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Telões, acolhida e mobilização: como foi a manhã de início do júri no centro de Santa Maria

Julgamento é transmitido ao vivo em um dos pontos de maior movimento da cidade

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Foto: Eduardo Ramos (Diário)
Pessoas acompanharam o começo do júri em telão na Praça Saldanha Marinho

Mesmo a quase 300 quilômetros do centro do Estado, o júri da Kiss, em Porto Alegre, mudou a rotina de um dos pontos mais movimentados de Santa Maria na manhã desta quarta-feira. Quem passou pela praça Saldanha Marinho foi transportado, ainda que por alguns instantes, ao Foro Central I, na Capital, onde, quase nove anos após a tragédia, começavam os trabalhos do julgamento. Um telão, montado na Tenda da Kiss, transmite o júri e chama a atenção dos cidadãos. Uma estrutura de apoio psicossocial também foi organizada pela manhã para auxiliar familiares de vítimas e sobreviventes.

AO VIVO: familiares e vítimas chegam para acompanhar os primeiros depoimentos do júri

A audiência foi rotativa durante a manhã na Tenda da Kiss. Algumas cadeiras foram disponibilizadas, mas a maioria das pessoas preferiam acompanhar o júri de pé. Em momentos de maior movimento, cerca de 30 pessoas assistiam ao início do julgamento pelo telão. Parte delas paravam, observavam o júri por alguns minutos e seguiam caminho. Adesivos foram distribuídos a quem permanecia ali. Ao lado do telão, o banner branco já contava com cerca de 45 mensagens de apoio escritas pela população em apoio aos familiares de vítimas.


Foto: Eduardo Ramos (Diário)
José transmitiu por chamada de vídeo o início de julgamento aos familiares

José Carlos Garcia Filho, de 43 anos, passou pela praça às 9h50min e parou na tenda para acompanhar a transmissão. Ele é tio de uma das vítimas, e conta que conhecia 16 das 242 pessoas que morreram na tragédia. Assim que chegou, fez uma chamada de vídeo pelo celular com a ex-mulher para mostrar o início do julgamento.

- É uma ótima iniciativa essa aqui. Para que possamos acompanhar. Espero que sejam julgados os culpados. Mas essa dor segue. Quem perdeu alguém é que sente - lamenta.

Já o aposentado Adão Durand, de 76 anos, foi até a tenda para fazer uma homenagem às vítimas. No banner, ele deixou uma mensagem pedindo por justiça.


Foto: Eduardo Ramos (Diário)
Adão aproveitou o momento para deixar mensagem de apoio no banner da Praça Saldanha Marinho

- Minha solidariedade às famílias. A Justiça deixou a desejar, já se passaram nove anos. E isso não vai terminar por aqui. Meu descontentamento também é com a ida do julgamento a Porto Alegre - avalia Durand, que também elogiou a mobilização da sociedade em torno do tema.

ESPAÇO PARA FAMILIARES


Foto: Eduardo Ramos (Diário)
Banner em frente ao Clube Comercial convida familiares e sobreviventes para acolhida

Um espaço reservado aos familiares e sobreviventes foi organizado no segundo andar do Clube Comercial. Lá, a partir desta quarta-feira, voluntários farão plantão entre 8h e 22h durante todos os dias de júri. Pela manhã, voluntários ainda faziam os últimos ajustes nos espaços. Uma sala foi destinada para a transmissão do júri, com cerca de 70 cadeiras. Outra sala foi organizada para apoio psicológico, atividades psicossociais, rodas de conversa e outras atividades de integração. Até as 11h, nenhum familiar acompanhou o júri dali. Os espaços são reservados para atendimento apenas de envolvidos na tragédia. A comunidade em geral é orientada a acompanhar o júri da tenda na praça.

- Vamos estar aqui em regime de plantão, disponíveis para as pessoas. Uma parte foi para Porto Alegre, mas outra não quis ou não pôde ir. Tem muitos que não se sentiram emocionalmente capazes de ir e acompanhar lá em Porto Alegre, mas também não conseguem ficar sozinhas em casa. Então, esse espaço foi pensado para isso, para pessoas que estão sofrendo. Pessoas que trabalham durante o dia, mas podem vir aqui durante a noite, por exemplo, para serem acolhidas - explica a psicóloga Ligia Trevisan, que coordenava os trabalhos.

COLCHA DE ACOLHIDA


Foto: Eduardo Ramos (Diário)
Colcha de retalhos foi confeccionada pela Terapia Ocupacional da UFSM

Uma colcha de retalhos será um dos grandes símbolos da acolhida aos familiares no Clube Comercial. A colcha é formada por pedaços de tecidos enviados por diferentes universidades e pessoas em solidariedade ao curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ainda em 2013. O curso perdeu estudantes na tragédia. Os objetos foram expostos em um dos corredores do curso, e, agora, unidos em uma única colcha, serão usados na acolhida aos familiares. Quem passar pelo Clube Comercial poderá confeccionar mais pedaços. Todo o material necessário é disponibilizado no local.

Réus chegam para o júri da Kiss, e um deles passa mal

- A colcha será exposta, assim como sua história, como forma de compartilhar esse cuidado, esse carinho com os demais, que também estão enlutados com esse processo. Agora, estamos remendando a colcha. A ideia é produzir uma nova com quem quiser participar. É para isso que viemos - explica a professora Tatiana Dimov, do departamento de Terapia Ocupacional da UFSM.


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