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'Além da dor da perda, tem a dor da injustiça' diz irmão de engenheiro morto por PM

Inquérito da Polícia Civil inocentou o policial militar que atirou contra o jovem. Já a Brigada Militar indiciou o soldado

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Foto: Foto: Arquivo Pessoal


Foto: Arquivo Pessoal

Sentimento de impunidade: é assim que Guilherme dos Santos Amaral, 28 anos, define o desfecho do inquérito da Polícia Civil sobre a morte do irmão gêmeo Gustavo em uma barreira policial em Marau, no Norte do RS, no dia 19 de abril. A Polícia Civil inocentou o policial que atirou contra o jovem. Em um inquérito diferente, a Brigada Militar indiciou o PM, que passará por um conselho de disciplina.

Guilherme questiona o fato de haver indiciamento em um dos inquéritos e em outro não. Segundo ele, a família está inconformada com o relatório do delegado.

- Como assim, uma situação que o policial imaginou que o meu irmão iria atirar? Um engenheiro que estava indo trabalhar confundido com um bandido, isso não existe! Foi confundido por quê? O celular dele até era pequeno, não tinha como confundir com uma arma. Os colegas do meu irmão mesmo disseram que ele gritou dizendo que era trabalhador, avisando que não era bandido - afirma.

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Gustavo era engenheiro eletricista, formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e estava a trabalho na montagem de um transformador no município de Marau. Por enquanto, segundo o irmão, a família ainda busca por responsabilizações.

- Ficamos indignados. Além da dor da perda, tem a dor da injustiça. Não queremos que se repita. Não é só pelo Gustavo, é por todos. O policial passa por um treinamento, não pode agir assim, atirando em qualquer um - destaca. 

O advogado Daniel Tonetto, que atua junto à família, afirma que vai buscar junto ao Ministério Público a responsabilização do PM. Ele também questiona o resultado do inquérito, que apontou que o policial agiu em legítima defesa putativa, ou seja, que ele reagiu a uma ameaça imaginária.

- Ele era um engenheiro, estava devidamente vestido e não tinha nenhuma arma. A tese de legítima defesa imaginária não tem como se aplicar nesse caso. Vamos argumentar com a promotoria - afirma.

Guilherme conta que a família solicitou uma reunião com o governador Eduardo Leite (PSDB), através do movimento social Juntos RS. Na quinta-feira, eles também vão encaminhar uma carta cobrando um posicionamento à Câmara de Vereadores de Santa Maria e pedir um espaço na tribuna para falar.

O QUE DIZ A DEFESA
Os advogados José Paulo Schneider e Ricardo de Oliveira de Almeida se manifestaram por meio de uma nota, onde afirmam que receberam com naturalidade a finalização dos dois inquéritos. Segundo eles, as provas de ambas as investigações são convergentes em mostrar que não houve execução. Além disso, os advogados afirmam que o próprio PM realizou os primeiros atendimentos e buscou ajuda médica para o jovem.  

- Não foram efetuados disparos pelas costas, tampouco existiu qualquer abuso pelos policiais militares. Estava se dizendo que a vitima foi morta com dois disparos, um deles pelas costas, o que não é verdade. A necropsia aponta que a vítima foi morta com um disparo de longa distância que atingiu a região do tórax. Naquele momento, o celular na mão do jovem parecia um objeto ameaçador, juntamente com o fato de ele não ter obedecido a ordem de parada e demais infelizes circunstâncias que resultaram no trágico e triste episódio - defende Schneider.

Além disso, Schneider diz que os relatórios e as provas são muito parecidos nos dois inquéritos:

- A questão é que o delegado resolveu e reconheceu o excludente de ilicitude e agora mandou para o Ministério Público Estadual decidir se denuncia ou não. A autoridade policial militar também fez um relatório muito minucioso e disse que pode existir um crime, mas deixou para o conselho de disciplina e para o Ministério Público decidirem se houve crime e se o policial atuou em legítima defesa putativa. Não é correto dizer que o relatório questiona ou contradiz o relatório do delegado.

Veja a nota na íntegra:

"A defesa técnica dos Policiais Militares que participaram da Ocorrência Policial na Cidade de Marau/RS, no dia 19/03, por ocasião do encerramento das investigações, vem a público reiterar o seu compromisso em realizar uma defesa técnica, com respeito à memória de vítima e por meio de atitudes que contribuam para a apuração dos fatos.

As palavras, ainda que cuidadosamente escolhidas, infelizmente não possuem o poder de alterar a trágica realidade e o sofrimento pela perda de um ente querido. Acreditamos, contudo, que a realização da mais ampla investigação, com a execução de todas as diligências possíveis, cumpriu com o seu papel de oferecer as respostas esperadas a respeito do que realmente aconteceu naquele triste episódio. 

Em virtude do encerramento da fase investigativa, a defesa aguarda uma célere e justa análise pelo Ministério Público.

Alerta-se, por fim, para a necessidade de tratarmos esse caso com extrema responsabilidade e respeito a todos envolvidos. De um lado, temos a memória da vítima e o sofrimento dos seus familiares. Do outro, há honrosos Policiais Militares que estão sendo sumariamente julgados por pessoas que não tiveram qualquer contato com as provas produzidas nas investigações. O momento é de dor e precisamos passar por ele com a maior tranquilidade possível. Por isso, é preciso deixar que as autoridades realizem os seus trabalhos com autonomia e imparcialidade."

*Colaborou Janaína Wille


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