entrevista

5 dúvidas sobre os testes da vacina de Covid-19 em Santa Maria

Coordenador do estudo clínico, Alexandre Schawrzbold, respondeu perguntas sobre testagem

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Santa Maria está entre as cidades brasileiras que recebem testes da vacina da Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa biofarmacêutica AstraZeneca. Desde 28 de setembro até a tarde desta terça-feira, foram mais de 100 aplicações da primeira dose no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Até novembro, a meta é de mil voluntários.

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O coordenador do estudo clínico na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é o médico epidemiologista Alexandre Vargas Schwarzbold. Ele é presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia e chefe da Unidade de Pesquisa Clínica (UPC) do Husm. Em live, Schwarzbold foi entrevistado sobre esta etapa do testes.

1) POR QUE OS TESTES SÃO FEITOS EM SANTA MARIA?
Inicialmente, os testes desta vacina eram feitos em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A amostra contava com 5 mil voluntários. O número dobrou, e foram inclusas mais três cidades: Natal, Porto Alegre e Santa Maria.

- A Unidade de Pesquisa Clínica do Husm conseguiu estruturar melhor nossa unidade no hospital. Com a pandemia, tivemos uma emergência maior nos estudos de doenças infecciosas. Minha experiência na área de doença infecciosa associada a de estudos clínicos permitiu que nossa unidade tivesse um olhar para pesquisas específicas em coronavírus. Nesse sentido, com uma relação acadêmica com a coordenadora no Brasil desse estudo, a professora Sue Ann, falamos da hipótese de trazer para a Região Sul. Trabalhamos numa qualificação do nosso centro para estudos de vacina, e isso nos permitiu iniciar uma parceria e uma relação contratual com a Fundação Bill Gates, dos Estados Unidos. A vacina de Oxford seria a primeira junto nessa parceria - conta Schwarzsbold.

O Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, foi indicado para o estudo e também recebe testes. A necessidade da Região Sul e a capacidade estrutura do centro de pesquisa no Husm fizeram com que Santa Maria também fosse escolhida.

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2) QUEM PARTICIPA DO TESTE FICA IMUNE AO VÍRUS?
O estudo clínico não é campanha de vacinação. Ainda não existe vacina para o coronavírus no mundo, mas a de Oxford é uma das que estão em fase mais avançada, mas ainda não garante imunidade.

Para analisar a eficiência, metade dos voluntários recebem a dose do teste. Outra metade é chamado de "grupo controle" e, neste caso, recebe a vacina para meningite meningocócica.

- Essa vacina já tem estudos publicados e consolidados de fases precoces que mostram eficácia próxima de 70%. Isso quer dizer que sete em 10 pessoas devem produzir anticorpos, mas não é 100%. Isso nos permite, se a gente aumentar o número de pessoas vacinadas, produzir uma imunidade coletiva, a chamada imunidade de rebanho, e proteger até pessoas que não se vacinaram, porque o vírus não vai achar um novo hospedeiro - explica.

QUEM NÃO PODE SER VOLUNTÁRIO

  • Mulheres grávidas ou que planejam engravidar 
  • Pessoas alérgicas a paracetamol
  • Histórico de Covid-19 confirmado em teste laboratorial
  • Pacientes em tratamento contra o câncer
  • Histórico de alergia a pelos de animais, pólen, medicamentos, veneno, alimentos ou medicamentos

QUEM PODE SER VOLUNTÁRIO

  • Maiores de 18 anos 
  • É preciso ter alta exposição à Covid-19
  • São priorizados trabalhadores da saúde, do comércio, segurança e transporte público

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3) QUAIS REAÇÕES O VOLUNTÁRIO PODE TER?
Já foram vacinadas milhares de pessoas no Brasil com o teste da vacina de Oxford. Nenhuma delas teve reações graves até o momento. Em Liverpool, na Inglaterra, uma idosa apresentou uma reação que levou a interrupção temporária do estudo.

- Um comitê independente avaliou a situação da idosa e identificou que ela tinha uma doença crônica que não havia sido diagnosticada. Isso é outro viés positivo para quem participa de um estudo clínico, acaba se investigando tudo sobre aquela pessoa. Foi visto que ela tinha uma doença que não estava associado à vacina. No mundo, não tivemos nenhum caso grave, e já vacinamos quase 50 mil pessoas - fala.

Entre os voluntários que já receberam a dose em Santa Maria, segundo o médico, cerca de 8% tiveram reação vacinal, tal qual acontece com outras vacinas - como a da gripe, por exemplo. O participante pode apresentar febre baixa e dor de cabeça, mas os sintomas duram de 24h a 48h. Schawarzbold lembra que o teste é cego, ou seja, não há como saber qual vacina o participante recebeu.

4) GRUPOS DE RISCO PODEM SE VACINAR?
Um dos grupos que é público-alvo do teste é o dos idosos, de preferência aqueles que são trabalhadores ativos e que tenham exposição. Qualquer participante com doença crônica pode participar desde que a doença seja considera estável.

- Essa vai ser uma das primeiras vacinas para Covid-19 desenvolvida em Santa Maria. Estamos com a ideia de, na sequência, entrar em ensaios de outras vacinas - conta.

5) TOMEI A 1ª DOSE. E AGORA?
A partir do momento em que é vacinado, o participante é monitorado semanalmente pela equipe do estudo por um ano. Se o voluntário apresentar febre, tosse ou outros sintomas associados ao coronavírus, ele será orientado a ir até o hospital para fazer o teste para o vírus. Em 30 dias, a segunda dose da vacina deve ser aplicada.

- O participante também é orientado a contatar a equipe caso tenha um sintoma. A exceção disso são as primeiras 48 horas logo após a aplicação, quando é comum em 10% ter reação vacinal - explica.

COMO SE INSCREVER 
Envie um WhatsApp para o número (55) 99163-6454 e identifique-se. Os selecionados receberão contato também pelo WhatsApp para marcar a primeira consulta clínica.

*Colaborou Leonardo Catto


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