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VÍDEO: Série da Netflix sobre a tragédia da Kiss já tem elenco 'de peso' escalado

Escritora Daniela Arbex falou ao Diário. Segundo ela, pais das vítimas foram avisados antes do público pela Netflix

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Foto: Lucas Amorelli (Diário) 

Lançado em 2018, o livro Todo Dia a Mesma Noite, escrito pela jornalista Daniela Arbez, traz depoimentos de pessoas que desde o dia 27 de janeiro de 2013 vivem com as memórias da tragédia que resultou em 242 mortos, além de pessoas feridas. Hoje, anunciado pela Netflix, uma série de ficção será inspirada no livro, e vai retratar algumas das histórias de vítimas e familiares. A escritora, que também é consultora da série, conversou com o editor de Cultura do Diário, Cassiano Cavalheiro, via zoom, e contou como começaram as negociações: 

- Eu já tinha um contato com a Netflix desde 2019, por conta de um projeto anterior, o Holocausto Brasileiro (homônimo de outra obra da jornalista), que virou documentário para a HBO. A executiva da HBO que conhecia meu trabalho foi para Netflix, e em 2019, conversamos sobre adaptar meus livros para a TV. Nesse meio tempo, a Morena Filmes me procurou, interessada em contar essa história através do audiovisual. Fiz a parceria com a Morena, que fez a parceria com a Netflix. 


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Questionada sobre elenco e outros detalhes da produção, Daniela diz que não pode antecipar muita coisa, mas garante que os atores são "de peso". Ela conta que as gravações começam em janeiro e que a série terá cinco episódios. 

- Na verdade eu não posso dar detalhes sobre a série em si, mas posso falar que a equipe está tratando o tema com tanto cuidado e delicadeza, que Santa Maria não será local de filmagem, seria muito duro fazer isso em SM, que será preservada de passar por isso. É bonito ver o cuidado com o qual a temática está sendo tratada, por isso me contrataram como consultora, eu sou muito preocupada com isso. A sensibilidade para tratar essa temática é muito grande. 

Daniela conta que as famílias foram avisadas antes pela Netflix. Como a série não conseguirá abordar todas as histórias, algumas serão retratadas na série, e as famílias inspiradas para esse recorte foram avisadas bem antes. 

A jornalista, assim como pessoas da Morena Produções, estão credenciadas para acompanhar o júri, que começa na semana que vem, 1º de dezembro.

- Vou acompanhar todo o julgamento, não poderia estar em nenhum outro lugar que não no Rio Grande do Sul. Eu acompanho essa história desde 2016, meu contato com as famílias é permanente, toda semana a gente sabe como essas pessoas estão. Criamos um grupo para divulgar informações, para a vaquinha virtual, que arrecada dinheiro para que as famílias estejam no julgamento. Acho que eu nunca saí daí (de Santa Maria). 

Daniela defende que a construção da memória coletiva é um caminho para a Justiça no Brasil, e que com a proximidade do júri, é uma forma de ter desfecho para essa história, para escapar do que chama de "cultura da impunidade". 

- Acredito na potência da palavra para fazer justiça. Quando a gente permite que uma história como essa seja conhecida por dentro por milhões de pessoas, a gente está combatendo a injustiça de ter chegado até aqui sem nenhuma responsabilização. É uma tragédia, um assunto denso, mas é o compromisso do jornalismo: fazer lembrar o que a gente não pode esquecer. A gente a fala muito que o Brasil é um país sem memória, mas não se pode ter memória do que não foi construído, e o jornalismo tem esse papel. 

Daniela conta que desde que escreveu Todo Dia a Mesma Noite, dois momentos a marcaram: um deles, foi quando enviou o exemplar aos familiares, antes do lançamento da obra, e Ligiane Righi da Silva, mãe de Andrielle, uma das vítimas, respondeu que "receber o teu livro é como receber a minha filha de volta". O segundo momento foi ser convidada para palestrar em uma escola de Minas Gerais, que adotou o título como leitura multidisciplinar. Ao chegar no colégio, ela disse que as paredes estavam tomadas de cartazes com homenagens às vítimas. A emoção com o episódio foi parar nas redes sociais da jornalista, um espaço onde pais de vítimas e os estudantes da escola acabaram interagindo: 

- Achei aquilo tão poderoso, porque aproximei esses dois mundos, é isso que eu faço, o jornalismo é uma ponte para o coração do outro. 


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