são joão do polêsine

VÍDEO: freira pode ter sido assassinada após desistir de viagem

Irmã Maria Ana Dal Santo teria prometido pagar R$ 1,8 mil para que o suspeito do crime a levasse de carro até o Paraná, onde morava

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Foto: Foto: Anselmo Cunha (Diário)

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

O desacerto de uma corrida de R$ 1,8 mil até a cidade de Iporã (PR). Para a Polícia Civil, esse pode ter sido o motivo que levou ao assassinato da freira Maria Ana Dal Santo, 79 anos, com um golpe de facão na nuca.

O crime aconteceu no final da manhã de 17 de janeiro na residência da irmã da vítima, em São João do Polêsine, na Localidade de Linha da Glória. A religiosa estava sozinha quando foi morta. O suspeito do crime, Anderson Refatti, de 28 anos, trabalha como motorista executivo e foi preso na quarta-feira em Faxinal do Soturno.

O autor confesso do assassinato está no Presídio de Agudo à disposição da Justiça.

O facão usado para quase degolar a religiosa foi encontrado em um matagal, na Estrada de Ribeirão, próximo à localidade de Linha da Glória. Foi o próprio suspeito que indicou o lugar onde a arma que teria sido usada para tirar a vida da religiosa havia sido dispensada.

COMOÇÃO DA QUARTA COLÔNIA
O crime causou comoção junto à comunidade da Quarta Colônia. Antes, a pergunta era: "Quem matou a freira Maria Ana Dal Santo?". Mas com a prisão do autor confesso do assassinato, a pergunta passou a ser: "Por que ela foi morta?"

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

UM PADRE ATÔNITO
O padre Roque José Groth, da Paróquia São Roque, em Faxinal do Soturno, os moradores da região ainda estão atônitos com o crime que vitimou uma religiosa com uma vida toda dedicada a ajudar os mais necessitados:

- Hoje, se espalhou um fato que se tornou um certo alívio para o povo, mas também gerou indignação: porque uma pessoa que morava no Paraná foi morta dessa forma? Parece uma vingança. Se fosse um roubo... Mas segundo a polícia, isso não aconteceu. Agora sim. Tinha a expectativa. Quem será? É um alívio de certa maneira, mas fica a indignação.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

O DONO DO BOLICHO
Giovani Segabinazi, 28, tem um bolicho que fica em frente à praça da igreja, em São João do Polêsine. Do outro lado da rua fica o ponto onde o motorista executivo costumava ficar aguardando chamados de clientes para corridas na região:

- Todo mundo conhecia ele. Era um cara tranquilo. Fiz uma corrida semana passada com ele até Santa Maria. Falávamos de coisas da cidade. É inacreditável. Logo por aqui, um cara numa cidadezinha pequena. Não se fala em outra coisa.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

A FAXINEIRA DA FAMÍLIA
Idé Beatriz, 52 anos, foi faxineira por três anos na casa onde a religiosa foi assassinada. Devido a uma trombose, ela teve que amputar uma das pernas. Desde então, vive da aposentadoria. Ela conta que conhecia pouco Irmã Maria Ana, mas que tinha uma boa relação com a irmã da religiosa, que está em um lar de idosos em Paraíso do Sul.

- A irmã da freira é uma pessoa muito boa. Me pagava bem e me ajudava. Fiquei chocada com o crime. Nunca tinha acontecido isso perto da casa da gente. Não saberia dizer o que aconteceu. A Maria Ana, só via ela passando de Fusca aqui na frente de casa. Fica difícil de dizer o que houve. Mas foi muito triste - conta.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

ASSUNTO CHEGOU NA PRAÇA
Claudir Prestes trabalha como serviços gerais em Faxinal do Soturno. Ele tem 52 anos e foi um dos primeiros a chegar na praça central da cidade na manhã desta quarta-feira. Ao perceber a aproximação da reportagem, ele pergunta:

- Querem que eu desligue o aparador de gramas para vocês gravarem?

A atenção do trabalhador mereceu destaque na reportagem.

- Estou surpreso, pois não conhecia o autor do crime. Pelo que a gente vê pela cidade, todos estão surpresos. Muitos conheciam ele, mas trabalhava mais como motorista em São João do Polêsine - comentou.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

JOGO DE CARTAS
O suspeito do assassinato tinha um hábito: gostava de jogar baralho com os amigos numa cancha de bochas que fica às margens da ERS-149, na saída de São João do Polêsine. O aposentado Jaime Ruviaro, 69 anos, administra o local. Enquanto descascava uma bacia de cebolas, ele conversou com a reportagem do Bei sobre a relação que tinha com o motorista e contou que, na tarde do dia 17 de janeiro, após o crime, ele foi até o local e seguiu com a rotina. Estacionou o carro às margens da rodovia e foi jogar carta:

- Ele esteve aqui normalmente jogando baralhos como se nada fosse. Simplesmente não acredito que seja o autor do crime. Uma pessoa tranquila. Ele esteve aqui na tarde de domingo. Pediu refrigerante, pastel, como se nada tivesse acontecido. Agora vem essa notícia... Difícil de acreditar.

MOTIVAÇÃO
Para o delegado Sandro Meinerz, as informações apuradas até agora pela investigação indicam que a religiosa já estava marcada para morrer no final da manhã do dia 17 de janeiro.

Para a Polícia Civil, a religiosa foi assassinada porque teria voltado atrás em uma oferta de serviço ao suspeito: levá-la de carro para a cidade do Paraná onde era voluntária havia quatro décadas em instituição que cuida de crianças.

- Durante o depoimento, ele demonstrou ser um indivíduo frio, não demonstrou remorso, arrependimento ou qualquer outro tipo de sentimento. Pelo contrário. Admitiu o crime, deu detalhes, inclusive, onde havia dispensado o facão para matar a religiosa. Seguimos apurando mais informações para reforçar as provas e indícios e, nos próximos dias, estaremos remetendo o inquérito com o devido indiciamento à Justiça - conta o delegado Meinerz.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

ÚLTIMA CONVERSA NO GALPÃO
Segundo o delegado, o motorista executivo já havia ficado com R$ 1 mil da religiosa para o conserto do Fusca da vítima. O dinheiro havia sido adiantado para que ele providenciasse o reparo do veículo, mas ele não teria cumprido com o acordado e gastou o dinheiro. Diante da negativa da irmã em confirmar o pagamento de R$ 1,8 mil para o transporte até o Paraná, o jovem teria ido até a propriedade disposto a matá-la.

Conforme apurado, o motorista esteve na propriedade no final da manhã de domingo e teria se encontrado com a freira nos fundos da residência, onde há um galpão grande de madeira. Nesta quarta, a reportagem constatou que o local estava aberto, mas sem ninguém, exceto pela presença de um gato. Na mesa, há pratos com restos de comida. Os pratos com água e comida para o gato estavam vazios.
Em seguida da conversa no galpão, os dois saíram dos fundos da casa e entraram na residência. Em determinado momento, ela teria dado as costas ao jovem, que então a teria golpeado com o facão.

Foto: Anselmo Cunha (Diário)

Anderson Refatti é assistido pelo advogado Ditmar Strahl. Ele acompanhou o depoimento do jovem após ser preso pela Polícia Civil:

- Vou aguardar as investigações da autoridade policial para me manifestar. Devemos ter desdobramentos dos fatos.


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