plural

PLURAL: os textos de Suelen Aires Gonçalves e Silvana Maldaner

Coluna traz multiplicidade de opiniões e abre espaço ao diálogo

  • Para que nunca mais aconteça!
    Suelen Aires Gonçalves
    Socióloga e professora universitária

    No dia 31 de março de 1964, instalava-se a Ditadura Civil Militar a partir de um golpe de Estado que destituiu um governo democraticamente eleito. A notícia tornou-se pública a partir de um posicionamento do Jornal "O Globo" com uma matéria cujo título foi "Ressurge a Democracia" . Qualquer semelhança com o momento atual em que se coloca o retorno de militares ao poder como "salvação da pátria" não é mera coincidência. Quando procuramos a ligação entre Ditadura e o racismo, mesmo que demore um pouco, conseguimos identificar que o ataque feito à população negra permanece vivo.

    Na medida em que o conservadorismo avança, as manifestações de racismo também se tornam mais evidentes. Os ataques a atletas em várias áreas, o descumprimento de legislações que demonstram nossa importância na história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, o assassinato diário de jovens negros de periferia, a violência das forças de segurança, mesmo naquele segmento cujos profissionais são, na maioria, negros, a morte de mulheres negras seja por mortalidade materna, seja por situação de feminicídio ou por estarem em algum lugar de poder e usar esse lugar para que suas denúncias ecoem mais longe.

    ENFRENTAMENTOS

    Na década de 1960, o movimento negro brasileiro foi extremamente influenciado pelo Movimento Americano dos Direitos Civis. A luta contra o apartheid se tornou internacional com a promulgação do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial (21 de março) a partir do Massacre de Shaperville na África do Sul, e o movimento de libertação de várias colônias.

    As matérias sobre as questões étnicorraciais também sofreram censura no período da Ditadura, pois chamavam para a luta e a disputa de ideias. Questões como o enfrentamento ao racismo religioso, a desmilitarização da polícia, o fim do extermínio da juventude negra são pautas permanentes no ideário dessa entidade que ainda não foram resolvidas. Nós, militantes do Movimento Negro Unificado temos vários sonhos, entre eles: a criação de um novo modelo de segurança que não nos mantenha na insegurança; que não nos cause medo; que não nos vincule ao que é ruim por causa da nossa cor, que aceite o fato de que nós merecemos ter nossos direitos respeitados, que entenda que controle social significa participação dos movimentos na definição de políticas públicas afirmativas e, principalmente que pare de usar o aparato policial contra a juventude negra.

    Movimento Negro Unificado 2021!

    *Este artigo foi originalmente publicado na página 20 da edição de 1º de abril de 2021.

    Luz interna
    Silvana Maldaner
    Editora de revista

    O médium João de Deus ganhou da justiça habeas corpus para cumprir prisão domiciliar. Depois de inúmeras denúncias de abuso sexual e estupros de vulneráveis, foi condenado por 60 anos de reclusão. 

    Foi figura endeusada por artistas famosos e por milhares de pessoas desesperadas que, condenadas pela medicina, buscavam por um milagre. Acho esse um dos piores crimes. Pois, além de enganar pessoas, usava de sua fragilidade e momento de desespero das mulheres que lutavam por sobrevivência para molestar fisicamente, causando ainda mais dor, vergonha e culpa. Não é o primeiro caso e não será o último. Diversos pais de santo, padres, pastores, curandeiros e outros médiuns já usaram da notoriedade para praticar abusos. 

    O que aprendemos com isso? Nada! Pois, o ser humano insiste em achar heróis, profetas, salvadores - os escolhidos por Deus - para salvar, benzer, curar, abençoar ou, simplesmente, afagar a dor. E é neste sentido que está o equívoco. 

    Masaharu Taniguchi, em 1930, teve revelações divinas no Japão e publicou que Deus se manifesta onde há amor. Que todos somos filhos de Deus e possuidores das mesmas bênçãos. O que falta é a sintonia, é o despertar interior, é permitir que ele se manifeste. Não precisamos de mensageiros. Deus se manifesta nos detalhes, Deus se manifesta no dia a dia. 

    O milagre da vida acontece todos os dias quando acordamos. O milagre é o sangue circular por, aproximadamente, 200 mil quilômetros de veias, e o coração bombear 7 mil litros de sangue por dia, sem nenhum esforço e intenção. Não precisamos mentalizar e rezar para que o sangue chegue a todas as artérias do cérebro e irrigue as pernas e as mãos. O milagre acontece quando enchemos os olhos de lágrimas ao ouvir uma música ou quando, simplesmente, podemos sentir o sol energizando nosso corpo. O milagre acontece quando mesmo sem nutrientes, o organismo faz a digestão e avisa que o fígado não está bem ou o estômago precisa de alimentos de verdade.

    Para enxergar e agradecer este milagre, basta abrir os olhos, encobertos, muitas vezes, de inveja, mágoa, ingratidão e acima de tudo, falta de consciência de ser filho de Deus. Infelizmente, a maioria das pessoas só consegue sentir seu corpo quando ele não funciona mais, quando uma parte apresenta sinais de cansaço. Quem tem fé no coração consegue ter mais forças. Quem desenvolve espiritualidade não tem tanta fome de salvação, pois sabe que sua caminhada é única e exclusiva, necessária para a elevação espiritual. 

    Quem tem fé sabe que o corpo carnal vai morrer, mas seu espírito será eterno. Desse modo, não desperdiça seu tempo fazendo intrigas, tirando proveito das pessoas ou querendo levar vantagem. Quem sabe da grande roda da vida exercita o bem por si mesmo e não para ganhar aplauso. O tempo é nosso bem mais valioso e não volta mais, por isso é chamado de presente.



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