saúde pública

Após demissões, Estado promete R$ 8,8 milhões para Hospital Regional

Profissionais lamentam desligamentos. Direção explica foram necessárias adequações por abertura de outras áreas, com novas contratações

Leonardo Catto
Foto: Foto: Guilherme Borges (Prefeitura/Divulgação)

Foto: Guilherme Borges (Prefeitura/Divulgação)

Foram anunciados, nesta segunda-feira, R$ 8,82 milhões para que o Hospital Regional de Santa Maria instale uma unidade de cardiologia de alta complexidade e uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), com implantação de serviços de hemodinâmica, UTI cardiológica e vascular e UTI geral. Além disso, há a previsão de abertura do bloco cirúrgico até final de 2021, conforme a direção. Para isso, novos setores tiveram de ser abertos, o que levou a demissões e contratações. Profissionais lamentam o desligamento e a forma de que foram comunicados.

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A estimativa de que o bloco cirúrgico comece a operar ainda no segundo semestre de 2021 não tem "Dia D". Conforme o diretor administrativo do hospital, Elvis Prestes, para isso, foi aberto o Centro de Material Esterilizado (CME).

- O CME já está em funcionamento. Se tudo der certo, ainda no final do semestre, a ideia é que a gente consiga abrir o bloco cirúrgico. Não tem data certa. Dependemos da aquisição de equipamentos. No que chega, abre o bloco, monta equipe nova - falou.

EQUIPE
A abertura do CME fez necessárias novas contratações. Além disso, o setor de medicina do trabalho, que era terceirizado, foi integrado. Por outro lado, com menor demanda de internação, oito leitos foram fechados. O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) ainda aponta, nesta segunda-feira, 38 UTIs no hospital. A direção chama de "adequações" o desligamento de profissionais.

- Dispensamos algumas pessoas e abrimos outras (vagas). A ocupação está muito baixa, a gente não precisa ficar com esse efetivo todo. Quem a gente pôde aproveitar, aproveitamos - explicou.

Apesar de confirmar as demissões, a direção não informou o número de pessoas dispensadas. Prestes garante que o saldo, entre contratações e desligamentos, é positivo. Há, ainda, a possibilidade de retorno de pessoas desligadas quando o bloco for aberto. 

- Tem término de contrato, as pessoas que chegam nos 90 dias e não aprova. É uma coisa normal. Desligamento mesmo, acho que foi em torno de 20. Se botar na mesa, contratei mais que demiti. Só de pessoas da higienização, foram quase 50 pessoas. E era terceirizado. CME foi em torno de 20. As pessoas que são dispensada sentem, mas outras foram contratadas - disse.

Dois profissionais desligados do Regional conversaram com a reportagem do Diário. Ambos preferiram não se identificar. Eles afirma que cerca de 50 pessoas, entre técnicos de enfermagem e enfermeiros, foram demitidas, número que foi considerado superestimado pela direção. Eles dizem que os contratos não eram temporários.

- Disseram que foi uma ordem do governo. A promessa era manter a gente no trabalho porque iam abrir novos quadros clínicos quando a demanda da pandemia acabasse. Tinha gente trabalhando há mais de um ano, outros eram contratos mais recentes - afirmou um dos profissionais que teve o contrato suspenso.

Outra profissional lamenta também a forma que houve o comunicado. Segundo ela, havia sido dito, em reuniões, que não haveria demissões.

- Na verdade, em nenhum momento nos comunicaram. Chegamos para trabalhar, o telefone começou a tocar, iam nos chamando na sala de imprensa e demitindo. Não explicaram muita coisa, disseram que não precisavam mais dos meus serviços, que o hospital não tinha mais condições de permanecer com o quadro de funcionários. É uma pena um hospital daquele tamanho, que empregou tantas pessoas, deixar os profissionais sem trabalho e não ampliar os serviços agora que diminuiu as internações da pandemia - lastimou. 

Em nota, a SES afirma que a gestão do Regional é da Fundação Universitária de Cardiologia, que é responsável pela contratação e demissão de profissionais. O Estado não tem nenhuma ingerência ou interferência nestas ações, apenas na fiscalização sobre compatibilidade salarial e direitos trabalhistas.

PROGRAMA AVANÇAR
A previsão do bloco cirúrgico não é a única expectativa para o Hospital Regional. O governo estadual anunciou, nesta segunda-feira, um pacote de R$ 249,7 milhões para a saúde. Desses, R$ 177,5 milhões serão enviados para 20 hospitais de 16 regiões do Estado. O objetivo é que as redes hospitalares façam obras, reformas e aquisições de equipamentos.

No Regional, são previstas uma unidade de cardiologia de alta complexidade e uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), com implantação de serviços de hemodinâmica, UTI cardiológica e vascular e UTI geral. Ao Hospital Regional serão R$ 8,82 milhões. A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) ainda não sabe qual o prazo para o repasse da verba e funcionamento pleno dos novos serviços.

O Hospital Regional foi inaugurado em julho de 2018 e operava apenas com um ambulatório. Durante a pandemia, o hospital passou a contar com leitos clínicos e de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19. Quando completou três anos aberto, o hospital não tinha previsão de funcionamento total.

O programa Avançar RS pretende acelerar o crescimento econômico e incrementar qualidade da prestação de serviços em diferentes áreas, como cultura, segurança, educação, meio ambiente e tecnologia.

Além dos hospitais, parte dos recursos serão distribuídos para a implementação da Rede Bem Cuidar (RBC) na Atenção Primária à Saúde (APS), para a Farmácia Cuidar+ e para a estrutura da SES.

*Colaboraram Jaiana Garcia e Laura Gomes


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