covid-19

Abril termina como segundo pior mês da pandemia em Santa Maria

Perspectiva de especialistas indica que maio deve continuar com índices de casos e hospitalizações elevados

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)

Depois de enfrentar o pico da pandemia no mês de março, Santa Maria tem queda significativa de novos casos contabilizados no mês de abril, mas o número de mortes e internações permanece estável em relação ao mês passado, o que preocupa especialistas. Com isso, abril terminou como o segundo pior mês desde o início da pandemia na cidade.

Durante o mês, Santa Maria ultrapassou a marca das 500 mortes associadas ao coronavírus e agora já chega a 564. Em abril, o total de óbitos chegou a 147, mas esse número ainda pode aumentar, pois é comum que hajam notificações atrasadas. Esse número é quase igual ao de março, quando 150 pessoas morreram vítimas da Covid-19, segundo a prefeitura.

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Em relação à internação de pacientes com Covid-19, tanto em UTI como leitos clínicos, a situação é parecida. Em março, foram 417 hospitalizações, e em abril 408. Esses número são bem superiores aos meses de janeiro e fevereiro, quando houve 172 e 128 internações, respectivamente. 

De acordo com o médico epidemiologista da prefeitura Marcos Lobato, os índices da pandemia tem diminuído muito lentamente e deve demorar um pouco até que se volte aos níveis de janeiro e fevereiro, antes do pico de março.

- Tivemos muitas pessoas que se internaram no início de abril, ou seja, se contaminaram ainda em março. Também teve casos de óbitos de pessoas que já estavam internadas desde março também. A Covid-19 é uma doença que demanda muito tempo de internação, por isso, as pessoas demoram para sair e os hospitais ficam lotados. Era esperado que alguns índices continuassem elevados, por causa desses resquícios - explica.

O único dado com redução expressiva foi no número de casos confirmados. Em abril, foram 2.771 notificações, contra 6.560 em março - 3.789 a menos. Mesmo que também possam haver casos ainda não informados, esse índice é parecido com o registrado em janeiro, quando houve 2.858 contaminações. 

ÓBITOS

  • Janeiro - 55
  • Fevereiro - 51
  • Março - 150
  • Abril - 147 (ainda podendo haver registros)

INTERNAÇÕES POR COVID-19

  • Janeiro - 172
  • Fevereiro - 128
  • Março - 417
  • Abril - 408

CASOS CONFIRMADOS DE COVID-19

  • Janeiro - 2.858
  • Fevereiro - 4.015
  • Março - 6.560
  • Abril - 2.771 (ainda podendo haver registros)

NOS HOSPITAIS 
Segundo o diretor técnico do Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, Luis Gustavo Thomé, os hospitais permaneceram operando no limite em abril. A redução de novas internações foi percebida, mas ainda há muitos pacientes que procuram atendimento.

- O fluxo de saída, infelizmente, não tem sido tão rápido como o de entrada nos hospitais. As pessoas com Covid-19 ficam muito tempo internadas. E os nossos profissionais de saúde estão exaustos, depois de mais de um ano de trabalho intenso - afirma. 

O relato no sistema público de saúde é semelhante ao de Thomé. Conforme a chefe da UTI do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), Janice Soares, o hospital segue com ocupação máxima e com uma lista de espera do Sistema de Gerenciamento de Internações (Gerint).

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- Desde que a pandemia se agravou neste ano, nossas taxas de ocupação estão sempre no máximo. Não houve nenhuma folga até agora. Quando um leito fica livre, logo já é destinado para outra pessoa. Na prática, não sentimos nenhuma melhora na pandemia - conta. 

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que é a porta de entrada para pacientes com coronavírus pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a demanda por atendimento também se intensificou em fevereiro e março, e ainda não foi percebida nenhuma redução.

-  Acontece de, em algumas semanas específicas, ter menos procura, mas isso não é contínuo. Ainda temos muita procura e, em abril, chegamos a ter uma ocupação de mais de 200% durante alguns dias - destaca a administradora da UPA, Manuela Trevisan. 

O QUE ESPERAR DOS PRÓXIMOS MESES
Segundo Lobato, as medidas de distanciamento e diminuição na circulação de pessoas são as formas mais eficazes para se frear a contaminação. Ele considera que os períodos em que Santa Maria esteve em bandeira preta foram importantes para que os dados da pandemia não fossem ainda piores. Porém, ao analisar todo o contexto social, Lobato percebe que a bandeira preta causou reduções momentâneas nos índices, que logo em seguida voltaram a subir.

- Os estudos e experiências de outros países mostram que o lockdown foi a medida mais efetiva para diminuir a contaminação. Aqui no Brasil a gente não teve lockdown. O que tivemos foram períodos pequenos de restrições mais severas. Tudo isso causa uma montanha-russa, um sobe e desce de casos, o que não é saudável - explica

Por isso, ele considera que a adoção dessas medidas restritivas por longos períodos, sem auxílios financeiros que permitam o sustento das pessoas, não fazem com que os números tenham uma redução efetiva e permaneçam baixos. 

- A bandeira preta, do jeito que acontece, não é viável de se manter por muito tempo, porque precisamos ver todos os lados. Os países que fizeram lockdown, ofereceram recursos e formas para a população sobreviver. Aqui, isso não acontece. Na epidemiologia, precisamos de uma visão ampliada. Não adianta fechar tudo e deixar as pessoas sem os auxílios necessários para o sustento - analisa. 

Com o avanço da vacinação, é esperado que se tenha uma melhora no cenário, o que ainda pode demorar. Para os próximos meses, a expectativa de Lobato não é otimista:

- A experiência que temos até agora nos mostra que sempre que há mais flexibilizações, os dados de contaminação sobem. Devemos continuar com patamares altos nos próximos meses, e a chegada do frio também faz aumentar as doenças respiratórias e a procura hospitalar como um todo.


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