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VÍDEO: ato pede por justiça em caso de homem negro morto em mercado

João Alberto Silveira Freitas foi morto em Porto Alegre na quinta-feira. Protesto em Santa Maria aconteceu em frente a filial do mesmo mercado em que ele morreu

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Pouco depois das 18h desta sexta-feira, Dia da Consciência Negra, gritos que entoavam a frase "vidas negras importam" ecoavam ao longo da Avenida Rio Branco, no centro de Santa Maria. Dezenas de manifestantes se reuniram em frente ao supermercado Carrefour pedindo por justiça por João Alberto Silveira Freitas, o Beto, 40 anos, morto na noite desta quinta-feira após ser espancado por seguranças dentro de uma das filias do supermercado, na Capital. 

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A manifestação, organizada hoje pela Associação Ara Dudu e pelo coletivo Dandaras, chegou a ocupar a calçada em frente ao supermercado em Santa Maria e parte da Avenida Rio Branco, mas foi totalmente pacifica. 

- O Ara Dudu e o Coletivo Dandara organizaram e as pessoas começaram rapidamente a se engajar. Isso representa luta. O dia em que era pra eu estar lembrando dos meus antepassados, que começa lá no Zumbi dos Palmares até chegar no Nei D'Ogum, a gente se encontra de novo na mesma luta por causa do racismo, por causa das intolerâncias, dos assassinatos -  comenta a presidente do Ará Dudu, Carmen Lucia Chaves, a Baiana. 

Os manifestantes percorreram o interior do mercado para entregar uma carta pedindo por justiça pela morte de Freitas. Logo em seguida, as portas da frente do supermercado foram fechadas e se mantiveram assim durante todo o ato. Os acessos aos estacionamentos seguiam liberados. 

Com megafones e cartazes, os manifestantes lembraram diversas mortes relacionadas ao racismo que aconteceram recentemente, como o assassinato do engenheiro santa-mariense Gustavo dos Santos Amaral, 28 anos, morto durante uma barreira policial em Marau. 

- É com muita tristeza que eu venho aqui, porque ontem fez sete meses que aconteceu esse crime om o Gustavo. Isso se repete e é cada vez mais comum. Na época, eu disse que o Gustavo não seria o último e infelizmente não foi - conta Guilherme, irmão gêmeo de Gustavo.

Ao final do ato, mãos com tinta vermelha foram pintadas na faixada do supermercado. Também foram fixados cartazes com pedidos de justiça. 

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"SE ELE FOSSE UMA PESSOA BRANCA, TERIA TIDO O MESMO TRATAMENTO?"
Para celebrar o Mês da Consciência Negra, o Comitê de Igualdade Racial do grupo Mulheres do Brasil, de Santa Maria, criou um projeto para promover a valorização da mulher negra no comércio por meio de um selo informativo fixado em lojas apoiadoras. O objetivo é chamara a atenção para relatos de situações constrangedoras a população negra durante atendimento em lojas ou empresas da cidade. 

- Se ele fosse uma pessoa branca, teria tido o mesmo tratamento? Teriam batido tanto ele? Teriam tratado a questão como foi tradado? Não teriam. Nós não temos, em estatística, pessoas brancas mortas desta forma neste país. A campanha que a gente está fazendo aqui em Santa Maria é para que pessoas negras tenham acesso aos estabelecimentos comerciais de forma mais tranquila, que possam fazer sua compra e sejam valorizadas enquanto consumidores. O que aconteceu com o Beto, ele estava lá enquanto consumidor, e foi assassinado nesta condição - explica a advogada Deborá Evangelista, líder do Comitê. 

O CRIME
A polícia de Porto Alegre (RS) investiga a morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, após espancamento por dois seguranças de uma loja do supermercado Carrefour localizada no bairro Passo d´Areia, na zona norte da cidade.

Vídeos que mostram o espancamento em frente à loja e a tentativa de socorristas de salvarem o homem, conhecido como Beto, circulam nas redes sociais desde a noite desta quinta-feira e provocam a mobilização de ativistas contra o racismo.

Segundo informações do site GaúchaZH, o espancamento aconteceu após uma briga da vítima com uma funcionária do supermercado. Ela chamou os seguranças, que levaram Beto para fora e teriam espancado o homem até a morte. Um dos envolvidos seria um PM temporário.

Os dois homens acusados de agressão foram presos em flagrante por homicídio. A polícia passou a madrugada ouvindo testemunhas do espancamento e morte.

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O QUE DIZ O SUPERMERCADO
O Carrefour, por meio de sua assessoria de imprensa, definiu a morte como brutal e anunciou que romperá o contrato com a empresa responsável pelos seguranças. Informou também que vai demitir o funcionário responsável pela loja na hora do ocorrido.

"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário", informou por meio de nota.

A assessoria não deu detalhes sobre o período em que a loja permanecerá fechada.

*Colaborou Leonardo Catto


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