investigação

VÍDEO: mistério paira sobre brutal assassinato de freira em São João do Polêsine

Maria Ana Dal Santo, 79 anos, foi morta no domingo passado na localidade de Linha da Glória

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Foto: Anselmo Cunha (especial)

Uma católica fervorosa e devota de Nossa Senhora Aparecida e do Imaculado Coração de Maria. Uma pessoa que tinha orgulho de acordar todos os dias às 4h para cuidar das plantas, dos animais e ordenhar as vacas para servir leite aos alunos carentes da Escola Nossa Senhora Aparecida de Iporã (PR), onde era colaboradora há mais de 40 anos. Essa história de mais de 60 anos de dedicação à fé teve um final trágico no domingo passado, quando a freira gaúcha Maria Ana Dal Santo, 79 anos, foi assassinada de maneira cruel e misteriosa.


A religiosa foi encontrada morta com um corte profundo na nuca na casa da irmã de 83 anos, que fica na localidade de Linha da Glória, interior de São João do Polêsine. A vítima estava sozinha na residência quando foi assassinada, visto que a irmã se encontrava em tratamento de saúde em um lar de idosos em Paraíso do Sul. Como mora no Paraná, Maria Ana havia viajado no final de dezembro para o Rio Grande do Sul a fim de cuidar da irmã e dos negócios da família.  

O corpo da religiosa foi encontrado pela irmã Rosa Isabel Dênis, coordenadora da Casa de Retiros da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Ela conta que um dia antes esteve com mais três colaboradoras da congregação com a freira na residência onde ela foi morta cruelmente, e relatou que a religiosa parecia estar preocupada com o estado de saúde da irmã e com os compromissos que havia deixado para trás no Paraná. Irmã Maria Ana planejava retornar para Iporã na segunda-feira, um dia após ser assassinada. 

Enquanto folheava as fotos que a amiga havia separado para levar de volta para o Paraná, irmã Rosa Isabel disse que a freira mostrava-se preocupada com a conclusão do testamento da família, em que ela doaria para a congregação, em Vale Vêneto, metade dos 37 hectares de terra onde fica a casa onde passou os últimos dias de vida. A outra metade ficaria com a irmã que ela estava ajudando a cuidar.

- Ela estava finalizando o processo do testamento. Ela pretendia se reunir com os arrendatários da área para formalizar a situação. Na verdade, já estávamos cuidando do local, sempre presentes, fazendo a limpeza e outros reparos que o lugar precisava. Agora, esse processo deverá ficar com a irmã dela - afirmou irmã Rosa Isabel.

A INVESTIGAÇÃO

A reportagem do Bei conversou no final da manhã de sexta-feira com o delegado Regional de Polícia Civil, Sandro Meinerz. Ele é o responsável pelo inquérito que já ouviu cerca de 20 pessoas. O delegado garante que a Polícia Civil está empenhada em resolver o mistério que envolve a morte da religiosa que tinha mais de 64 anos de vida dedicados à religião, mas que, por enquanto, ainda não conseguiu apurar uma informação que possa fortalecer uma linha de investigação específica.

- Por enquanto, não estamos descartando nenhuma hipótese. Nenhuma possibilidade. A hipótese mais provável é a de homicídio. Tem a possibilidade da motivação patrimonial, de foro íntimo, pessoal, que envolve a vítima ou até a irmã da vítima. Isso precisa ser investigado. Também não descartamos completamente a possibilidade de latrocínio (roubo com morte), mas é a menos provável, visto que os pertences pessoas e uma quantia em dinheiro não foi levada da residência. Vamos continuar ouvindo mais pessoas e buscar informações sobre os dias que antecederam a morte da religiosa, quem esteve com ela, quem frequentava a casa onde ela foi assassinada para que possamos entender a mecânica e obter os indícios que precisamos para apontar a autoria e a motivação desse crime brutal - comentou o delegado.


Foto: Anselmo Cunha (Especial)
Corpo da religiosa foi sepultado no último domingo, no Cemitério de Vale Vêneto, atrás da Igreja Matriz, no Jazigo da Congregação do Imaculado Coração de Maria, ao lado dos pais e de uma irmã

TENTATIVA DE ARROMBAMENTO

Sobre os dias que antecederam a morte da Irmã Maria Ana, uma informação chama a atenção. Segundo a coordenadora da Casa de Retiros da Congregação do Imaculado Coração de Maria, no dia 11 de janeiro, teria havido uma tentativa de arrombamento da residência onde aconteceu o crime. Não havia ninguém na na propriedade naquele momento e o caso não chegou a ser registrado na Polícia Civil.

- Ela (irmã Maria Ana) ficou bastante assustada. Passei a ir dormir com ela para que pudesse se sentir mais segura. Não imaginava o risco que eu estava correndo - comentou a irmã Rosa Isabel. 

Outro fato que segundo as pessoas mais próximas da freira assassinada precisa ser melhor esclarecido é uma situação que teria ocorrido na noite de 25 de dezembro de 2020. Nesta data, a irmã de Maria Ana foi encontrada caída dentro de casa e foi socorrida por um vizinho. Ela apresentava ferimentos nos dois lados do rosto e nas costelas. Mas o que mais teria chamado a atenção é o fato de que, naquela noite, o vidro da porta de entrada da casa havia sido quebrado. 

- Foi por isso que Maria Ana veio do Paraná. para ajudar a cuidar da irmã. Mas só fiquei sabendo que ela estava na região dias após a sua chegada, quando recebemos um telefonema da escola em Iporã pedindo informações sobre ela. Até então, ela não havia nos procurado - revelou a coordenadora da casa de retiros.

A REPERCUSSÃO EM VALE VÊNETO

O assassinato de irmã Maria Ana ainda repercute na localidade que fica na 4ª Colônia de Imigração italiana.

O casal Romilda e Arlindo Rorato é dono de um restaurante que fica em frente à Igreja Matriz de Vale Vêneto. Eles dizem estar assustados, mas que confiam num desfecho da investigação.  

- Tinha mais pessoas junto com a gente quando a gente recebeu a notícia. É muita tristeza. Imagina do jeito que mataram essa freira. Não se sabe nada. Por enquanto não se tem nenhuma pista - disse Romilda. 

- Isso aqui é uma cidade pacata. as pessoas se conhecem. Todos religiosos e de repente matam uma freira de modo covarde. Mas porque mataram essa senhora? Isso precisa ser investigado. Tem coisas obscuras. A polícia tem que dar a resposta. Tem a questão da propriedade da família... Certamente em algum momento quem matou a freira deixou rastro. E esse rastro vai aparecer - completou Arlindo.

OS ÚLTIMOS DIAS DE MARIA ANA

Irmã Maria Ana costumava realizar retiros com as colegas de congregação em Vale Vêneto. Mas a última vez que ela conseguiu dedicar um pouco mais de tempo para rever as amigas em Vale Vêneto foi em 2019:

- Ela sempre fazia retiros aqui. Eram encontros breves em que ela contava como era a vida dele no Paraná. Ela se identificava muito com a nossa congregação. 

Nos últimos dias de vida os encontros com as irmãs da congregação em São João do Polêsine foram mais intensos. 

- Rezávamos muito o Terço e a Oração da Fundadora da congregação, que pede a canonização da Madre Bárbara Maix. Ela é conhecida pela cura de duas pessoas queimadas. Esse processo está em andamento no Vaticano. Os milagres atribuídos a ela já foram reconhecidos pela pelas comunidades científica e teológica. Falta, agora, a confirmação da Santa Sé - disse a irmã Rosa Isabel.

A GRUTA E A CAPELA 

A freira Rosa Isabel recebeu a reportagem do Bei na manhã de sexta-feira. Questionada sobre quais os locais que ela mais gostava de frequentar na casa de retiros, a religiosa respondeu: a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e a Capela Imaculada Coração de Maria. Quando ela entrava na capela, sempre sentava no mesmo lugar, a frente, do lado esquerdo, próximo da janela. Hoje, no local onde ela costumava fazer as orações, há um Terço na guarda da cadeira.

64 ANOS DEDICADOS À RELIGIÃO 

Nascida no dia 6 de agosto de 1941 em Restinga Sêca, Maria Ana ingressou na vida religiosa aos 14 anos em uma congregação na cidade de Rio Pardo. Desde 1977, Maria Ana se dedicou à escola em Iporã (PR), onde comemorou datas importantes como a celebração dos 25 e 50 anos de vida religiosa. Ao todo, foram 64 anos dedicados à religião.

AMOR PELOS ANIMAIS E PLANTAS  

Conforme as irmãs da escola de Iporã, a idosa era uma pessoa que tinha uma imensa simplicidade. Apaixonada pelos animais, ao fundo da escola as irmãs têm uma chácara, onde plantam e cuidam dos animais, tarefa que era uma das preferidas de Maria Ana. .



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