plural

PLURAL: os textos de Neila Baldi e Noemy Bastos Aramburú

Coluna traz multiplicidade de opiniões e abre espaço ao diálogo

Prioridades...
Neila Baldi 
Professora universitária

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que torna a educação atividade essencial, ou seja, que não pode ser interrompida na pandemia. O projeto seguirá para o Senado. Quem defende a proposta diz ser a favor da educação. Será?

Quando as escolas fecharam, em março de 2020, a contaminação comunitária da Covid-19 no país havia começado, mas o índice de transmissão era baixo. Hoje o índice é de 1,06 - taxa superior a 1 indica que a doença está sem controle (desde dezembro estamos assim). Vamos voltar às aulas presenciais agora? Vamos aumentar a mobilidade? Ou os demais setores serão fechados para que escolas abram? Nos Estados Unidos, quando o Centro de Prevenção e Controle de Doenças declarou ser seguro a volta às escolas, fez-se um adendo: "autoridades locais devem estar dispostas a impor limites a outros setores".

PROBLEMAS NÃO RESOLVIDOS

Em agosto de 2020, a consultoria Vozes da Educação indicou que os países que retornaram às aulas presenciais tinham como critérios a curva de contaminação em baixa e uma política pública com regras sanitárias em relação a transporte público, alimentação e retorno para casa. Por aqui, o transporte público vive lotado. Um rodízio de horário de início e término de atividades diluiria a hora do pico.

Em todo o mundo, apenas em 26 países o ensino presencial está normalizado, de acordo com matéria do El País, na qual Raquel Franzim, do Instituto Alana, disse que: "os países que tiveram experiências bem-sucedidas de reabertura no ano passado tinham bom controle epidemiológico da doença, forte adesão da sociedade a práticas de prevenção, como uso de máscara, distanciamento e ocupação de espaços ao ar livre, além de transparência e comunicação de confiança com as comunidades escolares." Vemos isso no Brasil?

ORÇAMENTO E GREVE

É neste cenário que o Parlamento - boa parte em atividade remota - aprova a volta às aulas presenciais. Se a educação fosse essencial, teria prioridade. Mas o desgoverno reduziu o orçamento e vetou projeto que destinava R$ 3,5 bilhões para Estados e municípios garantirem acesso à internet para a comunidade escolar. "Esse projeto não trata da educação como essencial. É importante dizer que as autoras sofismaram diante da essencialidade da educação. Na verdade, querem a escola aberta. O professor sem direito trabalhista e sindical, com a essencialidade impedindo a greve", disse a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) ao site Congresso em Foco. E, depois, me dizem que o PL é em favor da educação. Vou fingir que acredito.

Todos pecam pela língua

Noemy Bastos Aramburú
Advogada, administradora judicial, palestrante e doutora

Na medicina tradicional chinesa, a língua é considerada o prolongamento do coração, sendo que a sua cor reflete a saúde dos órgãos Yin do sangue e do Qi. Através dela, podem ser diagnosticadas patologias, por refletir a condição de diferentes órgãos, proporcionando indícios claramente visíveis da desarmonia do paciente. 

O pesquisador e professor terapeuta de Medicina Tradicional Chinesa, Giovanni Maciocia, defendia que o diagnóstico de língua é de uma segurança notável, afirmava que "sempre que existirem manifestações conflitantes em uma condição complicada, a língua quase sempre reflete o padrão básico e subjacente". 

A Bíblia também preocupou-se em tratar do tema, e o faz de forma clara e precisa. Tiago 1.26 "Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum." Segue falando no capítulo 3 e no verso 2: "todos tropeçamos de várias maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo." 

Lendo o artigo de Giovanni Maciocia sobre os fundamentos da Medicina Chinesa, descubro que minha avó era muito culta apesar do pouco estudo, pois dizia: "a boca fala o que o coração está cheio". 

O PODER DE UMA IDEIA

Independentemente da corrente de entendimento que sigamos, seja a chinesa, seja a dos "antigos", o que temos visto nos dias atuais, de homens de rua a pessoas que ocupam os mais altos escalões de nossa sociedade brasileira, são línguas demonstrando doenças em fases terminais. Alguns, acredito, já morreram, mas não perceberam. Interessante verificar a democracia deste músculo indomável, pois ele está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, do mesmo modo que está na Arena em dia de Grêmio. Infelizmente, as sequelas são diferentes. Num ela destrói vidas, enquanto que no último, ela libera vida. 

Mas será que podemos mudar isto? Será que podemos esperar um 2022 melhor? Claro que sim, claro que podemos mudar, pois todos os grandes movimentos começaram pequenos, porque uma semente foi plantada, uma pequena faísca foi acesa. Vejamos, porque se comemora dia 8 de março no mundo? Porque um grupo de mulheres em Nova York, neste dia no ano de 1857, se reuniu para reivindicar a redução da jornada diária de trabalho de 16 horas para 10 horas. Hoje, homens e mulheres trabalham oito horas por dia. 

No Brasil o Diretas Já, não foi um movimento de mulheres, mas estudantes, da população civil, que conquistou o voto direto para presidente, encerrando um ciclo que vinha desde 1964. Todas as mudanças começam na mente, saem pela língua, atingem a massa e mudam o mundo; estamos enfrentando uma mudança negativa, que veio por um vírus, mas podemos usar nossa língua para transformar esse limão numa gostosa limonada. Depende apenas de nós.


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