transporte coletivo

Passageiros reclamam de tempo de espera em paradas de ônibus de Santa Maria

Número de veículos diminuiu durante a bandeira preta. ATU garante que horários e linhas são adequados constantemente

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Foto: Renan Mattos (Diário)

Da parada, avista-se, vindo da estrada do Parque Residencial Jardim Berleze, às 7h13min, o ônibus que levaria as pessoas ao trabalho na terça-feira. Em pé, viram o veículo passar direto, já com todos os bancos ocupados. Essa é uma situação comum para a assistente administrativa Priscila Barichello, 36 anos, e para a assistente de saborização Maria Anália Barreto, 54. Elas aguardavam um ônibus da linha Jardim Berleze-Centro, na Rua Pedro Santini, próximo ao condomínio Moradas Santa Maria.

- Já é complicado, e está pior. As pessoas precisam ir sentadas. O ônibus passa e não para por que já lotou - relata Priscila.

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Pelas regras da bandeira preta, o ônibus deve respeitar a lotação máxima de 50% da capacidade total. Para os usuários irem sentados, depende da configuração de cada veículo. Em levantamento feito pelo Diário em quatro linhas, nas manhãs de segunda e terça-feira, a regra foi seguida à risca.

Em um caso, a situação foi adversa. Por volta de 7h da manhã de segunda-feira, uma linha Universidade-Faixa Velha, que saiu da parada da Vale Machado, preencheu todos os assentos, com exceção de um, na última parada da Rua do Acampamento. No ponto seguinte, na Avenida Dores, duas pessoas aguardavam pelo transporte, e apenas uma, a primeira da fila, foi autorizada a entrar.

Em alguns casos, os usuários buscam alternativas, como Maria, que aguardava a linha Jardim Berleze-Centro:

- Chegam na parada, não conseguem o ônibus e se combinam de rachar um transporte por aplicativo - conta.

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O transporte coletivo municipal ainda não conseguiu se adaptar ao decreto estadual da bandeira preta, válido a partir de 27 de fevereiro. Na segunda-feira pela manhã, 1º de março, o Diário recebeu pelo menos dois relatos de ônibus que descumpriam a legislação. Um deles era da linha Jardim Berleze-Centro. Na imagem (ao lado), enviada pela auxiliar de limpeza Daniela Tavares dos Santos, 27 anos, moradora do Residencial Dom Ivo Lorscheiter, é possível ver o corredor com várias pessoas em pé. Segundo ela, eram 15 usuários em pé por volta das 7h30min.

A mesma situação foi relatada por uma profissional de saúde que preferiu não se identificar. Ela fez imagens de um ônibus da linha Universidade, também na manhã de segunda-feira. Após, os ônibus se adequaram à regra e não há relatos de passageiros em pé, mas o problema nas paradas segue:

- As pessoas esperam muito. O ônibus lota ainda na parada da Catedral, e na Acampamento já não pegam mais ninguém.

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O diretor da Associação dos Transportadores Urbanos (ATU), Edmilson Gabardo, reconhece a existência do problema da lotação em pé, mas diz que ficou restrito à manhã de 1º de março. Até então, as empresas seguiam o regramento municipal, que permitia a permanência de 10 pessoas em pé no veículo.

- Na segunda-feira, em alguns horários, algumas pessoas foram em pé. Conversamos com a prefeitura, e nos disseram que o que vale é o decreto estadual, apenas com passageiros sentados. Isso é fato superado - explica.

Em relação ao tempo de espera, Gabardo diz que a ATU analisa as linhas constantemente e busca adequar horários e disponibilidade de carros:

- Aconteceu na semana passada, quando teve mais movimento por ser a primeira semana do mês. Logo, ajustamos alguns horários, até acrescentamos. Nessa semana, está praticamente resolvido. Eventualmente, ocorre.

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Após a vigência da bandeira preta, a demanda pelo transporte público caiu em torno de 25%, conforme Gabardo. Em 22 de fevereiro, ainda em bandeira vermelha, foram 39 mil usuários. No dia 1º, na bandeira preta, foram 27 mil. Neste mesmo período, a oferta do serviço foi diminuída em 10%. Antes, eram 115 ônibus em operação. Atualmente, são cerca de 100.


Foto: Renan Mattos (Diário)
Dentro dos ônibus, passageiros permanecem sentados

A primeira medida tomada quando é identificada um linha de maior demanda é a alocação de um ônibus maior. Caso não se resolva, mais horários podem ser disponibilizados. Com a bandeira preta, Gabardo explica que não há uma demanda constante, mas variável, o que dificulta os ajustes. O horário de pico, segundo ele, é entre 18h e 18h30min. Muitos idosos também fazem uso do transporte, apesar do momento de altíssimo risco de transmissão do coronavírus. Gabardo pede que as pessoas saiam de casa apenas quando necessário:

- Faço um apelo em nome de todas as pessoas de bom senso e da área médica. Por favor, respeitem a bandeira preta. Fiquem em casa. Tem muita gente doente e morrendo.

PREFEITURA

O Executivo afirma ter conhecimento de situações em que ônibus não podem parar devido à lotação máxima. O órgão justifica que ajusta itinerários para que a demanda seja atendida. A orientação da Secretaria de Mobilidade Urbana é que os passageiros aguardem o próximo veículo.

Sobre aglomerações, a prefeitura tem recebido as denúncias, que têm sido analisadas para que sejam tomadas as providências.

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Conforme a Secretaria, em determinados casos, "as aglomerações não são resultado direto da quantidade de pessoas nas paradas, mas, da conduta incorreta de quem não observa o distanciamento adequado em relação a outros passageiros".

Denúncias sobre aglomerações em paradas de ônibus e demais reclamações podem ser feitas pelo telefone (55) 3921-7271.

*Colaboraram Felipe Backes, Renan Mattos e Leonardo Catto


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