eleições 2020

Quem herderá os votos do bolsonarismo na cidade?

Três candidatos largam na frente em busca de apoio do eleitor do presidente

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Foto: Pedro Ladeira (Folhapress)

Com quase 92 mil votos em Santa Maria, Jair Bolsonaro, à época no PSL, fez quase 61,5% dos votos válidos no quinto maior colégio eleitoral do RS, na disputa presidencial de 2018. Uma demonstração que o bolsonarismo fez do município encravado no centro do Estado um case da onda conservadora, inaugurada após a vitória do capitão da reserva e que tinha, até então, no currículo quase três décadas de atividade como deputado federal.

Passados dois anos daquele pleito, uma outra eleição anuncia - a disputa à prefeitura e ao Legislativo - e a pergunta que os dirigentes de siglas se fazem: como votarão os eleitores de Bolsonaro? E qual será o candidato a ter esse quinhão de votos?

No município com seis pré-candidaturas, todas já devidamente oficializadas, há movimentos de candidatos que se colocam para se valer deste valoroso e representativo nicho: o bolsonarismo.

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Ainda que não tenhamos um candidato que se apresente publicamente como um defensor do governo do presidente, há, sim, aqueles que querem tirar proveito disso. E nesta briga, ainda que velada e discreta, saem na frente os candidatos da direita.

INDÍCIOS

Os vestígios mais significativos do DNA bolsonarista podem ser vistos de forma mais clara em três pré-candidaturas: duas, como se poderia imaginar, governistas, e, a outra, de oposição. Uma delas é a do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), que buscará a reeleição, ao lado do PSL, que ocupa a vaga de vice com o empresário Rodrigo Decimo. Com quase duas décadas de política, e sempre filiado ao mesmo partido, o tucano Pozzobom nunca se mostrou como um bolsonarista. Nem por isso, dá de ombros ao governo central, que é comandado pelo militar da reserva.

ALINHADO

Há, contudo, uma outra pré-candidatura, igualmente governista, que sai à frente quando a régua do bolsonarismo mede maior alinhamento e engajamento. É a pré-candidatura de Sergio Cechin (Progressistas), que terá como vice o nome do vereador Francisco Harrisson (MDB). Tendo como fiador da campanha o senador Luis Carlos Heinze, um apoiador de primeira hora de Jair Bolsonaro, Cechin tem ligeira vantagem.

A outra candidatura é a de Jader Maretoli (Republicanos), mesmo partido do senador Flavio Bolsonaro, que carrega as bandeiras "da família, de Deus e da fé".

As estratégias para se distanciar (das polêmicas) e se aproximar dos votos

Se distanciar das polêmicas ditadas pelo presidente, reconhecer os ganhos nas reformas (emplacadas pelo ministro Paulo Guedes), o discurso de combate à corrupção entoado por Bolsonaro em 2018 e, ainda, a bandeira da moral e dos bons costumes são os argumentos utilizados por dirigentes e pessoas ligadas às candidaturas ao Executivo municipal.

Edmar Mendonça, que preside o PSL local, entende que a dobradinha Pozzobom (PSDB) e Decimo sai na frente:

- O PSL preza por segurança pública, excelência na prestação de serviços públicos, combate à corrupção e liberalismo econômico, ou seja, princípios utilizados pelo presidente Bolsonaro e aplicados pelo prefeito Pozzobom.

Na outra candidatura, a de Sergio Cechin (PP), Rafael Dulor, que é o coordenador da coligação com oito partidos (entre ele o PRTB do vice-presidente Mourão), acredita no trânsito de Cechin com o senador Heinze, um interlocutor do governo Bolsonaro no Estado:

- O Cechin quer governar, se eleito for, para todos, sejam eles bolsonaristas ou não. O principal fiador da campanha do Cechin é o senador Heinze, que tem trânsito com a cúpula do governo, o qual temos total alinhamento.

Na outra candidatura, Jader Maretoli (Republicanos) diz que "poucos têm chances de se conectar ao eleitor de Bolsonaro":

- As bandeiras que o presidente trouxe em 2018, eu já as mostrava em 2016. A resistência que encontrei deve ser desfeita agora. Não sou bolsonarista, mas temos bandeiras semelhantes.

Os nomes habilitados

Jader Maretoli (Republicanos)

  • Candidato pela segunda vez à prefeitura de Santa Maria, o pastor evangélico quer mostrar que não é uma opção "segmentada". Ou seja, ele quer mostrar que tem um leque de aceitação maior do que há quatro anos quando obteve quase 19,5 mil votos
  • Com a narrativa de ser o candidato "da família", Jader, como gosta de ser chamado, acredita que está "mais próximo e conectado" às bandeiras dos eleitores do bolsonarismo
  • O fato de ter sido, até este ano, secretário-adjunto de Esporte e Lazer de Eduardo Leite (PSDB) não é algo que possa afugentar esses votantes. Até porque, segundo ele, a função dele foi exercida de forma técnica "e distanciada da política"
  • Jader diz "não buscar surfar na onda do bolsonarismo", uma vez que a bandeira de ser o candidato "da família e de Deus", era algo que ele trouxe, ainda em 2016, "antes mesmo de Bolsonaro
  • Bem-humorado, Jader fala "se há alguém que tem as mesmas bandeiras minhas, é ele (Jair Bolsonaro)"
  • Jader, contudo, ressalva achar estanho que muitos candidatos que fizeram justamente o contrário do que o presidente prega no tema da Covid-19, queiram, agora, "parecer próximos dele" 
  • Ainda que seja do mesmo partido do senador Flavio Bolsonaro, Jader não crê que esse fator seja determinante para uma absorção de voto

Sergio Cechin (Progressistas)

  • O atual vice-prefeito tem como fiador o maior nome do PP gaúcho, o senador Luis Carlos Heinze, o que lhe assegura uma chance maior de conquistar os votos dos bolsonaristas
  • Heinze tem sido um importante interlocutor das questões de Santa Maria. Neste ano, por meio da articulação dele, foram assegurados recursos para a Travessia Urbana e também para o Hospital Regional de Santa Maria e Casa de Saúde, em meio à pandemia
  • O alinhamento de Heinze com o presidente Bolsonaro é um cartão de visitas para que Cechin avance em busca dos votos dos eleitores do militar
  • Em julho, o vice-prefeito e pré-candidato à prefeitura solicitou a aquisição de hidroxicloroquina, azitromicina, zinco e ivermectina para serem disponibilizados à população por meio de prescrição médica
  • Além disso, a coligação de Cechin tem ainda o MDB, que ocupa a vaga de vice com o nome de Francisco Harrisson. O partido conta com nomes ligados ao presidente Bolsonaro
  • Um desses emedebistas é o ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, o deputado federal Osmar Terra
  • Nesta composição política, ainda que seja do PSL, que está na coligação de Jorge Pozzobom, o deputado estadual tenente-coronel Zucco tem sido uma voz presente e próxima ao PP local
  • Além disso, a coligação tem ainda o PRTB, partido do vice-presidente da República Hamilton Mourão

Jorge Pozzobom (PSDB)

  • Com o PSL de vice na chapa, vaga ocupada por Rodrigo Decimo, Pozzobom pode pontuar com parte do eleitorado de Bolsonaro
  • O PSL foi a sigla em que Bolsonaro estava filiado quando venceu o pleito de 2018. Por aqui, a sigla, ainda que sem grande expressividade, conseguiu emplacar o nome para vice na chapa governista à reeleição de Pozzobom
  • Tanto Pozzobom quanto Decimo nunca se declararam "bolsonaristas". Pozzobom, aliás, não tem aparentemente nenhuma restrição com o presidente. O que o distancia dos votos dos bolsonaristas é a questão da pandemia. Ao seguir a cartilha de Eduardo Leite (PSDB) com o modelo de distanciamento controlado, Pozzobom se afasta dos votos do presidente Bolsonaro
  • O trânsito livre em Brasília que o tucano tem assegurou, até aqui, a reversão de mais de R$ 30 milhões perdidos do antigo PAC
  • Além disso, o chefe do Executivo municipal obteve, ainda no fim do ano passado, R$ 36 milhões para o Hospital Regional
  • A coligação tem ainda o DEM, partido de Onyx Lorenzoni (ministro de Cidadania), que tem forte relação com Santa Maria. Além disso, a chapa Pozzobom/Decimo teve, recentemente, a chegada do Podemos - sigla do senador Lasier Martins - que pode ajudar na busca por um eleitor mais à direita
  • Ultimamente, com as tratativas para a vinda da Escola de Sargentos para Santa Maria, Pozzobom quer se aproximar e ganhar o votos dos militares


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