entrevista

'Não consigo ver condições de impeachment nem crime que ele (Bolsonaro) tenha cometido', diz general Etchegoyen

Militar foi ministro-chefe de Segurança Institucional no governo Temer e comandante da 3ª Divisão de Exército em Santa Maria em 2011 e 2012

Maurício Araujo e Pâmela Rubin Matge
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

À iminência de mais um dia em que é celebrada a Independência do Brasil, no Sete de Setembro, manifestações contra e a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) articulam-se em diversas cidades do país. Em manifestações à imprensa e em lives, o próprio presidente convocou às pessoas que fossem às ruas nesta terça-feira. O chamamento tem ganhado repercussão e embate nas redes sociais diante de um contexto instabilidade econômica e de crise entre os poderes.

Em entrevista ao programa F5, da Rádio CDN, na manhã desta segunda-feira, por Marcelo Martins, Pâmela Rubin Matge e Rodrigo Ricordi,o general do Exército brasileiro e ex-ministro Sérgio Westphalen Etchegoyen falou sobre suas percepções frente ao atual cenário político, bem como a data alusiva à pátria.  

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Cruz-altense, Etchegoyen tem 69 anos. foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Michel Temer e comandante da 3ª Divisão de Exército (3ªDE) em Santa Maria em 2011 e 2012. Ele é neto do general Alcides Etchegoyen, membro do Clube Militar que atuou no Estado Novo contra Getúlio Vargas.

Para  Etchegoyen, os atos que devem ocorrer nesta terça fazem parte do processo democrático, bem como disse ser legítima a convocação de Bolsonaro.

_ A gente tem que entender as manifestações populares como parte do jogo político. São saudáveis. Manifestações pró e contra ou por uma outra opção. Elas não podem e não devem num país civilizado e numa democracia madura ultrapassar os limites da lei. O presidente tem todo direito de convocar assim como seus opositores tem o mesmo direito. O que a gente não pode deixar é que descambe para barbárie, falta de civilidade e maturidade política - avaliou o ex-ministro, mencionando, em seguida, que o governo Bolsonaro vem tendo avanços importantes em muitas áreas, mas que lamentavelmente elegeu o conflito permanente como política. Para ele,  isso atrapalha a continuidade, dificulta o andamento dos projetos e afugenta investimentos.

DITADURA

Ao ser questionado sobre  a ditadura militar que dominou o país de 1964 a 1985, o general Etchegoyen falou que foi um regime autoritário, e não totalitário como se definem as ditaduras. O assunto veio à tona depois de uma manifestação do ministro da Defesa, general Walter Braga Neto, durante uma reunião na Câmara dos Deputados, no dia 17 de agosto.

Segundo o ex-ministro, apesar de reconhecer que houve censuras, o período vivido pelo país e o seu regime não podem ser comparados a ditaduras como as cubana, venezuelana e coreana, citou como exemplo.

Para ele, houve, sim, um regime autoritário, concentrado na mão do Executivo em desequilíbrio com outros poderes, mas relativizou que nunca se teve nos governos militares o ativismo político da Justiça.

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GOLPE E IMPEACHMENT

A possibilidade de haver um golpe, enfatizado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro ao atacar os outros poderes da República também foi assunto da entrevista. Porém, para o general, "o Brasil é outro e não há nem mesmo ambiente político internacional, muito menos das forças armadas, para uma tentativa golpista". Segundo o ex-comandante da 3ª Divisão de Exército (3ªDE), "se um dia houve a necessidade de intervenção militar é porque o país não tinha instituições fortes e o mundo vivia a guerra fria, sendo as circunstâncias diferentes das que se têm hoje".

Como exemplo que um possível golpe não é cogitável, o general citou que o Brasil já passou por duas rupturas institucionais, dos impeachment do ex-presidente Fernando Collor e da ex-presidente Dilma Rousseff, e que não houve nenhum movimento das forças armadas.

De forma semelhante, Etchegoyen descarta um impeachment contra Bolsonaro:

_ A avaliação política da temperatura do Brasil é difícil de ter. Mas não consigo ver cenário pra o impeachment do presidente e encontrar um crime que ele tenha cometido. E o esforço é grande para encontrar. Está aí a famosa CPI do Senado, que resolveu dizer que o presidente é charlatão ou crime de charlatanice, que a imprensa noticiou, Se isso for verdadeiro, teríamos que encontrar uma consulta que o presidente deu para alguém, um receituário que ele prescreveu, um tratamento que ele mandou fazer. Quando o conflito se tornou uma política de governos, as pessoas e a oposição ficam tentando a desestabilização permanente. Não consigo ver condições políticas de impeachment nem algum crime que ele tenha cometido para disparar um processo de impeachment.

PROTAGONISMO DE MOURÃO NO GOVERNO

Sobre a atuação do também militar e general, José Amilton Mourão (PRTB) no governo, o ex-ministro teceu elogios e não comentou sobre episódios de discordância entre o presidente e o vice:

- É bom que o general Mourão se mantenha ou seja deixado ao largo. Ele é uma grande reserva que o país tem. É um dos grandes homens que temos para conduzir o país com serenidade. É uma excelente opção. No governo - que elegeu o conflito permanente como conduta e linha de ação, Mourão tem sido a voz da tranquilidade e tem esclarecido alguma posições difíceis de entender ou permanecem ambíguas ele tem insistido na preservação dos princípios democráticos.

ESA

No próximo mês, o Comando do Exército deve definir qual cidade será a sede da Escola de Sargentos das Armas (ESA). O general Sergio Etchegoyen aposta em Santa Maria. Segundo ele, o município gaúcho tem muito mais vantagens que Ponta Grossa, no Paraná, e Recife, em Pernambuco. O ex-ministro afirma que tem conversado com outras lideranças, e sempre intercede por Santa Maria. Ele ainda elogiou o trabalho da cidade como um todo, citando que o governo, a sociedade e as lideranças empresariais e politicas se empenharam para atrair a escola.

_ Minha expectativa, torcida e desejo é por Santa Maria, e tenho tentado ajudar no que posso _ finalizou.

COLABOROU DENI ZOLIN


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