durante a pandemia

Santa Maria registrou 167 casos de golpes virtuais em março e abril

Números são dos meses de isolamento social. Crimes do tipo cresceram 30% na cidade em relação a 2019

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Foto: Pedro Piegas (Diário)

Um convite de amizade no Facebook e a troca de mensagens pela rede social parecem situações comuns na internet, mas para algumas pessoas virou motivo de preocupação e caso de polícia. Isso porque um tipo de golpe vem crescendo durante o período de isolamento social pelo coronavírus: o estelionato virtual e por telefone. Em março e abril deste ano, meses em que o isolamento se intensificou, 188 ocorrências de estelionato foram registradas em Santa Maria. Dessas, 167 são de situações que ocorreram no meio virtual ou por telefone (veja os dados abaixo).

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De acordo com o delegado Marcelo Arigony, titular da 2ª Delegacia de Polícia de Santa Maria, o crime mais comum é o chamado "golpe dos nudes". Nesses casos, um estelionatário cria um perfil falso, geralmente de uma adolescente, e entra em contato com homens, por Facebook ou WhatsApp, trocando mensagens e fotos íntimas. 

As conversas, que contêm fotos, passam a ser motivo de extorsão. Entre os alvos estão homens, preferencialmente casados, com mais de 40 anos. Segundo o delegado, a forma de aplicação do golpe possui diversas variações. Geralmente, depois de o homem e o perfil falso da adolescente trocarem as fotos íntimas, outro perfil falso, de um suposto "pai indignado" dessa menina, que seria menor de idade, entra em contato com o homem exigindo dinheiro para não denunciá-lo à polícia.

Em alguns casos, outro perfil, de um suposto delegado, inicia também uma chantagem pedindo depósito bancário para não investigar a "pedofilia" relacionada ao suposto armazenamento de fotos íntimas de uma menor de idade. Em outras ocorrências, quando a vítima também envia uma foto íntima sua, o estelionatário passa a chantageá-la, pedindo dinheiro, para não fazer a divulgação da imagem.

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- As pessoas nunca devem fazer o depósito bancário, até porque não há garantia de que a chantagem vai parar depois do recebimento do dinheiro. Pelo contrário, quando o criminoso perceber que a pessoa tem dinheiro, daí mesmo que vai tentar tirar mais quantias dela - alerta Arigony.

AUMENTO DE 30%
De acordo com dados da Delegacia Regional de Santa Maria, houve um aumento de 30% no aumento de ocorrências de estelionato nos primeiros quatro meses de 2020 em relação aos mesmos meses de 2019. De 245 registros no ano passado, houve um salto para 352 neste ano:

Segundo o delegado regional, Sandro Meinerz, em março, foram 87 ocorrências de estelionato virtual. Dessas, 15 estavam relacionadas ao "golpe dos nudes". Ainda de acordo com o delegado, nas duas semanas do mês de maio, esse número já foi superado.

- Só nesta última semana, seis pessoas me procuraram para pedir orientações porque caíram no golpe. Isso sem falar nas pessoas que procuraram outra delegacia. Esses golpes com fotos íntimas aumentaram em toda a região - afirma.

Tanto Meinerz como Arigony destacam que muitas pessoas optam por não fazer registro de ocorrências nesses casos.

- Todos os dias aparecem pessoas na delegacia querendo orientações de como agir nesses casos. Poucos querem registrar ocorrência, por medo de se expor e até vergonha, já que envolve troca de fotos íntimas. Há uma subnotificação muito grande, a maioria das pessoas que nos procura quer apenas uma orientação do que fazer - relata Arigony.

Além dos crimes envolvendo fotos íntimas, conforme Meinerz, houve um aumento também de estelionatos relacionados à compra e venda pela internet em meio a pandemia, movimentações bancárias, boletos de pagamento falsos e clonagem de WhatsApp.

- Esses casos de clonagem no WhatsApp também nos preocupam muito. Acontece de pessoas desconhecidas mandarem mensagens pelo WhatsApp dizendo que solicitaram uma nova senha para acessar o e-mail ou outra rede social, e dizem que, na hora de digitar o número de telefone para a redefinição da senha, colocaram, por engano, o contato dessa vítima. Aí os criminosos pedem que a pessoa envie o código que chegou. Só que esse é o código do WhatsApp da própria pessoa. Se ela encaminhar esse código pro indivíduo desconhecido, ele vai conseguir clonar - explica Meinerz.

CUIDADO NA INTERNET
Os delegados salientam que os usuários precisam ter muita atenção com quem adicionam nas redes sociais, devendo sempre desconfiar de pessoas desconhecidas. Além disso, é necessário ter cuidado com o teor das conversas, evitar a troca de informações e fotos íntimas e nunca fazer depósitos bancários por meio de chantagem. Também não recomendado passar dados pessoais, nem clicar em links suspeitos. Em caso de ameaça ou atitude suspeita, as vítimas devem procurar a Polícia Civil para registrar ocorrência ou, ao menos, receber alguma orientação.

- É muito difícil a gente chegar até o estelionatário, porque muitas vezes os criminosos são de outras regiões e sempre utilizam dados falsos. A melhor dica é a prevenção - conta Arigony. 

*Colaborou Janaína Wille


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