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CPI ouve ex-integrantes do governo de Silvio Weber, prefeito de Itaara

Câmara de Vereadores de Itaara ouviu CCs para apurar eventuais irregularidades na administração do prefeito

Marcelo Martins
Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)


Foto: Pedro Piegas (Diário)

Enquanto o prefeito de Itaara, Silvio Weber (PSB), despachava do centro administrativo municipal, ocorria, no prédio ao lado, da Câmara de Vereadores, o começo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que mira a administração do religioso com longa trajetória e atuação junto aos meios de comunicação. Mandatário pela primeira vez, Weber se elegeu, no pleito do ano passado, em chapa pura ao lado de Salete Desconzi. A dupla deixou para trás três candidaturas - incluindo uma governista, que buscava a reeleição - e obteve 33% dos votos válidos.

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Ao completar menos de cem dias de governo, o chefe do Executivo municipal teve o desembarque de integrantes do primeiro escalão da prefeitura. Foram, ao todo, cinco cargos em comissão (CCs) que comunicaram a saída do paço municipal.

Em princípio, a motivação que une o quinteto seria a existência de eventuais ilicitudes dentro da máquina pública. O primeiro a falar no Plenário foi o advogado Lucas Saccol (foto), que ocupou, por pouco mais de 70 dias, o principal cargo da administração municipal: a Secretaria de Planejamento e Gestão. Saccol, que teve experiência de 10 anos de atuação dentro da Câmara de Santa Maria, ao ser procurador do Legislativo, diz ter colidido frontalmente quanto aos rumos da administração.

Segundo ele, "coisas estranhas" começaram a ser exigidas pelo núcleo-duro da gestão Weber. Além dele, também pediram demissão Maiara Cristina Pereira Pavão (procuradora jurídica), Luana Sanfelice Marinho (secretária de Finanças), Daniela dos Santos Guedes (do setor de Compra e Licitações da Secretaria de Finanças), e, por fim, Thalita Teixeira Dornelles (chefe do Setor de Pagamento de Pessoal).

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O relógio marcava 8h35min, quando Lucas Saccol começou a prestar depoimento à comissão - que é formada pelos vereadores Paulo Gilmar Garcia (MDB), Eduardo Claro (PSB) e Eliezer Marques Dias (PP) - e colocou a memória dos fatos, segundo ele, narrados e presenciados ao longo dessa breve passagem pela administração municipal.
- Tudo era muito nebuloso e logo se verificou que os pedidos, em meio a uma pandemia, para dar celeridade aos processos licitatórios, não eram muito claros. Questões particulares e privadas estavam sendo acordadas dentro da prefeitura e, ao que tudo indica, com a anuência do prefeito municipal - pontuou Saccol.

Ao fim do depoimento, Bruno Seligman de Menezes, que é advogado de Saccol, avaliou que o "depoimento foi tranquilo e esclarecedor":
- O meu cliente sempre atuou com lisura e se desligou por não compactuar com os rumos do governo.

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JUSTIFICATIVA
Saccol contou que, com o pretexto de "ajudar a desenvolver o município", a prefeitura e o núcleo mais próximo de Silvio Weber teriam buscado "a parceria" de uma empresa da Bahia para viabilizar um processo licitatório. Ainda segundo o depoente, a ideia é que essa mesma empresa, que se apresentava como de "consultoria técnica e jurídica", elaborasse e executasse o projeto, o que é vedado por lei.

- Os relatos, dentro da própria prefeitura, que começaram a chegar era que havia uma pressão externa dessa empresa, da Bahia, que pedia para que essa licitação acontecesse. Também se viu, depois, que essa mesma empresa estava intermediando, com a prefeitura, a venda da área do antigo parque Oásis (desativado desde a década de 90).

ALERTA
Também na terça, quem prestou depoimento foi Maiara Cristina Pereira Pavão, que foi procuradora jurídica do município, e que deixou o governo. Ela endossou a fala do ex-colega ao dizer que tanto o prefeito quanto a vice-prefeita foram alertados quanto às inconsistências verificadas dentro de, ao menos, dois processos de dispensa de licitação.

Ela também reforçou que foram nomeados CCs para as pastas de Assistência Social, Planejamento, Turismo e de Obras sem o devido cumprimento legal do que preconiza a lei para preenchimento das funções.

Na Câmara de Vereadores, imperam a prudência e a reserva
Com nove parlamentares, a Câmara de Vereadores de Itaara não tem uma divisão muito clara quanto aos papéis de cada um. A reportagem verificou que existem, declarada e abertamente, quatro vereadores governistas. Todos eles são, inclusive, do partido do prefeito: PSB. Os demais cinco - três (PP) e dois (MDB) - hesitam em se colocar como oposição ou como apoiadores da administração municipal. O presidente da CPI, Paulo Gilmar Garcia (MDB), foi categórico no começo dos trabalhos, ao dizer que a condução da comissão será técnica e pautada pelos fatos.
- (A CPI) não é para prejudicar ninguém. É para prestar esclarecimento à população. E se houver alguma irregularidade, vamos acionar o MP - disse o vereador.

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Acontece que o Ministério Público, conforme a reportagem apurou, já acompanha o tema de perto. Existe, no momento, inquéritos civis instaurados relacionados aos fatos colocados pela CPI e também envolvendo outras demandas do governo. Todos esses inquéritos estão em fase de apuração.

PERCEPÇÃO
Na Avenida Guilherme Kurtz, a principal e que dá acesso aos prédios do Executivo e do Legislativo, há ainda o posto de saúde do município. O Diário conversou com alguns moradores que, em um primeiro momento, parecem desconhecer os fatos que envolvem as duas principais casas políticas da cidade.
- Ele sempre foi nosso pároco, e não sei de nada disso (das denúncias). A gente votou nele, porque acredita nele. Eu acho que ele fará muito pela nossa Itaara - comentou a aposentada Adelina Forgiata, 76 anos.

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Já para o agricultor Carlos Alberto Franco, 63, entende que "problemas sempre vão ter" em um governo. Mas ele avalia ser "estranho" que cinco integrantes do governo tenham saído da prefeitura:
- Não sei o que houve, mas que é estranho, é. Falam muita coisa, acho que tem que investigar. Se ele ou alguém fez "rolo", que seja punido.


Foto: Pedro Piegas (Diário)

Prefeito rebate acusações e fala "em inconformidade" com derrota nas urnas
Para o prefeito Silvio Weber, as denúncias são infundadas e descabidas. No gabinete de onde despacha, diariamente, o chefe do Executivo municipal recebeu a reportagem do Diário e disse haver uma "tremenda inconformidade dos poderosos" que, nos últimos 24 anos, governaram Itaara e "nada fizeram" à sociedade:
- Os CCs que saíram, três eram da antiga gestão, e os demais dois sabiam que seriam demitidos por não terem dado certo. Aí, em uma composição com a oposição, eles criaram um fato político para macular o meu governo. Um fato que não existe para desgastar o governo. Não existe uma vírgula de irregularidade, pode vir o Ministério Público, Tribunal de Contas. Não tem nada. Alguns da oposição, que tentaram se aproximar do governo, acharam que conseguiriam fazer rolo, e nós aqui cuidamos a legalidade das coisas. Podem vir, não acharão nada. Nós vamos tomar medidas cabíveis contra todos ao fim de tudo.

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Ao ter concorrido com outras três candidaturas, em 2020, Silvio Weber fala que houve um "frentão" para tentar, de todas as formas, deixá-lo de fora do pleito. Vitorioso nas urnas, o chefe do Executivo municipal sustenta que o medo da oposição "é o elo" que há entre ele e a comunidade de Itaara. Quanto às acusações, o prefeito fala que responderá à oposição com o crescimento da cidade:
- Teremos aqui, em nossa cidade, um hotel fazenda e um centro comercial, um investimento privado da ordem de R$ 7 milhões. Teremos emprego e renda, e isso é só o começo. Enquanto tentam me derrubar e me matar politicamente, eu respondo e derrubo, um a um, com trabalho.
Weber projeta que, ao fim dos quatro anos de mandato, terá imprimido um ritmo de desenvolvimento que suplantará os antecessores.



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