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VÍDEO: uso de máscara em bairros de Santa Maria chega a menos de 30%

Diário percorreu cinco regiões da cidade. No Centro, índice de uso do equipamento supera os 90%

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Foto: Gabriel Haesbert (Diário)
No Centro, índice de pessoas com máscara passa chega a 94%

Desde abril, o uso de máscaras é recomendado via decreto municipal em vias públicas e ambientes que envolvam o contato com outras pessoas, medida corroborada por determinações estaduais e, mais recentemente, por lei federal. Entretanto, a recomendação ainda não é seguida a risca pelos santa-marienses. Em levantamento feito em cinco regiões da cidade, com a observação de 871 pessoas entre segunda e quinta-feira, o Diário constatou que 30% das pessoas não utilizava o equipamento em vias públicas da cidade. Há, ainda, uma disparidade na adoção do hábito entre diferentes bairros. Enquanto que no Centro a adesão chega a 94%, em bairros mais afastados, como Lorenzi e Tomazetti, o índice cai para 28%.


Na Região Oeste de Santa Maria, na última segunda-feira, das 119 pessoas observadas, 38 não utilizavam a máscara, o que representa 32% do total. No Bairro Juscelino Kubitschek, entre 10h25min e 10h35min, 30 pessoas passaram a pé ou de bicicleta pela esquina da Rua Radialista Osvaldo Nobre e Elvidio Azevedo. Destas, 11 deixaram o equipamento de lado. Duas pessoas usaram a máscara apenas ao chegar em um ponto do ônibus, para pegar o transporte.

No Bairro Nova Santa Maria, ao longo da Avenida Manoel Mallmann Filho, a situação é semelhante. Em 12 minutos, 14 das 30 pessoas não usavam máscara, incluindo um casal e uma criança, que carregavam sacolas de supermercado. Em nenhum dos locais foi constatado aglomerações.

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- A grande parcela está se cuidando, tem a devida consciência. Mas sempre tem aqueles 10%. O que tinha de aglomeração diminuiu bastante. De vez em quando se observa o pessoal reunido nas esquinas, mas poucas pessoas - conta o porteiro Jackson Pereira Bitencourt, de 20 anos, que estava com máscara.

Já no Bairro Tancredo Neves, o movimento é mais intenso. Na Avenida Paulo Lauda, nas proximidades do centro comercial, por volta de 11h, em 10 minutos circularam 59 pessoas, mas apenas 13 não usavam a máscara, já que o equipamento é exigido para entrar nos estabelecimentos.

A situação é invertida em áreas essencialmente residenciais. Na Região Sul, nos bairros Urlândia, Lorenzi, Tomazetti e Dom Antônio Reis, apesar do menor movimento, a incidência de pessoas sem máscara sobe para 72%, em observação realizada entre 13h50min e 14h40min na tarde da última segunda-feira em diversas ruas. Das 83 pessoas observadas, 60 (70%) não faziam uso da máscara. Não existem aglomerações. As ruas mais afastadas da BR-392, que corta os bairros, estavam vazias. Poucas pessoas saíam de casa a pé.


Foto: Renan Mattos (Diário)

- Para ser bem sincera, o pessoal não usa máscara por aqui. Únicos lugares em que se usa é dentro dos estabelecimentos, nos mercados e lojas - relata  Maria Silva Henrique, de 37 anos, moradora do Bairro Tomazetti.

Nos bairros Carolina, Salgado Filho, Caturrita e Perpétuo Socorro, todos na Região Norte da cidade, os números são semelhantes. Mesmo com maior movimento, o índice de pessoas sem máscara observado na tarde de segunda-feira é de 66% (90 de 135). O bairro de maior movimento é o Salgado Filho. Entre 15h20min e 15h43min, de 61 pessoas que circulavam pela Avenida Oliveira Mesquita e na esquina com a Avenida Borges de Medeiros, 41 não utilizavam o equipamento. No bairro também foi registrada a maior aglomeração, em uma praça. Em um espaço aberto, dez adolescentes, todos sem máscara, jogavam futebol. Crianças, acompanhadas de responsáveis, também brincavam nos balanços da pracinha, interditada desde o fim de maio pela prefeitura.

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No leste da cidade, a observação ocorreu na manhã de quinta-feira nos bairros Camobi e São José. Na região, apenas 38% dos 110 observados não utilizavam máscara. Em Camobi, nas proximidades do Centro Comercial, 11 de 47 pessoas que passaram entre 9h39min e 9h50min estavam com o rosto completamente exposto. A observação também ocorreu ao longo da Avenida João Machado Soares, em Camobi, e em diversas ruas do Bairro São José, entre 9h50min e 10h05min. Em Camobi, a reportagem flagrou uma borracharia com cerca de oito pessoas, entre clientes e funcionários, todos sem o equipamento.


Foto: Renan Mattos (Diário)

O cenário no Centro é completamente diferente. Com circulação de pessoas muito mais intensa, o índice de uso da máscara chega a 94%. No Calçadão, entre 10h22min e 10h32min, passaram 213 pessoas. Apenas 14 não vestiam a máscara. Na Rua do Acampamento, em dez minutos, das 211 pessoas, 198 faziam uso do equipamento.

OS NÚMEROS

Santa Maria

  • Total de pessoas observadas - 871
  • Sem máscara - 257 (30%)

Centro

  • Total de pessoas observadas - 424
  • Sem máscara - 27 (6%)

Sul

  • Total de pessoas observadas - 83
  • Sem máscara - 60 (72%)

Norte

  • Total de pessoas observadas - 135
  • Sem máscara - 90 (66%)

Leste

  • Total de pessoas observadas - 110
  • Sem máscara - 42 (38%)

Oeste

  • Total de pessoas observadas - 119
  • Sem máscara - 38 (32%)

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Quanto ao uso da máscara, a prefeitura atua, desde o fim de junho, com uma iniciativa ainda em caráter de conscientização. A Patrulha da Máscara reúne servidores municipais e busca levar orientações sobre o equipamento a pedestres que não estejam de máscara ou a usando de forma incorreta. Conforme o secretário de Gestão e Modernização Administrativa, Marco Mascarenhas, que coordena a ação, a Patrulha atua aos finais de semana em pontos de maior concentração de pessoas, como praças e locais públicos, como nos bairros Centro, Camobi e Tancredo Neves.

- Aos fins de semana, quando a gente tem atuado, observamos que mais de 90% da população tem feito o uso da máscara, em locais de circulação, nos meios públicos, nas paradas de ônibus e quando vão adentrar aos locais privados - relata Mascarenhas.

Até o momento, a Patrulha não enfrentou situações de recusa ou casos extremos de descumprimento das recomendações do uso de máscara. Caso a pessoa não possua o item, ele é disponibilizado gratuitamente pelos servidores.


Foto: Pedro Piegas (Diário)
Patrulha da Máscara atua nos finais de semana

- Estamos procurando, neste momento, atuar mais na questão da orientação. Mas evidentemente, em casos extremos, nós temos a possibilidade de aplicação de algumas sanções, tanto na esfera administrativa, cível ou até penalmente - explica.

A ideia é estender a ação para outros bairros da cidade, conforme a necessidade. Para isso, é importante que a população denuncie casos de descumprimento dos decretos municipais através da Guarda Municipal, pelo telefone 153, que centraliza as denúncias.

O uso de máscaras em vias públicas e estabelecimentos é recomendada oficialmente em Santa Maria desde 9 de abril, a partir do decreto executivo nº 69. No Estado, a utilização do equipamento é obrigatória desde 10 de maio, a partir do mesmo decreto que instituiu o modelo de distanciamento controlado. No país, foi sancionada em 3 de julho a Lei nº 14019, que regulamenta a utilização da máscara.

Máscara é importante para evitar a propagação do vírus


Conforme especialistas, a máscara é uma ferramenta importante para reduzir a propagação do vírus, apesar de não proteger totalmente a pessoa que faz o uso em ambiente comunitário.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS), desde junho, reconhece que o uso das máscaras caseiras em ambientes públicos oferece certo grau de controle para a propagação do vírus, apesar de não substituir medidas como o distanciamento físico e a higienização.

- A máscara não tem o intuito de proteger o usuário. Ela busca a redução da propagação por pessoas de pessoas portadoras do vírus, as quais tossem e espirram, e dessa maneira propagariam o vírus pelo ar. As máscaras são ferramentas importantes, que nos auxiliam na prevenção dessa infecções, especialmente em ambientes fechados - explica o médico infectologista Fabio Lopes Pedro, que não vê como problemático o não uso da máscara por pessoas em ruas e ambientes ao ar livre.

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Já o infectologista Reinaldo Ritzel alerta para uso do equipamento mesmo em ruas com pouco movimento.

- O ar livre é livre até a gente dar dois passos e ficar próximo de alguém. A rua é dinâmica, as pessoas se movimentam. Efetivamente, quando se está distante de alguém, não precisaria estar de máscara, mas o ato de tirar e colocar a máscara é complicado e até aumenta o risco de contaminação - explica Ritzel.

Já em ambientes fechados ou com grande circulação de pessoas, a utilização da máscara é altamente recomendável. Conforme Lopes Pedro, a transmissão do vírus se dá em ambientes pequenos, e evitar aglomerações em lugares do tipo é uma das principais medidas de prevenção.


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