plural

PLURAL: os textos de Suelen Aires Gonçalves e Silvana Maldaner

Coluna traz multiplicidade de opiniões e abre espaço ao diálogo

  • Sobre a pobreza menstrual
    Suelen Aires Gonçalves
    Socióloga e professora universitária

    Nossa coluna semanal apresenta o tema da "Pobreza Menstrual" e um olhar da Dra. Valdete Souto Severo, doutora em Direito do Trabalho pela USP/SP, juíza do trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região, professora de Direito e Processo do Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e colunista do "Brasil de Fato/Rio Grande do Sul". 

    Eis uma importante síntese: "Menstruar não é apenas sangrar, é sentir todos os efeitos emocionais e físicos de um corpo que se despede da possibilidade de gerar. Por isso, há um nome - bastante carregado de preconceito" .

    Não gosto desse termo. Não há pobreza na menstruação. Ao contrário, menstruação é abundância, parte da potência complexa da geração da vida. Se existem meninas e mulheres - e são tantas - que não conseguem acesso a absorventes, não é de pobreza menstrual que se trata. É miséria social. É a miséria econômica, em uma realidade em que o dinheiro é a via exclusiva para obter acesso a bens necessários a uma vida digna. É também a miséria moral de quem opta por negar essa condição básica de dignidade às mulheres brasileiras.

    DEBOCHE?

    No Brasil, são quase 30 milhões de pessoas, pelo índice oficial, vivendo em condições de pobreza extrema. Pelo menos, metade delas é composta de meninas e mulheres, que sangram e que não têm condição econômica de comprar absorvente. Na semana passada, a proposta legislativa aprovada foi enviada para sanção presidencial e tivemos o veto do presidente à regra jurídica que permite a meninas e mulheres, em condição de pobreza, o acesso gratuito a absorventes. Este é apenas mais um ato de perversidade, dentro do que tem sido a atuação dos poderes de Estado.

    O principal argumento é a ausência de recursos. Na mesma semana, soubemos que o ministro da Economia tem milhões de dólares aplicados em uma Offshore (empresa em paraíso fiscal) e que, portanto, está lucrando com a desvalorização do real. Soubemos também que esse ministério retirou R$ 600 milhões de investimento em Ciência e Tecnologia. Isso fica muito claro na pergunta de Damares: "a prioridade é a vacina ou é o absorvente?" Não se trata apenas de um falso dilema; é um deboche. Repudiamos esse veto e convocamos o Parlamento a derrubá-lo!"

    A inveja
    Silvana Maldaner
    Editora de revista

    A inveja é o desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia. Desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é do outro. É tão antiga que é considerada na doutrina cristã como um dos sete pecados capitais. É considerado pecado, pois a pessoa invejosa ignora as próprias bênçãos e dádivas e fica à cobiça a vida alheia.

    O invejoso, muitas vezes, fica tão alucinado com as conquistas alheias que deixa de trabalhar, perde tempos preciosos, que poderiam ser para focar a energia em suas batalhas e em seu crescimento.

    É deprimente ver como pessoas rasas possuem por hábito desmerecer o trabalho, a vida e o sucesso do outro. Não só não conseguem aplaudir, como precisam desprezar, criar elementos para desqualificar ou diminuir. Criam narrativas apontando as falhas ou pontos fracos.

    O sucesso do outro é mérito dele, das conquistas, do carma ou luz divina. O problema é que, muitas vezes, o invejoso não quer apenas destruir o sucesso, as relações, o prestígio ou a reputação. O invejoso quer se apropriar, quer ser, quer colher o que o outro plantou.

    Sempre será possível seguir, imitar ou fazer uma cópia mais barata de uma ideia de quem inovou. Mas a essência, a energia e o que se é ninguém consegue copiar.

    Muitas vezes, o que provoca a inveja, não é o dinheiro, a casa, o carro, a viagem. Às vezes, o brilho, o caráter, o prestígio, a originalidade e a felicidade são os elementos que mais incomodam, pois isto o dinheiro não compra. 

    FALTA DE SI

    A felicidade e a alegria vem do interior e de como as pessoas reagem frente às adversidades da vida. O brilho e a luz interna não são ofuscadas pelos problemas, muito pelo contrário, pessoas iluminadas conseguem transformar situações penosas em cura, tragédias em superação, e, consequentemente, sempre obtém sucesso, onde a maioria cai.

    A inveja é o veneno da falta de si, do eco do vazio interior, da falta da verdade e do propósito de agradecer pela própria vida. O primeiro homicídio da humanidade deu-se por inveja. Escrito no Antigo Testamento da Bíblia, o texto relata que Caim ficou tão desesperado com o sucesso de Abel que o matou.

    E quantas mortes ainda acontecem por inveja ou ciúmes? Crimes passionais, crimes em família? E quando quem morre é a admiração, o respeito e a amizade? Levanta a mão quem já sofreu o luto de perder um amigo, um confidente que frequentava a nossa casa, empresa ou círculo social? A inveja mata.



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