escola de sargentos

O elevado custo de uma decisão política na escolha da sede da ESA

ESA poderá trazer para a cidade 2,2 mil alunos, alem de investimentos que ultrapassam R$ 1 bilhão

Marcelo Martins e Maurício Araujo

Disciplina e hierarquia compõem a espinha dorsal das Forças Armadas - constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica - e que tem como função precípua a defesa do país. Desta forma, desde a constituição federal de 1988, há um capítulo específico, que trata das Forças Armadas. Assim, a República Federativa Brasileira bem com o tão falado hoje Estado Democrático de Direito versam sobre o tema e suas prerrogativas.

Superada a questão técnica, é preciso apostar na política

Santa Maria, antes mesmo da última revisão da carta magna, tem a sua história permeada pela defesa e pelo sentimento de patriotismo e de soberania da nação. Foi e é assim, até hoje, que o maior município da região central do Rio Grande do Sul se consolidou como um ponto estratégico. Esse entendimento, inclusive, não é de agora, ele surgiu no século 19. À época, o vilarejo recebeu o primeiro contingente de militares que, naquele momento, fixou acampamento onde hoje é a Praça Saldanha Marinho. Aliás, a via é a gênese e o DNA do que é a cidade. Já no começo do século 20, em 1908, foi erguido o embrião da 3ª Divisão do Exército (3ª DE). A partir dali, a construção de regimentos mudou a configuração urbana, social e econômica de Santa Maria. E, agora, mais uma vez, Santa Maria está prestes a viver um novo momento na área da defesa e, por tabela, ter um protagonismo jamais imaginado quanto aos rumos da própria segurança nacional. E isso passa pela nova Escola de Sargentos das Armas (ESA) que pode trazer para cá a formação de mais de 2,2 mil alunos. Desde o anúncio do Exército, em retirar a unidade de Três Corações (MG) e concentrar tudo em um único local, o alto comando deu início a uma ampla busca por uma cidade brasileira que atenda às necessidades e expectativas da instituição.

Santa Maria, dentro de um cenário de disputa nacional, foi para a linha de frente do "front' e travou o bom combate ao lado de quase duas dezenas de municípios brasileiros, que buscavam provar ao Exército estar qualificado para tal desafio. À medida que o processo avançou, Santa Maria foi - por critérios técnicos - derrubando um a um os oponente nessa batalha que sempre foi pautada pelo olhar técnico do alto comando de quem está na caserna.

Acontece que o olhar técnico pode, ao que tudo indica, ser ofuscado por uma (nem tão improvável) influência do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), neste processo. Mesmo que o texto constitucional diga que "as Forças Armadas estão sob autoridade suprema do presidente da República", não cabe ao chefe do Executivo federal realizar qualquer ingerência nos rumos e na autonomia de um assunto que, até aqui, foi conduzido à luz da técnica.

CREDENCIAIS

Em uma articulação que envolveu poder público local - com o protagonismo da prefeitura -, Santa Maria soube fazer uma mobilização poucas vezes vista na história recente do município. Além de todo o movimento, que também foi capitaneado pelo próprio Diário de Santa Maria, o município dispara na frente das demais concorrentes - Ponta Grossa (PR) e Recife (PE). Obviamente que os gargalos existem, e a cidade gaúcha precisa superá-los - como a falta de ligação com voos diretos para o sudeste do país -, mas as questões que interessam aos militares - como hospital e escola próprios - já existem aqui.

Políticos gaúchos ligam o alerta para garantir a Escola de Sargentos das Armas em Santa Maria

Ao falar com dezenas de pessoas, desde o ano passado, quando a ESA passou a estar no radar da cidade, integrantes do Exército citam o que, no entendimento deles, são as principais credenciais de Santa Maria: a melhor logística militar (segunda concentração de quartéis no país); terceiro maior efetivo de homens e mulheres (9,5 mil militares); maior poder de combate do Exército (com o quartel-general da 3ª Divisão do Exército); além de ter a maior frota de viaturas blindadas de combate do país; e, ainda, ser referência em simulação de combate das Forças Armadas do Sul do país.

PREFERÊNCIA

O que se espera é que, conhecido o destino da ESA, o que deve ocorrer no próximo mês, Santa Maria saiba que, se estritamente observado os critérios técnicos, o município foi (ou não) alçado à condição de cidade-sede da Escola de Sargentos das Armas. Com uma família militar estimada em 18 mil pessoas no município, a preferência por Santa Maria não é nenhuma novidade. Prova disso é a mais recente pesquisa realizada pela Fundação Habitacional do Exército (FHE), em parceria com o Departamento Geral de Pessoal do Exército (DGP), que apontou as localidades de interesse para a compra da casa própria. Nesta lista, Santa Maria figura como a favorita entre as concorrentes, e figura na quarta colocação em pesquisa nacional.

Se a ESA vier, o município poderá avançar no que seria a "bala de prata" para um pleno e novo momento de desenvolvimento de toda a região central: um Arranjo Produtivo Local (APL) - que é quando empresas de uma mesma atividade se reúnem em uma determinada região geográfica - voltado à área da defesa. O APL poderia atuar em segmentos como desenvolvimento de sistemas, simuladores, tecnologias, defesa, entre outros. A "virada de chave" ganha ainda mais força ao se observar duas conquistas recentes. Em 2016, foi ativado, aqui, o simulador de apoio de fogo, no Centro de Adestramento-Sul, que foi construído no Centro de Instrução de Blindados. Antes, ainda na década passada, a cidade emplacou a gigante alemã de blindados KMW - que tem na simulação um dos focos da empresa. Considerada o carro-chefe na área da defesa, ela deve garantir, até 2027, um investimento de mais de R$ 200 milhões em contratos com o Exército.

FATOR DECISIVO

A torcida que fica é para que o chamado organismo militar, regido pela rigorosa observância das leis, não seja desvirtuado. Ou seja, que o fator eleitoral não macule a imagem do Exército, muito menos prejudique um município e um Estado que, pelo que se observa, despontam em condições mais favoráveis que os demais concorrentes. O que não se pode admitir é que tanto as pretensões do governador Eduardo Leite (PSDB) quanto do presidente Jair Bolsonaro - que legitimamente se colocam no pleito de 2022 - rompam com um círculo hierárquico próprio do Exército e que, historicamente, toma suas decisões baseadas pelos interesses do Estado, e não de um governo.

Bolsonaro pode desequilibrar a disputa pela ESA

BRAGA NETTO

Hoje, o ministro da Defesa, o general Walter Souza Braga Netto, estará em Santa Maria. O oficial se reunirá com os comandantes das unidades da 3ª Divisão de Exército (3ªDE), bem como com os comandantes das organizações militares da Guarnição de Santa Maria.

Dentre as atividades previstas, a Divisão Encouraçada fará demonstração ao ministro das capacidades de alguns produtos de defesa que são utilizados em atividades finalísticas no combate convencional. Ontem, o ministro participou de solenidades militares em Porto Alegre.


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