas analisadas
  • Com máscara - 35 (61,4%)
  • Sem máscara - 15 (26,3%)
  • Uso incorreto - 7 (12,28%)

Norte

  • Total - 50 pessoas analisadas
  • Com máscara - 15 (30%)
  • Sem máscara - 28 (56%)
  • Uso incorreto - 7 (14%)

Sul

  • Total - 51 pessoas analisadas
  • Com máscara - 11 (21,6%)
  • Sem máscara - 37 (72,5%)
  • Uso incorreto - 3 (5,8%)

Oeste

  • Total - 51 pessoas analisadas
  • Com máscara - 20 (39,2%)
  • Sem máscara - 25 (49%)
  • Uso incorreto - 6 (11,8%)

ESSENCIAL
Para o infectologista Ronaldo Hallal, membro do Comitê Covid da Sociedade Riograndense de Infectologia, o uso da máscara é primordial no controle da pandemia. Ele orienta o uso, preferencialmente, de máscara cirúrgica ou caseira, mas com três camadas de tecido.

- O fundamental é usar máscaras bem adaptadas ao rosto, que não fiquem espaços nas laterais e por cima, onde ela acopla no nariz. E fundamental, também, não apenas evitar aglomerações, mas que se faça o isolamento - comenta.

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Na mesma linha, o médico epidemiologista da prefeitura Marcos Lobato diz que a máscara combate a pandemia ao diminuir a proliferação do vírus por pessoas doentes, muitas vezes assintomáticas, principalmente no caso das máscaras caseiras:

- Elas não são tão boas para proteger a pessoa de se contaminar, mas têm se mostrado bastante eficientes para proteger a pessoa infectada de transmitir para outra pessoa, que é a grande função desde o início.

Para o especialista, entre as máscaras caseiras, as mais eficientes são a de algodão ou tecido sintético duplo. As mais seguras são as máscaras PFF2 ou N-95, mais caras.

- Todo mundo usando, todo mundo estará protegido - diz.

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O uso de máscara de proteção individual é lei em Santa Maria desde 1º de outubro. O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) diz que as regras têm caráter educativo e não arrecadatório para o município. Todas as pessoas que compõem a patrulha da máscara e fiscalizam o cumprimento da lei são voluntárias.

- Quem está sem máscara, a patrulha pede para colocar. Quem não tem, nós damos a máscara. A maior parte da população, antes de ser multada, coloca. O problema é que a gente vê que, na região central, nós temos uma boa aceitação do uso. Mas, em alguns bairros, é complicado - diz o prefeito.



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