vacinação

296 santa-marienses não tomaram a segunda dose contra Covid-19

Especialistas apontam risco de prejuízo na eficácia e continuidade da transmissão. Prefeitura espera buscar ausentes e completar imunização

Leonardo Catto
Foto: Foto: Anselmo Cunha (Diário)

Foto: Anselmo Cunha (Diário)
Em dois dias, profissionais da Erasmo Crossetti aplicaram segunda dose em 641 pessoas que faltaram ação anterior

Depois das ausência na ação de aplicação da segunda dose, a prefeitura mensurou 296 pessoas, entre idosos e profissionais da saúde, que não tomaram o reforço. A quantidade por cada grupo não foi discriminada, mas o município espera "buscar" quem são os ausentes para completar a imunização.

Não é somente em Santa Maria que segunda dose se tornou uma preocupação. O Ministério da Saúde estima que 1,5 milhão de brasileiros têm o reforço atrasado. Somente no Rio Grande do Sul, o dado da Secretaria Estadual da Saúde (SES) aponta 114 mil segundas doses que já poderiam ser aplicadas, mas não tiveram o registro localizado.

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O chefe da Unidade de Pesquisa Clínica no Hospital Universitário de Santa Maria, Alexandre Vargas Schwarzbold, explica que a falta da segunda dose é um problema individual, mas que reflete no coletivo.

- A primeira serve para estímulo à resposta imune. O reforço é fundamental. A resposta celular, além de anticorpos, se dá a partir da segunda dose. Não vamos produzir uma imunidade de rebanho se um bom número de pessoas tiver feito apenas a primeira - afirma.

O biólogo Átila Iamarino, especialista em virologia, ganhou destaque durante a pandemia com explicações didáticas sobre o coronavírus. Ele defende campanhas de conscientização pela "noção completa" da necessidade de se vacinar.

- Quem toma só uma dose pode desenvolver imunidade parcial, o que não seria suficiente para proteger. Mas pode ser suficiente para selecionar linhagens virais que escapam dessa imunidade - escreveu uma rede social.

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Os dados a nível nacional, porém, precisam de cautela na análise. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o Ministério da Saúde pode ter números defasados pela demora no envio pelos municípios. O médico explica, ainda, que a chamada "taxa de abandono" é comum em vacinações por etapas.

- Às vezes, por ter reação, (a pessoa) não quer ir mais. Ou acha que já está protegida. O esforço deve ser para a taxa ser menor. Zero, nunca vai ser - fala.

Kfouri cita exemplos de vacinações como a do HPV e da Hepatite B, que ocorrem em três doses. A cada etapa, a taxa de abandono costuma ser maior. A expectativa é que, no caso da Covid, a situação da pandemia fizesse com que menos pessoas faltassem.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

BUSCA ATIVA
O trabalho de busca pelos faltantes será feito pela prefeitura com apoio com professores do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O esperado é verificar quais os motivos das faltas, contatar os faltantes e completar a imunização.

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A prefeitura já afirma que a maioria se dá "por esquecimento, por doença ou por viagem". As doses dessas pessoas ficam garantidas e armazenadas no Setor de Imunizações. A cada ação de vacinação, quem deixar de comparecer pode receber a segunda dose na Policlínica Erasmo Crossetti.

No último sábado, eram esperados 2.936 idosos com 77 anos ou mais que receberam a primeira dose em 13 de março. Foram 2.306, e os 630 poderiam ter a complementação na segunda ou terça-feira na policlínica. Porém, ainda pela manhã desses dois dias, o público procurou um dos seis locais disponíveis na primeira aplicação. O problema, segundo os idosos, é que na carteira de vacinação a data indicada era 13 de abril.

À tarde, a policlínica tinha fila na Rua Floriano Peixoto quase até a esquina com a Avenida Presidente Vargas. Apenas sete aplicadoras davam conta do público. Delci Leal, 77 anos, foi uma das vacinadas com a primeira dose no Colégio Marista. Ela não poupa elogios para o primeiro dia, quando esperou menos de uma hora para ser vacinada e chegar em casa.

- Foi um atendimento maravilhoso, e está péssimo. Faz duas horas, nesse sol - reclamou.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)
Delci Leal esperou até 13 de abril, data marcada na carteirinha, para buscar segunda dos

A prefeitura diz que a data marcada na carteira de vacinação é apenas uma referência para o vacinado. A previsão é feita com antecedência e nem sempre coincide com as datas de ações de vacinação. A secretária adjunta de saúde, Ana Paula Seerig atribui os transtornos na fila ao fato de os faltantes serem mais numerosos no último sábado. Ela considerou que, nas próximas datas, o esperado é que a população priorize o primeiro dia de segunda dose.

- Foi pontual devido a muitas faltas. Nosso equívoco neste dia pode ter sido antecipar. Mas a gente reforça que a população fique atenta ao calendário e possíveis mudanças - diz.

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LISTA DO ESTADO
Cada município gaúcho vai receber um relatório dos idosos que não tomaram a segunda dose. A intenção é acelerar a imunização. Segundo a Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), os próprios municípios podem gerar essas informações.

Schwarzbold, contudo, atenta para o cuidado do tempo entre as doses. A eficácia é prejudicada se o intervalo é maior que o recomendado.

- No caso da vacina de Oxford, em jovens, três semanas após primeira dose, a eficácia pode ser de 70%, mas não de forma duradoura. Quando a gente adia muito, depende da vacina, a perda de eficácia é maior. No caso de Oxford, que nos permite dizer uma eficácia ótima com três meses, não adianta tomar com cinco, por exemplo - explica o coordenador dos testes do imunizante na UFSM.

Caso seja o caso de ter perdido a segunda dose, a recomendação de Kfouri é completar o esquema. Ou seja, tomar a segunda dose mesmo depois do tempo.

Ao todo, 224 mil gaúchos estão no tempo oportuno para receber a segunda dose. Em Santa Maria, o vacinômetro da prefeitura indica 52.861 pessoas com a primeira dose, e 12.819 com a segunda. A última atualização foi feita em 12 de abril.

VEJA O CALENDÁRIO DA 2ª DOSE EM SANTA MARIA

PRIMEIRA DOSEGRUPOSEGUNDA DOSE
16 de marçoIdosos com 77 anos ou mais de Santa Flora16 de abril
20 de marçoIdosos com 74 anos ou mais17 de abril
17 de marçoIdosos com 77 anos ou mais de São Valentim19 de abril
24 de marçoIdosos com 70 anos ou mais

22 de abril

24 de marçoIdosos com 70 anos ou mais do Passo do Verde
22 de abril
27 de marçoProfissionais liberais da saúde24 de abril
26 de janeiroTrabalhadores da atenção básica do município

26 de abril

27 de marçoIdosos com 70 anos ou mais de Arroio Grande
26 de abril
30 de marçoIdosos com 70 anos ou mais de Santa Flora
27 de abril
31 de marçoIdosos com 70 anos ou mais de São Valentim
28 de abril
1º de abrilIdosos com 65 anos ou mais 29 de abril
1º de abrilIdosos com 65 anos ou mais 29 de abril
3 de abrilIdosos com 64 anos ou mais 

1º de maio

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