plural

PLURAL: os textos de Neila Baldi e Noemy Bastos Aramburú

Coluna traz multiplicidade de opiniões e abre espaço ao diálogo

Vem ver a lua e o céu estrelado
Neila Baldi 
Professora universitária

"Acorda, vem ver a lua", diz a canção Melodia Sentimental, de Heitor Villa-Lobos, com o poema de Dora Vasconcellos, composta nos anos 1950, será entoada por todos brasileiros e brasileiras no apagão iminente provocado pelo desgoverno.

Vamos olhar para o céu, não em rompantes de romantismo: ver a lua cheia, admirar as estrelas... Esse rompante também poderia ser um jantar à luz de velas, mas a comida está cara e acender velas pode provocar incêndio, melhor não, afinal: como apagá-lo?

Usar a iluminação natural - da lua e do céu estrelado - ou olhar para o céu pedindo chuva talvez tenham de ser nossas ações daqui para frente neste país desgovernado que vive sua maior crise hídrica dos últimos 90 anos. Ficaremos sem luz e sem água - daí, não adianta a vela, né?

INCOMPETÊNCIA QUE CHAMA?

Os sinais da crise hídrica já apareciam nos últimos anos com a redução no volume de chuvas - é mudança climática que chama, mas os negacionistas não acreditam. Se os reservatórios não tivessem sido mantidos baixos por anos, não estaríamos passando pela crise atual. Tanto que, por causa disso, Curitiba vive sob racionamento de água desde março do ano passado.

Entre as medidas anunciadas estão reduzir o consumo de energia nos prédios públicos federais em até 20% e dar desconto na conta de luz para consumidores que economizarem energia - ao mesmo tempo em que a tarifa aumentou. Os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia, estão com 23% da capacidade de armazenamento e o período de chuvas só começa em outubro. Ou seja, as medidas são pífias. Ah, mas solução pra crise é aproveitar melhor a luz do dia! Como não pensei nisso?

ELEIÇÕES

A capacidade dos reservatórios está mais baixa que em 2001, quando houve apagão, que esfriou a economia e atrapalhou os planos eleitorais dos aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso. Naquela época, mais de 80% da energia vinha das hidrelétricas - hoje é pouco mais de 60%. Talvez seja por medo do efeito de um racionamento em seu projeto eleitoral que o atual desgoverno não tenha feito nada de efetivo. Mas se ficarmos sem água e sem luz, uma possível reeleição não será nem aventada.

Adiar medidas drásticas é literalmente empurrar com a barriga o problema e subestimar os danos que a crise pode provocar para a economia do país. Mas parece que o Chicago Boy comprou seu diploma de Economia. Outro dia ele perguntou: Qual o problema da energia ficar um pouco mais cara? Energia cara é inflação em alta, redução do consumo e de atividade econômica. Mas, para ele, estamos decolando e, portanto, não se avizinha aprofundamento da crise econômica. Em que mundo paralelo esse povo vive?

Histeria coletiva no 7 de setembro

Noemy Bastos Aramburú
Advogada, administradora judicial, palestrante e doutora

Lembro-me da primeira vez em que me deparei com a histeria coletiva. Foi em 6 de dezembro de 1976, no enterro do ex-presidente João Goulart. Minha mãe, com meu irmão no colo e eu pela mão, resolveu ir ao velório, pois era um momento histórico. Sem entender, chorávamos assustados com aquela multidão que gritava frases que não entendíamos, apesar de ser "um dia que vai entrar para a história". 

Era uma multidão aglomerada. Minha mãe andava pelos cantos, com medo de que caíssemos e fôssemos pisoteados, câmeras para todos os lados, políticos, imprensa, turistas e policiais. Como era a época da ditadura, havia muitos militares disfarçados, sem falar nas informações que corriam, que Brizola estava ali, vestido de mulher para não ser descoberto. 

INIMIGOS X ADMIRADORES

Havia uma histeria coletiva, vários grupos de pessoas com diferentes motivos se aglomeravam. Os inimigos do ex-presidente queriam olhar o corpo para ter certeza de que realmente era ele, já que o mesmo morreu no exílio, na Argentina. Os admiradores queriam tocar o esquife para despedir-se de seu ídolo exilado injustamente. Os apartidários estavam ali pela curiosidade, para presenciar aquele momento histórico, aliás, eu me encontrava neste grupo, assustada não entendo nada, muito menos porque aquelas pessoas choravam e gritavam tanto. 

Em abril de 2016, em uma aglomeração, num outro contexto de histeria coletiva, presenciei no noticiário a morte de um homem que morreu eletrocutado, ao subir em um poste elétrico durante um ato pró-Dilma na cidade de Aracaju, em Sergipe. Quarenta anos se passaram entre estes dois momentos, a história, o herói, os inimigos e admiradores são outros, mas o que tem-se em comum nestes dois momentos? A aglomeração e a histeria coletiva. 

E no dia 7 de setembro de 2021? Acredito que estes elementos se fizeram presentes - aglomeração e histeria coletiva. Porém, para os mais atentos, com dois grupos bem identificados: os brasileiros e os bolsonaristas, ainda que vestindo amarelo e verde, com heróis diferentes. 

E, para os desatentos, o que não foi percebido? Que o dia 7 de setembro é o dia do Grito da Independência ou Grito do Ipiranga. É isso que devemos comemorar e temos comemorado desde 1822, porém a histeria coletiva levou a população a desvirtuar a data, como se ela não tivesse sido comemorada por todos desde 2002, nas cores verde e amarela. Não podemos esquecer que só com união podemos vencer as batalhas, sejam econômicas ou de saúde. A Covid-19 deixou bem claro isso, a quem duvidava. Viva o Brasil, vida o verde e amarelo!


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