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Maioria dos crimes de furto e roubo tem queda no primeiro semestre de 2021

Roubos a residência, a pedestre e a estabelecimento comercial e furtos de veículo registram redução em relação a 2019 e 2020

Foto: reprodução

Na madrugada de 12 de janeiro, câmeras de segurança flagraram o arrombamento e o furto de uma padaria em Santa Maria. O ladrão entrou no prédio por uma janela basculante e rastejou até o caixa

O primeiro semestre deste ano terminou com redução na maioria dos índices de roubos (crime com ameaça) e furtos (sem violência) em Santa Maria. De sete tipos de crimes, quatro caíram e três aumentaram entre 2019 e 2021. As quedas foram verificadas nos roubos a residência, a pedestre e a estabelecimento, e nos furtos de veículos. Já os roubos de veículos e os furtos a residência e estabelecimento comercial tiveram elevação nos últimos três anos.

Em um comparativo antes e durante a pandemia, a criminalidade mostra uma mudança de cenário. Os roubos a pedestre e a estabelecimento comercial foram os crimes que registraram maior queda, com cerca de 60% nos últimos três anos. De janeiro a junho de 2019, houve 475 roubos a pedestres na cidade. Neste ano, o número caiu para 198. O mesmo acontece com o roubo a estabelecimento, que caiu de 73 para 27 no mesmo período.

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Mesmo que em uma porcentagem menor, o roubo a residência também caiu. Em 2019, a Polícia Civil teve um total de 22 ocorrências registradas. Em 2020, o número subiu para 33. Mas, neste ano, o índice voltou a cair e fechou o semestre com 18 casos, o que mostra redução de quase 20% em três anos.

De acordo com o delegado regional de Santa Maria, Sandro Meinerz, assim como a vida das pessoas, a pandemia também alterou algumas perspectivas e questões que determinavam os índices de criminalidade em diferentes épocas do ano. O roubo a pedestre é um exemplo dessa mudança. Com as restrições relacionadas ao distanciamento social, a circulação de pessoas nas ruas diminuiu bastante, principalmente durante a noite.

- Essa diminuição de ocorrências possibilitou que a Polícia Civil pudesse aumentar a resposta das investigações daqueles fatos que eram registrados, consequentemente, identificando, apurando e prendendo mais pessoas envolvidas nesses crimes. Tudo isso fez com que os delitos, em uma maneira geral, diminuíssem - diz Meinerz.

Conforme o comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon) da Brigada Militar, tenente-coronel Cleberson Braida Bastianello, já era possível notar uma redução desses números mesmo antes da pandemia.

- Já vínhamos em uma tendência de queda e agora esses números são ainda menores. Devemos isso, também, em razão do trabalho preventivo da Brigada Militar nas ruas em locais com maior incidência e maior probabilidades de delitos. As atividades de inteligência junto com a Polícia Civil têm identificado esses indivíduos e os prendido, o que resulta nessa redução - explica.

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Em relação à mudança do cenário criminoso, é fácil perceber onde há os maiores destaques. Se por uma lado os crimes de furtos e roubos tiveram queda, os crimes cibernéticos - por exemplo, a clonagem do WhatsApp - tiveram um aumento significativo. Segundo o delegado, em um comparativo com o primeiro semestre de 2019, o número de estelionatos triplicou na cidade em 2021. 

- Isso mostra que os criminosos passaram a aplicar mais golpes, se aproveitando do isolamento das pessoas e do fato de elas estarem mais conectadas às redes. Isso acontece, infelizmente, devido à falta de segurança no ambiente virtual e à falta de cuidado das pessoas - analisa. 

 Veja abaixo o comparativo do primeiro semestre desde 2019:

Fonte: Polícia Civil

AUMENTOS AINDA SÃO REGISTRADOS
Em um comparativo de um ano sem pandemia e um com restrições de distanciamento social, o roubo de veículos e os furtos a residência e a estabelecimento comercial apresentam um aumento. O índice de furto a residência subiu 145% no primeiro semestre de 2019, quando a cidade teve 115 casos, para 2021, quando 282 casas foram assaltadas nos primeiros seis meses do ano. Mesmo com o aumento, o número ainda é menor que em 2020, quando foram registrados 301.

Em relação ao furto a estabelecimento comercial, mesmo que esse tipo de crime tenha crescido pouco, ainda assim, houve elevação. Nos primeiros seis meses deste ano, houve 56 casos a mais do que em 2019.

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Seguindo uma sequência positiva, os órgãos da segurança também comemoram a queda nos números de furtos a veículos. Nos últimos três anos, os índices caíram 6%. O número de roubos a veículos subiu 33%. Em compensação, em 2021, dos 96 veículos furtados e roubados em Santa Maria, a grande maioria - mais de 80 - já foram recuperados.

Veja abaixo o comparativo de furtos do primeiro semestre desde 2019:


Fonte: Polícia Civil

AÇÕES CONJUNTAS
Para combater e prevenir os roubos e furtos, as instituições da segurança têm trabalhado, cada vez mais, em conjunto. Com trocas de informações e o planejamento de estratégias, a Polícia Civil tem realizado ações integrando as demais instituições para que essas reduções sejam maiores.

- Nós trabalhamos muito integradamente. Hoje os órgãos de segurança fazem operações conjuntas, planejam estratégias, e isso é muito importante. Todos os meses sentamos à mesa, neste momento, em ambiente virtual, e por meio do programa RS Seguro, traçamos um planejamento estratégico de ações que são realizadas em Santa Maria - conta o delegado Sandro Meinerz.

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A cidade que tem a quinta maior população do Estado é uma das 23 com maiores indicadores de criminalidade, por isto, integra o programa. Ainda conforme o delegado regional, por meio do RS Seguro, é possível verificar as regiões de Santa Maria que precisam de maior atenção por parte da polícia. 

- O trabalho em conjunto, não só com a troca informações, mas com ações de campo, é capaz de reduzir a criminalidade e fazer a retirada desses indivíduos da sociedade - diz Meinerz. 

Foto: Marcelo Oliveira (especial)
Ciosp conta com mais de 800 câmeras espalhadas pela cidade

CIOSP REFORÇOU A INTEGRAÇÃO
Desde 2020, Santa Maria conta com o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), que integrou os órgãos da segurança em um só lugar. As imagens das mais de 800 câmeras espalhadas por pontos estratégicos contribuem para que policiais civis e militares trabalhem na elucidação do crime, mas ainda com mais importância na prevenção dos delitos.

Para o delegado regional, o centro é o ponto de partida de uma nova era e de um novo momento para a segurança pública da cidade.

- A integração dos órgãos de segurança é, sem dúvida nenhuma, a grande arma que nós temos para oferecer contra a criminalidade. Se o crime organizado tem capacidade de se organizar, o Estado tem o dever de responder à altura essas novas demandas que surgem relacionado ao crime - diz Sandro Meinerz.

De acordo com o comandante do 1º RPMon, a prevenção dos crimes foi um trabalho que pode ser aperfeiçoado com a criação do Ciosp.

- O Ciosp fez com que pudéssemos monitorar esses locais de maior risco, prevenindo esses delitos. Também conseguimos identificar, de forma mais eficaz, a autoria do crime quando ele acontece. O cercamento eletrônico e a integração entre as instituições permitem também a agilidade em prender o suspeito, assim ele deixa de praticar crimes e isso reflete diretamente na redução desses crimes - aponta Cleberson Bastianello.  

O IMPACTO DA DESIGUALDADE SOCIAL
Com relação ao aumento e à redução de determinados tipos de roubos e furtos, o professor coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma), Eduardo Pazinato, analisa que a mudança de hábitos gerada pela pandemia também impactou a criminalidade e fez com que o crime migrasse para onde as pessoas estariam mais vulneráveis. Com o comércio mais tempo de portas fechadas e as pessoas estando mais em casa, devido ao trabalho remoto, os roubos a residência e a estabelecimento comercial deram lugar a um maior índice de furtos, que é quando não há a prática de violência no delito. Ou seja, os ladrões ingressavam e furtavam objetos das casas sem os moradores perceberem.

Uma hipótese levantada por Pazinato para o aumento desses dois crimes seria a desigualdade social, já que a pandemia também trouxe mais desemprego. A suspensão das aulas presenciais também é um fator que pode estar ligado a esses crimes, uma vez que é sabido que muitas crianças faziam as refeições na escola, a qual também tem um importante papel de proteção social.

- Não descartaria que alguns desses furtos, eventualmente, até roubos, que são delitos de natureza patrimonial, possam ter alguma associação com o aumento da desigualdade social, da fome, da falta de trabalho, de todos esses componentes socioeconômicos que impactam diretamente este tipo de delito - analisa o especialista em segurança pública. 


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