segundo turno

As propostas dos candidatos a prefeito para combater a Covid-19 e retomar a economia

Progressista diz que cidade não fechará, já o tucano pretende adotar medidas mais restritivas para o comércio em caso de agravamento da pandemia

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Combater a pandemia de coronavírus em 2020 é o grande desafio do planeta em 2020. E evitar a propagação da doença sem agravar a crise econômica vivenciada pelas empresas torna o desafio ainda mais difícil. Em 2021, a luta contra a Covid-19 permanecerá. Porém, a tendência é que, no ano que vem, a humanidade terá mais um aliado na batalha, a vacina, em estudo em diversas partes do mundo.

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Em Santa Maria, não será diferente. A cidade chegou, na terça-feira, à marca de 109 mortes relacionadas ao vírus e 7.471 infectados, dos quais 6.921 são considerados recuperados. Portanto, o próximo prefeito da cidade, seja ele Sergio Cechin (Progressistas) ou Jorge Pozzobom (PSDB), precisa elaborar e executar medidas rápidas e eficientes para controlar a pandemia no município e, também, retomar a geração de emprego e renda.

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Pensando nisso, o Diário ouviu os dois candidatos à prefeitura que avançaram ao segundo turno para saber como eles irão proceder no combate à Covid. As perguntas foram elaboradas a partir de quatro eixos temáticos - saúde, educação, desenvolvimento econômico e assistência social -, com base no que os políticos têm falado ao longo da campanha e, também, em outras problemáticas que estiveram na pauta da administração municipal nos últimos meses.


Foto: Pedro Piegas (Diário)

SERGIO CECHIN - Progressista diz que cidade não fechará e que respeitará ciência e orientação de autoridades

Diário - Caso o governo federal não garanta a vacina de coronavírus para toda a população de Santa Maria e exista possibilidade de o município adquirir doses por conta própria, o senhor investirá recursos próprios da prefeitura nessa compra? Se sim, qual será o valor necessário e de qual setor do Executivo essa verba será remanejada?

Sergio Cechin - Sendo necessário, compraremos vacinas para todos. A questão aqui não é financeira. Para momentos de emergência sanitária, como uma pandemia, pode-se usar a verba necessária para enfrentamento. Se existir uma vacina com as certificações necessárias dos órgãos competentes da saúde, nós teremos ela disponível para a população. Se o governo federal não disponibilizar, tomaremos as medidas para que a vacina chegue no cidadão. Vacinas normais são responsabilidade do município, por meio da Atenção Básica, pelo SUS. No entanto, enfrentamento de pandemia é questão de saúde e segurança nacional. Conhecemos os caminhos para garantir todos os direitos da nossa população. Sem demagogia e com uma gestão adequada, conseguiremos avançar contra a pandemia sem retroceder em todo o resto.

Diário - De qual forma o senhor buscará a ampliação de leitos para tratamento da Covid-19 em Santa Maria, caso seja necessário, visto que o governador do Estado não está alinhado politicamente com o senhor e os demais nomes que o apoiam? 

Cechin - Na verdade, não existe essa situação imaginada de que o governador só ajudará municípios do PSDB. Toda a pandemia é uma prova disso. O meu partido, o PP, tem a maioria das prefeituras do nosso Estado e o apoio que veio não foi direcionado apenas para o PSDB nesses últimos oito meses. Não existe motivos para criar essa falsa ideia de que o governador deixaria sem assistência quem não for do seu partido. A busca de ampliação dos serviços do Regional e dos demais hospitais da cidade é uma meta no meu plano de governo e vamos viabilizar projetos de crescimento e gestão de leitos que, de fato, impliquem em melhor atendimento da população. Vamos mostrar com dados e projetos que isso é possível. E não falo só no Covid, que veio agravar essa situação. O problema de leitos no município é antiga, e o fechamento de muitos leitos SUS nos últimos anos agravou esse problema. Vamos reverter isso.

Diário - O senhor afirmou recentemente que, sob sua gestão, "Santa Maria não fecha mais". Entretanto, o que o senhor fará se o Estado, por meio de decreto, voltar a impor o fechamento de atividades não essenciais ou se, em uma situação hipotética, a região de Santa Maria fique em bandeira preta, de acordo com o Modelo de Distanciamento Controlado, que orienta, nesse caso, para o fechamento de praticamente todo o comércio? 

Cechin - Disse e reafirmo a minha posição de que nossa cidade não fechará mais embasada em decisões caseiras. Não vejo motivos para que os decretos do nosso município sejam mais rigorosos do que os do Estado nas medidas restritivas. Acredito que educação, conscientização e participação social nas decisões seja o caminho mais democrático e acertado. Sempre, em todas as decisões, a ciência e as orientações das autoridades sanitárias serão levadas em conta.

Diário - O governo do Estado liberou a realização de eventos sociais, desde que seguidas algumas regras. Como o senhor pretende conduzir o setor em Santa Maria? Todos os eventos poderão ser liberados no primeiro semestre da administração? 

Cechin - Mais uma vez, busco o bom senso e o respeito à ciência para responder essa pergunta. O governador, em suas falas, ressalta que tem uma equipe de profissionais, muitos doutores, fazendo estudos e analisando o comportamento da pandemia. Todas as medidas embasadas em estudos técnicos de ciência médica, não de interesses políticos, serão respeitadas. Com o plano de gerenciamento compartilhado dos municípios, com mais estudo local e ouvindo a sociedade, temos sim condições de decidirmos de acordo com as necessidades de nossa comunidade. Isso não quer dizer ir contra o decreto estadual, mas sim adaptá-lo à nossa realidade local sempre que for possível. Isso exige protagonismo e muito trabalho. Toda minha vida trabalhei, e como prefeito não vou fugir nem do trabalho nem das minhas responsabilidades.

Diário - Qual é o seu plano para retomada das aulas presenciais na rede municipal de Santa Maria? Quais regras deverão ser seguidas pelas escolas e alunos e quais são os prazos para essa retomada? 

Cechin - Falar em prazos de retomada neste momento não me parece adequado ou responsável. O que precisamos falar é em condições adequadas para essa retomada. Nossas crianças merecem empenho e trabalho para que, com segurança, possam voltar a ser crianças, a sonhar, a aprender e a ter perspectivas. A comunidade escolar, pais, alunos e professores precisam participar deste processo. A nós cabe dar as condições físicas e psicológicas para que isso seja possível. Nunca defendi a volta às aulas a qualquer custo. O que sempre falei é que vamos buscar formas de dar segurança para que as aulas não fiquem indefinidamente suspensas.

Diário - De alguma forma, o senhor vai incentivar que faculdades e universidades privadas, além da própria UFSM, avancem na retomada das atividades presenciais, até como forma de reaquecer a economia local? 

Cechin - O município não tem ingerência nestes setores, lógico. Mas seria interessante se todos pudessem buscar planejamento de ações para que as aulas gradativamente retornem. Muitos países europeus, em plena segunda onda da pandemia, com muitas medidas bem restritivas, optaram por manter as escolas abertas, com rodízios e outras formas de controle. São situações que devem ser conversadas, debatidas e, aos poucos, vamos enxergando novas possibilidades. O que não pode é um assunto dessa envergadura ser tratado como questão político-partidária. Não vou permitir que isso aconteça em meu governo.

Diário - Com o possível fim do auxílio emergencial do governo federal em dezembro, como o senhor pretende lidar com o aumento rápido e volumoso do número de cidadãos sem renda fixa na cidade e as consequências sociais disso a partir do ano que vem? 

Cechin - Essa preocupação é latente e um tema central do meu plano de governo. Na verdade, mesmo com o auxílio emergencial, considerando-se o valor do mesmo, entendemos que o gestor municipal precisa tomar medidas concretas e cirúrgicas de fomento ao crescimento da atividade financeira na cidade, desburocratizando imediatamente o empreendedorismo para que se tenha uma rápida resposta com novos postos de trabalho. 


Foto: Pedro Piegas (Diário)

JORGE POZZOBOM - Para tucano, se preciso, serão adotadas medidas mais restritivas, mas sem fechar o comércio

Diário - O senhor afirmou que, se o governo federal não garantir a vacina para toda a população, Santa Maria tem dinheiro para comprar as doses. De onde virá o dinheiro e qual será o valor para adquirir as vacinas?

Jorge Pozzobom - Acompanhamos com muita atenção os testes das vacinas contra a Covid-19 e nos organizando financeiramente, por meio das Secretarias da Saúde e de Finanças, para criar uma reserva técnica, para, se necessário, ter um aporte financeiro do recurso livre da prefeitura para a aquisição das doses extras da vacina que não venham a contemplar o público-alvo indicado pelo Ministério da Saúde. Porém, o valor total empregado não pode ser ainda estimado, visto que não há, no momento, um valor médio de custo, pois a vacina ainda não foi aprovada e liberada para venda.

Diário - Como o senhor fará para aumentar o número de leitos de UTI para tratamento da Covid-19 em Santa Maria, caso seja necessário? A ampliação do funcionamento do Hospital Regional também poderá ser contemplada em um primeiro ano de governo?  

Pozzobom - Caso necessário, o aumento do número de leitos de UTI para tratamento de pacientes com Covid-19 será feito do mesmo modo exitoso que foi realizado em março, por meio de articulação. Serão mostrados dados concretos, como os referentes à taxa de ocupação, ao aumento da contaminação e de casos graves, possibilitando a análise real da situação e a demonstração da necessidade de o Hospital Regional e o Husm buscarem a complementação e a homologação de mais leitos de UTI Covid-19. Em relação ao Hospital de Caridade, será adotado o diálogo para mostrar a importância desse hospital privado para Santa Maria e região e o maior impacto positivo que será gerado se houver a disponibilização de mais leitos. Já quanto à ampliação do Regional, está sendo realizado um trabalho rigoroso, por meio da articulação entre Estado, 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, AMCentro e município, para que seja possível a implementação de ações necessárias para a abertura de novos leitos.

Diário - O senhor garante que, independente do avanço da Covid-19 aqui, não voltará a fechar ou reduzir o horário de abertura das lojas? 

Pozzobom - O que eu garanto é que vou seguir cuidando das pessoas. Hoje, já temos uma situação mais favorável na capacidade hospitalar, nas condições de testagens e técnicas para tomadas de decisão sobre os protocolos, que, naturalmente, foram sendo aperfeiçoadas ao longo desses meses. Isso nos faz estar diante de uma probabilidade bem menor de restrições, tanto que essas questões nos deram condições de aprovar a cogestão para nossa região de saúde. Graças a esse trabalho, a pandemia aqui está, agora, apresentando um comportamento linear e previsível. Se assim continuar, nossos protocolos estão estabelecidos e sendo eficientes para a manutenção das atividades do comércio, com menos restrições. Mas não podemos garantir que será sempre assim. Caso haja agravamento significativo na velocidade de transmissão da doença, que afete a capacidade hospitalar regional - o que não esperamos -, mais uma vez conversaremos com as entidades do setor produtivo e, de forma colaborativa, pensaremos em medidas mais austeras, priorizando a vida. Esclareço: o protocolo estadual de restrição de horários segue a lógica de não estimular a circulação de pessoas. Clientes não se aglomeram nas lojas porque esses locais cumprem os protocolos de ocupação. Contudo, pessoas circulando mais tempo nas ruas fazem com que o vírus também circule. Caso volte a subir o contágio, o atendimento presencial pode ser mais restritivo, sem deixar de ser complementado por vendas remotas e sem impedir que as empresas funcionem.

Diário - O Estado liberou a realização de eventos sociais, desde que seguidas algumas regras. Como o senhor pretende conduzir o setor em Santa Maria? Todos os eventos estarão até o fim do primeiro semestre da próxima administração? 

Pozzobom - Depois de tratativas realizadas, tanto com representantes do setor de eventos quanto com o Ministério Público Estadual, em 13 de novembro assinamos o decreto número 251, que autoriza a retomada dos eventos sociais em Santa Maria já a partir de 1º de dezembro, levando em conta o potencial de retomada econômica que o setor tem, considerando as festas de final de ano. Ou seja, não serão liberados logo no 1º semestre da administração porque estão liberados já para este ano. Os eventos sociais autorizados são todos aqueles dispostos no Decreto Estadual e incluem eventos em espaços abertos e fechados, teatros e casas de show. Os protocolos de segurança sanitária também são do Estado.

Diário - Até quando o senhor quer que a rede municipal de ensino retome as aulas presenciais? O senhor exigirá novas regras para as escolas e alunos a fim de promover, de fato, esse retorno? 

Pozzobom - Manteremos as atividades de ensino remotas até o final deste ano. Segundo o decreto, as escolas estão autorizadas a fazer plantões. As escolas da rede municipal estão se preparando para o retorno presencial, organizando seus locais para quando isso for possível. O decreto sinaliza o início do ano letivo de 2021, porém, ela se dá de acordo com as orientações sanitárias. Não temos percebido pressão dos pais de alunos das escolas públicas quanto ao retorno. Nossa caminhada é para trabalhar com o retorno gradual. Nós já organizamos os plantões, depois autorizamos o ensino híbrido, no 9º ano e no 3º ano, e, na sequência, iremos analisar o retorno ao restante. O decreto já sinaliza para que todas as redes se preparem e preparem seus professores com formações pensando em 2021.

Diário - O senhor vai incentivar que faculdades e universidades privadas e a própria UFSM retomem as atividades presenciais, até como forma de reaquecer a economia local? 

Pozzobom - Assim como em todos os níveis de ensino, não promoveremos a abertura prematura de nada. E o Ensino Fundamental se enquadra nesse contexto. Questões técnicas e diálogo nortearão essa questão.

Diário - Com o fim do auxílio emergencial federal, como o senhor lidará com o aumento do número de pessoas sem renda e consequências sociais disso em 2021? 

Pozzobom - Continuaremos trabalhando com planejamento e com o monitoramento das 23 mil famílias que fazem parte do Cadastro Único. Todos que necessitarem da Assistência Social são referenciados em um Centro de Referência de Assistência Social. Em 2019, fizemos diversos cursos profissionalizantes para fomentar emprego e renda. A essas iniciativas, vão se somar, em 2021, a ampliação de vagas em casa de passagem, acolhimento de pessoas em situação de rua e ampliação do número de refeições no Restaurante Popular.

*Colaborou Rafael Favero


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