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VÍDEO: pesquisadores da UFSM começam a monitorar impactos de incêndio em Agudo

Área do Cerro da Igreja foi consumida por fogo no final de abril

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Foto: Renan Mattos (Diário)

Fotos: Renan Mattos (Diário)

Em 29 anos morando na localidade de Crema, interior de Agudo, o agricultor Araldo João Rodrigues, 69 anos (foto abaixo), nunca viveu um susto tão grande como na madrugada do dia 25 de abril. O fogo, que consumiu cerca de 150 hectares no Cerro da Igreja, ameaçava chegar perto da casa do agricultor, que fica bem na encosta do morro.


- Se eu fiquei com medo? Fiquei sim. Nunca antes vi algo assim. Era assustador ver esse fogo todo, ainda mais à noite. Só consegui dormir quando era quase 5h da madrugada naquele dia. E ainda assim, dá para dizer que tive que dormir com um olho aberto. Imagina se esse fogo pega na minha casa? - lembra Rodrigues.

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O agricultor é um dos mais antigos moradores da região. Ele conta que, junto com outro vizinho, ajudou os bombeiros a apagar o incêndio durante três dias e três noites. Mesmo de noite, com uma lanterna, o morador acompanhou os profissionais no meio da mata.

- Não foi fácil. Trabalhamos dia e noite e ainda bem que choveu. Tinha muita fumaça. Os olhos ardiam de tanta fumaça.

Agora, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) irão monitorar os impactos do incêndio na fauna e na flora da região. Nesta segunda-feira, o prefeito de Agudo, Valério Vili Trebien (MDB), o subcomandante dos Bombeiros Voluntários, Edison Friedrich, o professor Mauro Schumacher, coordenador do Laboratório de Ecologia Florestal da UFSM, juntamente com alunos, foram ao local iniciar a montagem dos equipamentos de monitoramento.  

_ Com esse trabalho, queremos quantificar a área afetada e os impactos para o meio ambiente. Algumas plantas morreram com as chamas, outras foram parcialmente afetadas, mas podem morrer depois de um tempo. Os impactos de um incêndio dessas proporções não são apenas aqueles visíveis com o rastro de destruição, mas continuam aparecendo mesmo depois de um tempo - destaca Schumacher.

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Enquanto os pesquisadores se embrenhavam pela mata, uma equipe da empresa Santa Maria Consultoria fazia o mapeamento de toda a região do Cerro da Igreja com um drone que sobrevoava o local. Com isso, vai ser possível delimitar a área devastada e trazer números concretos sobre a vegetação atingida, que é estimada em 150 a 180 hectares pela prefeitura.

No meio da mata, Schumacher e os alunos instalaram as chamadas parcelas, que são áreas delimitadas por fitas que servirão como uma espécie de amostra para o estudo. Ao todo, serão cinco de 600 m² cada. Dentro dessas parcelas, explicam os pesquisadores, são realizadas coletas de solo e material orgânico, que são comparadas a coletas feitas em áreas não queimadas, para que seja possível quantificar o que foi perdido. Além disso, todas as árvores que ficam dentro do perímetro delimitado pelas parcelas são medidas e analisadas para ver o quanto foram danificadas. A partir desses dados por amostragem, será feito um cálculo com o total de hectares atingidos para se poder chegar na quantidade aproximada de perdas ocasionadas pelo incêndio.

ESTUDO VAI LEVAR 5 ANOS
A área delimitada para o estudo, chamada de parcela, vai ser monitorada constantemente. Segundo o pesquisador, a ideia é voltar até esse mesmos locais periodicamente para ver qual a capacidade de recuperação da vegetação. 

_ O estudo deve demorar, no mínimo, cinco anos, porque precisamos observar como a mata vai se recuperar a longo prazo. O normal é a vegetação voltar a germinar por conta própria, mas como foi um incêndio grande, isso precisa ser analisado. Se necessário, vamos criar formas de ajudar a vegetação a se recuperar _ afirma Schumacher.

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Estimativas iniciais apontam que árvores de mais de 200 anos foram queimadas, além de fungos e animais como pássaros, insetos e roedores. Além disso, muito gás carbônico foi lançado para a atmosfera com a queima, o que pode prejudicar os animais que conseguiram sobreviver.

Em paralelo a esse estudo de campo, o grupo pretende fazer também uma série de atividades de prevenção, nas escolas de Agudo e também com produtores rurais do município, para conscientizar a respeito dos perigos das queimadas.

SÓ A CHUVA APAGOU O FOGO 
O prefeito Trebien, que nasceu e cresceu nos entornos da localidade de Crema, ajudou a guiar os pesquisadores. 

_ Acima de tudo, foi muito triste ver o Cerro da Igreja em chamadas. É um símbolo do nosso município. Como era impossível para os bombeiros apagar o fogo, nos preocupamos muito em não deixar as chamas chegarem até as casas próximas. Ficamos felizes agora em contar com o apoio da UFSM para ver como será possível recuperar o morro - disse o prefeito.

O subcomandante dos Bombeiros Voluntário ainda tem viva a lembrança dos dias em que trabalhou no combate do incêndio. Como não era possível chegar próximo a área do morro de carro, maquinários da prefeitura abriram estradas para que os caminhões de bombeiros pudessem chegar o mais próximo possível. Além da guarnição de Agudo, ajudaram a controlar o fogo também bombeiros voluntários de Paraíso do Sul e Faxinal do Soturno e bombeiros militares de Restinga Sêca. A chuva, que caiu três dias depois do começo do incêndio, ajudou no combate às chamas.

_ No meio do mato, abrimos a facão trilhas para passagem. Foi um trabalho muito desgastante. Subíamos 500 metros de morro 8, 10 vezes por dia carregando água - relata.

O incêndio iniciou no dia 23 de abril e só foi controlado na manhã do dia 26, quando choveu na região. Foi preciso fazer uma ação de barreira de fogo controlado para que o incêndio não atingisse as propriedades próximas.

*Colaborou Janaína Wille

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