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'Não se falou de corrupção no governo. Qual o único problema que tenho? Os buracos', afirma Pozzobom

Em entrevista ao Diário, prefeito faz um balanço dos três anos de governo

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário) 

O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) entra no último e decisivo ano de seu governo em Santa Maria. Em entrevista ao Diário, ele fez um balanço de sua gestão e abordou um dos problemas de maior desgaste de sua administração: a buraqueira. Também falou sobre a possibilidade de abertura dos leitos do Hospital Regional. Em relação ao cenário político, Pozzobom comentou sobre o fato de governar com minoria na Câmara, hoje comandada por Adelar Vargas (MDB), Bolinha, no ano do pleito municipal, e a disputa à prefeitura, embora não admita publicamente que disputará a reeleição. Confira os principais trechos da entrevista do chefe do Executivo concedida antes de ele entrar em férias.    

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Diário de Santa Maria - A prefeitura conseguiu, em 2019, reabrir o Restaurante Popular e o Bombril, abrir a creche no Cipriano Rocha e fazer a recuperação de algumas ruas. Apesar disso, a buraqueira continua em toda a cidade. O que a população pode esperar em relação a esse problema em 2020? 
Jorge Pozzobom - Tem algumas coisas que vem antes para gente reafirmar o investimento. Conseguimos, desde o primeiro dia, um equilíbrio financeiro. Sempre falei da importância de governar com responsabilidade e saber que o dinheiro é curto. Com esse equilíbrio, conseguimos abrir a Central Telefônica do Samu, o Restaurante Popular e contratar 437 professores para poder abrir a creches. Só esse impacto é de R$ 18 milhões no ano.

Governar também é elencar prioridades. Tínhamos um problema crônico, que eram das creches. Ao todo, 1.535 alunos fora da aula. Em relação às ruas, fizemos a Adão Comasseto, a João Franscicatto, a Bergamoteiras, a Walter Jobim, a Rio Branco, a Dores. A diferença, o que estamos propondo, e isso, eu tenho falado em todos os lugares: é a maneira de fazer. Botar asfalto em cima de buraco não dá. São três metros de profundidade. Se tu não faz isso, aqui, na Andradas, tu bota o dinheiro fora. Se não, se faz o que foi feito na Riachuelo e André Marques, tu coloca o dinheiro fora. Tínhamos fechado ela (Riachuelo) para recuperar, e os lojistas pediram para passar o Natal e o Ano Novo por causa das vendas. Tem uma série de ruas que estão em processo de licitação.

Com esse dinheiro que conseguimos, além do que sobrou no caixa livre, vamos contratar horas-máquinas para tratar das ruas não pavimentadas. Temos ruas que é só empedrar e patrolar. Também temos uma relação completa de todas as ruas que estão em estado de deterioração e vamos resolvê-las. 

Diário - Mas, claro, que não haverá dinheiro para fazer uma recuperação completa de as todas as vias. Em algumas ruas, serão só um tapa-buracos?
Pozzobom - Ali na Presidente Vargas, fizemos um tapa-buracos, mas não adianta. Tem que arrancar tudo. A maior parte dos locais crônicos na licitação que estamos fazendo vai ter a fresa, que arranca o asfalto que não dá mais e coloca asfalto novo. Tem alguns locais que não adianta só tapar buracos. Na Dois de Novembro e na Maurício Sirotsky, ali se arrancou a parte que estava ruim e recuperou. A Bergamoteiras e a Radialista Osvaldo Nobre vai ser colocada a capa. Tem alguns locais que têm um tráfego muito grande, como na Avenida Presidente Vargas. São 25 mil veículos por dia. Também existe a questão do critério do transporte coletivo. Tu não vais asfaltar a rua ao teu bel-interesse. Mas, com certeza, vamos tratar com absoluta prioridade a questão das ruas. Resolvi o que tinha que resolver com os professores e, talvez, tenha que chamar alguns mais na creche da Brenner, que vamos abrir neste ano. Estamos com as contas em dia. Vamos tratar com absoluta prioridade.

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Diário - Quanto de recursos já foram investidos nas ruas dos R$ 28 milhões do empréstimo da Caixa Federal?
Pozzobom - Aplicamos R$ 9 milhões em 60 trechos. Foram duas parcelas que já foram liberadas, tem mais três parcelas. Uma é para comprar maquinário, que estamos comprando as patrolas. Desses R$ 28 milhões, tem R$ 500 mil para as paradas de ônibus, que vamos encaminhar a licitação agora. Com esse dinheiro, vamos conseguir recuperar e fazer muitas ruas. E, depois, com o dinheiro próprio do caixa da prefeitura fazer trechos dos bairros, das vilas. Vamos fazer uma licitação para arrumar esses pequenos trechos. Temos tudo isso anotado, todos os locais, todas as ruas. Vamos enfrentar e recuperar e, junto, as estradas do interior.

Diário - E sobre os R$ 50 milhões do Avançar Cidades, qual é a situação?
Pozzobom - Trancou a licitação porque o governo federal cancelou o dinheiro. Está tudo aprovado, em tese está tudo liberado, mas foi cancelado o dinheiro. Como estava cancelado no ano passado, estamos aguardando o que vai acontecer. Mas a primeira coisa que queremos fazer é estudar os projetos.

Diário - Mas se foi cancelado, então não deve vir em 2020?
Pozzobom - Hoje, ele está cancelado. Hoje, não tem o dinheiro. Mas já está tudo aprovado. Estamos na expectativa que, no início deste ano, seja liberado o valor de R$ 1 milhão para o estudo. Eu não joguei a toalha. O Aeroporto que anunciamos agora, o brigadeiro Rossato tinha cancelado o projeto e nós conseguimos recuperar. Consegui destravar. As creches, que estavam trancadas. conseguimos destrancar, mas isso batendo na porta em Brasília. Eu fui 48 vezes lá.

Diário - O senhor fala em usar dinheiro do caixa livre para recuperar ruas, então o caixa da prefeitura melhorou bastante?
Pozzobom - Ruim o caixa livre não está. Está um pouco melhor. Por exemplo, temos um devedor do município que vai pagar R$ 4 milhões agora. Estamos buscando cobrar, evidentemente, de quem está nos devendo. Nós estamos pagando o salário em dia, pagando o 13º, pagando fornecedor. Não tem aluno fora da sala de aula. Foram contratados 437 professores. Não se falou uma vírgula de corrupção em três anos de governo. Qual o único problema que eu tenho? São os buracos.

Diário -A Rua Sete está completando um ano fechada. O que a prefeitura tem feito para tentar reabrir a via?
Pozzobom - Com o Dnit, não tem mais nada agora. Fizemos um documento dirigido ao ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) mostrando que o processo judicial já tinha acabado, que não há mais processo. A gente, agora, começou uma nova negociação: foi (documentação para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para a Rumo, concessionária da ferrovia e para o Dnit, que não precisava ter ido, mas foi consultado. Agora, está na SNTT, Secretaria Nacional de Transportes Terrestre. Estou tratando diretamente com eles (SNTT).  

Diário - Mas existe um projeto alternativo para a reabertura, a instalação de uma cancela?
Pozzobom - Tem tudo. Não, eles me disseram que nem cancela precisa, mandei o projeto para lá. Eu, inclusive, mandei uma proposta para a Rumo dizendo que nós vamos fazer todo o trabalho de segurança nas passagens de níveis: tem Campestre, Arroio do Só, Arroio Grande e Boca do Monte. Todos esses locais, nós vamos fazer. Então, a Rua Sete, assim que liberar, vamos buscar uma parceria, mas, ainda, não temos um prazo.

Diário - A abertura do Hospital Regional foi anunciada na sua campanha de 2016 e, certamente, o senhor vai ser cobrado em 2020, uma vez que só dois ambulatórios funcionam no local e há a liberação de de R$ 36 milhões do Ministério da Saúde para equipamentos. O que o senhor tem a dizer sobre a abertura dos leitos?
Pozzobom - O governo do Estado tem que dar um jeito de abrir. A coisa mais difícil que tinha, eu consegui: foi o dinheiro. Fui lá pessoalmente com o ministro Mandetta (Ministro da Saúde), com o Onyx (chefe da Casa Civil). A secretária Arita (secretária estadual da Saúde) diz que é prioridade absoluta dela abrir os leitos. O dinheiro (para equipamentos) já está na conta do Estado, garantido. Agora, o Estado precisa providenciar a licitação. O que tinha de mais difícil do hospital, que era o dinheiro para a sustentabilidade dele, isso está garantido e depositado na conta do Estado. Agora, é a agilidade do Estado.

Diário - A prefeitura fez recentemente um contrato com a Corsan e colocou algumas cláusulas com multa, em caso de descumprimento. O Executivo vem fiscalizando o trabalho da companhia em relação à falta de água constante e em diferentes regiões, apesar de a Corsan insistir em dizer que são casos isolados?
Pozzobom - A prefeitura tem mais de R$ 2,1 milhões em multa que já colocamos. Por isso, temos a Superintendência de Fiscalização de contratos. Quando essas informações chegam para a gente, eu mando direto para eles e se notifica a Corsan. Não é só falta de água. São buracos que eles abrem. O que aconteceu no ano passado? O Dnit estourou o cano deles no Parque Pinheiro Machado, e o Dnit estourou também na Tomazetti. Tem outros locais que também foram estourados. Mas essas reclamações também precisam chegar até nós. Isso é um horror. Estamos acompanhando de perto.

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Diário - O projeto da planta de valores (atualização dos valores dos imóveis) não sairá neste ano?
Pozzobom - Não tem como ser discutida. O que eu falei? Nós, embora, estarmos precisando de dinheiro, eu entendo que nós não conseguimos na velocidade que eu queria atender as expectativas da população. Eu não achei justo, agora, onerar mais ainda o contribuinte quando, na nossa avaliação, já oneramos. Não vai ser tratada a planta de valores agora.

Diário - A exemplo de 2018, o senhor governará com minoria no Legislativo, com a diferença de que 2020 será ano de eleição, que tende deixar a relação mais acirrada e complexa. Como o Executivo pretende pautar a relação com a Câmara com esse cenário?
Pozzobom - Estamos há três anos e nenhum projeto deixou de ser aprovado. Liguei para o Bolinha dando parabéns pela eleição. Primeiro, ele me visitou, depois, eu vou visitar ele. É uma Casa política e temos que entender. Óbvio, que ano eleitoral sempre tem uma disputa. O que não pode são projetos de grande porte para o município serem barrados por questões políticas. E isso nunca aconteceu. Tenho certeza que não vai acontecer agora. É legítimo o que aconteceu (oposição ganhar a Mesa). Todos os vereadores votaram com o governo. Eu estou muito tranquilo com essa relação.

Diário - O MDB já lhe comunicou quando os secretários do partido (Francisco Harrisson, da Saúde, e Marta Zanella, da Cultura), deixam o governo?
Pozzobom - Eu estou tratando coisas com o Francisco, que é a questão do laudo da Toxoplasmose, a questão do possível surto de infecção intestinal. Isso é muito mais importante do que saída do MDB do governo. Se eu fizesse isso, eu seria extremamente irresponsável. Não vou tratar sobre isso agora. O partido não me procurou até agora. Ninguém me procurou. Nem o próprio Francisco tratou esse assunto comigo. Todos os partidos têm a legitimidade de colocar o seu candidato ( a prefeito). Agora, eu não estou tratando sobre isso.

Diário - Outros secretários devem deixar o governo para concorrer à Câmara. O governo vai fazer uma última reforma no secretariado, além dos nomes que sairão para concorrer neste ano?
Pozzobom - Neste momento, nós até nem tratamos disso, porque, como é só para março (afastamento dos secretários), nós vamos ter um tempo agora. Eu tenho todos os adjuntos.

Diário - O Progressistas, do vice Sergio Cechin, continuando no governo, vai ganhar mais espaço na prefeitura?
Pozzobom - Eu não trato de espaço com os partidos, até porque minha relação com o vice-prefeito é maior do que o espaço. Evidentemente que, com a saída de outros partidos, vai ter espaço aberto e, evidentemente, vai ser ocupado por pessoas que estão no projeto para 2020.

Diário - O Cechin já lhe falou sobre continuarem juntos?
Pozzobom - Ele diz, a todo o momento, que ele quer estar comigo. Claro, que é legítimo de o partido debater, mas ele me falou que não tem nem saúde para isso e quer estar comigo para concluir o projeto que a gente iniciou junto. Agradeço todos os dias: porque ele foi o melhor vice-prefeito que (Deus) poderia ter me dado para o primeiro mandato.

Diário - Isso indica que senhor disputará um segundo mandato?
Pozzobom - Primeiro, uma hipótese: se o Cechin for candidato, o que vai acontecer? Óbvio que os espaços ocupados sairiam. Nós estamos focado nos resultados. Temos que começar a Dom Ivo. Temos que dar um jeito (fazer a obra) na perimetral que liga a Universidade até a Estância do Minuano. Tem as duas unidades de saúde. Estamos focados nisso e na pavimentação. A relação das ruas que tem problema, eu tenho. Quando eu não sei o local, eu ligo pra ele (Cechin). Nós estamos focadíssimos nisso. Não estou preocupado neste momento.

Diário - Mas quando o senhor anuncia, oficialmente, que concorrerá à reeleição?
Pozzobom - Não estou enrolando nada. Temos, agora, o foco absoluto na entrega daquilo que iniciamos. Foco absoluto no resultado. Óbvio que vamos debater a reeleição. Estamos preparando os candidatos a vereadores. Se tem algo que estou fazendo, hoje, é tratando a questão dos candidatos a vereadores. A questão da reeleição, evidentemente, vamos fazer um debate interno. Até para poder ver o que o PP vai fazer agora. É muito cedo. Adiantaram demais a campanha. 


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